Crise no Agronegócio

Com dívidas de R$ 385 milhões, grupo pede recuperação judicial em MT

Holding do agronegócio mato-grossense colocou até a sede social em alienação fiduciária

28 de Janeiro de 2017 as 10h 22min

A Agroverde Agronegócios e Logística Ltda – grupo empresarial mato-grossense que atua nas áreas de produção de commodities, armazenamento de grãos, reflorestamento e geração e fornecimento de energia -, entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT). Ao todo, entre a dívida em moeda nacional e internacional, além de 43.278 sacas de soja na modalidade de negócios conhecida como barter, os credores das dívidas cobram mais de R$ 385 milhões 

A oficialização do pedido foi publicada na edição do Diário Oficial desta quarta-feira (25).

Para deferimento do pedido de recuperação judicial – recurso legal utilizado pelas empresas em dificuldades econômicas como chance de reestruturar seus negócios -, os representantes do grupo argumentam que “a alta taxa de juros, a escassez de crédito, a maxivalorização do dólar e os fatores climáticos”, contribuíram para o aumento dos clientes inadimplentes da empresa.

Os representantes do grupo alegam que apenas o “processo de recuperação em conjunto pode viabilizar o sucesso da reestruturação”. A Agroverde argumenta que a dívida pleiteada pelos credores “são solidárias”, afirmando que os bens dos empresários rurais e demais sociedades empresariais constituem uma situação de “verdadeira simbiose”, referindo-se a “garantias cruzadas” que existiriam entre os credores e o grupo empresarial.

A Agroverde sustenta ainda que a valorização da moeda norte americana foi fator determinante para o aumento da dívida do grupo. Os representantes da empresa afirmam que 40% dos compromissos financeiros estão em dólar.

A empresa solicita, ainda, que os imóveis de sua propriedade que se encontram em alienação fiduciária – dispositivo extra-judicial que permite colocar um bem em garantia a um empréstimo, por exemplo -, não sejam “consolidados” (que a transferência do imóvel para o credor não seja efetuada).

Entre os imóveis que se encontram em alienação fiduciária, está a sede social da Agroverde em Sorriso (418 km de Cuiabá).

Na decisão proferida pelo TJ-MT, o juiz argumentou que “não são atingidos pelos efeitos da recuperação judicial os créditos daqueles que figuram como proprietário fiduciário de bens”, e que “bens com alienação fiduciária de propriedade das recuperandas” não podem ser constituídos como créditos da recuperação – caso da sede da Agroverde, em Sorriso.

O juízo aceitou, ainda, o pedido de recuperação judicial do grupo empresarial. A empresa agora possui 60 dias para apresentar aos credores seu projeto de reestruturação dos negócios. Além disso, durante 180 dias, todas as execuções em face da Agroverde estarão suspensas.

MT Agora - Diego Frederici | Folha Max

COMENTARIOS

Guia MT

Busca telefônica em Lucas do Rio Verde - MT

COTAÇÃO