Orientações

Famato orienta sobre cuidados com o nascimento dos bezerros de corte

O primeiro tema da série são os cuidados que o produtor rural deve ter com o nascimento do bezerro de gado de corte.

MT Agora - Assessoria
05 de Outubro de 2015 as 23h 16min

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) com o objetivo de contribuir para maior produção da pecuária de corte, produtividade, diminuição da mortalidade e aumento da taxa de crescimento, programou uma série especial de informações de serviços de interesse dos pecuaristas do Estado. O primeiro tema da série são os cuidados que o produtor rural deve ter com o nascimento do bezerro de gado de corte.
 
O médico veterinário e analista de pecuária da Famato Marcos Coelho de Carvalho orienta o produtor a criar um local dentro da propriedade, chamado de piquetes de maternidade, onde as vacas são levadas quando estão próximas do momento do parto. Segundo Marcos, é necessária a preparação de um ambiente saudável com pastagem de boa qualidade, local sombreado, seco e limpo, água de boa qualidade e minimizar os fatores estressantes. No momento do parto, vaca e bezerro passam por um processo de reconhecimento através do cheiro e lambidas. Em áreas com muito movimento, as vacas ficam estressadas e inquietas podendo avançar ou fugir interrompendo o contato com o bezerro e deixando de cuidar da cria.
 
O piquete maternidade deve ser acompanhado por uma pessoa capacitada que será responsável pelo bom acompanhamento dos partos e dos primeiros dias de vida dos bezerros dando todo suporte necessário. Marcos alertou que as vacas levam em média quatro horas para parir, e as novilhas seis horas. Somente é permitido interferir no parto após esse tempo considerado normal, exceto casos de anormalidades.
 
Ao nascer, o bezerro deve se alimentar do colostro (primeira secreção da glândula mamária após o parto). O colostro possui células de defesa, grande quantidade de fatores de crescimento, rico em gordura, fonte de energia e promove a termorregulação do bezerro. “É a transferência da imunidade da mãe para o bezerro, já que essa imunidade não é transferida pela placenta do animal, assim como de humanos”.
 
Durante as visitas ao piquete maternidade é importante observar se o filhote enfrenta dificuldades para mamar. “Se o úbere da vaca estiver cheio e o bezerro estiver de barriga vazia, é sinal de que não mamou. Isso acontece com mais frequência em vacas com tetos grandes ou bezerros prematuros”, frisou Marcos.
 
O profissional ressaltou que os bezerros que não ingerirem o colostro nas primeiras 24 horas, tempo em que o intestino está receptivo à passagem de imunoglobulinas, ficam suscetíveis à mortalidade e morbidade. A imunidade gerada pela ingestão do colostro garante proteção ao animal até que ele próprio produza suas células de defesa, quando seu organismo estiver maduro imunológicamente, o que deve acontecer após 4 a 6 semanas de vida.
 
Por precaução pode-se criar um banco de colostros congelados em porções individuais de 2 litros, devidamente identificados com a data de congelamento e validade de um ano. Em caso de necessidade, basta esquenta-lo em banho-maria com água a 45-50°C.
 
Outra prática classificada pelo analista de extrema importância é a desinfecção do umbigo do bezerro com tintura de iodo (10%).  Marcos orienta que o iodo seja colocado em um frasco de boca larga e emborcado sobre o coto do umbigo. Com a cura do umbigo realizada de maneira correta, isso impede que bactérias invadam órgãos vitais dos bezerros como fígado, bexiga, rim, artérias e veias que irrigam a parte posterior do animal. Em caso de o procedimento não ser feito, o animal fica vulnerável a doenças que causam a morte ou lesões severas, como a caruara (doença que causa inchaço e paralisia das articulações dos bezerros). Não é recomendado usar apenas o mata-bicheira para curar o umbigo, pois este não impede a contaminação bacteriana, somente auxilia no controle da bicheira.
 
No instante da cura do umbigo o produtor pode aproveitar para fazer o sistema de identificação, colocando um brinco adequado na parte da frente da orelha, com o número do bezerro, e atrás deve escrever o número da vaca com uma caneta especial para isso.
 
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) também oferece cursos de diretrizes para o desenvolvimento da pecuária de corte. Os produtores rurais podem procurar o Sindicato Rural mais próximo para mais informações.
 
Os próximos temas abordados na série serão: estação de monta, vacinação e doenças.

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