Agronegócios

BRF diz que impacto de restrições da Arábia Saudita será de no máximo R$ 45 milhões

Segundo a companhia, o ritmo anterior de exportações ao país deverá ser retomado em até 3 meses.

Após Suspensão | 24 de Janeiro de 2019 as 00h 32min
Fonte: G1

A BRF teve um frigorífico proibido de exportar para a Arábia Saudita. Outros 8 continuam autorizados — Foto: Reuters/Paulo Whitaker

A BRF disse nesta quarta-feira (23) que as restrições da Arábia Saudita à importação de carne de frango, anunciadas na véspera, devem impactar seu faturamento em no máximo R$ 45 milhões durante três meses, período que levará para normalizar as vendas para o país.

A perda estimada é equivalente a 0,1% da receita líquida nos 12 meses encerrados em setembro. Segundo a fabricante de alimentos, o embargo atinge apenas uma de suas fábricas, em Lajeado (RS), que exportava cerca de 6,5 mil toneladas por mês ao mercado saudita.

"A companhia já iniciou os ajustes necessários em sua cadeia produtiva e estima que, em no máximo 3 meses, retomará o mesmo patamar de embarques para a Arábia Saudita", disse a BRF em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A BRF continua com 8 fábricas autorizadas a enviar frango ao país: 3 próprias, 4 da subsidiária SHB e uma do Frigorífico Nicolini, que terceriza sua produção para a empresa. A companhia diz que a capacidade de produção dessas unidades é suficiente para atender à demanda.

As ações da BRF caíram 5% na terça-feira.

Importação barrada

A Arábia Saudita, maior comprador de carne de frango brasileira, barrou a importação de 5 dos 30 frigoríficos brasileiros que exportavam para o país. A decisão foi tomada após uma inspeção técnica feita em outubro passado pela autoridade sanitária saudita Saudi Food and Drug Authority (SFDA), de acordo com o Itamaraty.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que os motivos da proibição foram "técnicos", sem especificar quais seriam eles.

Agora, 25 frigoríficos estão autorizados a exportar para a Arábia Saudita. Segundo o Ministério da Agricultura, essas unidades responderam por 63% das vendas de frango do Brasil para aquele país em 2018, o que corresponde a 437 mil toneladas.

Em 2018, o Brasil enviou para a Arábia Saudita 486,4 mil toneladas de carne de frango, o equivalente a 12,1% do total embarcado no ano. A China foi o segundo maior mercado e, na última segunda, acertou com exportadoras um acordo para encerrar uma disputa por conta do preço do produto.

Veja os 10 maiores importadores:

Maiores importadores de carne de frango do Brasil

 

País

Quantidade exportada em 2018

Participação no total

1

Arábia Saudita

486,4 mil toneladas

12,1%

2

China

438 mil toneladas

10,9%

3

Japão

397,9 mil toneladas

9,9%

4

África do Sul

331 mil toneladas

8,2%

5

Emirados Árabes

309,7 mil toneladas

7,7%

6

União Europeia

263,4 mil toneladas

6,6%

7

Hong Kong

211,7 mil toneladas

5,3%

8

Kwait

123,2 mil toneladas

3,1%

9

Coreia do Sul

113,1 mil toneladas

2,8%

10

México

111,2 mil toneladas

2,8%

Fonte: ABPA

Frango halal

A carne comprada pela Arábia Saudita segue os princípios do Islã tanto no abate, quanto na produção e é chamada de halal. Para produzir esse tipo de carne, empresas brasileiras tiveram que adaptar suas fábricas e efetivo.

Os animais devem ser mortos com o peito direcionado para a Meca e os sangradores têm que ser muçulmanos praticantes, por exemplo. O Brasil é o maior exportador de frango halal do mundo.

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