Ferrugem asiática chega às lavouras de Mato Grosso

CDSV/Mapa confirmou a presença de dois focos da ferrugem em áreas comerciais. Fungo tão precoce quanto a safra

Por Robson Alex , MT Agora | 2013/12/05 07:00
  
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Em um intervalo de quatro dias, Mato Grosso registrou mais dois focos de ferrugem asiática. Desta vez a confirmação assusta, pois ambos foram detectados em lavouras comerciais. A ferrugem asiática, doença fúngica que pode aniquilar a produtividade das lavouras de soja, foi confirmada dois dias antes em relação ao ano passado, que teve o primeiro caso em lavoura comercial admitido no dia 5 de dezembro. Dentro das estatísticas sobre a ocorrência da doença no Estado, a safra 2013/14 impõe novo recorde: o foco comercial mais precoce já registrado no Estado.

Na noite da última terça-feira, o coordenador da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura (CDSV/Mapa), em Mato Grosso, Wanderlei Dias Guerra, anunciou os novos casos em plantações de Campos de Júlio, noroeste do Estado. O registro já está publicado no Mapa de Dispersão da doença, do Consórcio Antiferrugem, pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT).

Na última sexta, Dias Guerra já havia confirmado o primeiro caso da safra, mas em planta guaxa, àquelas que nascem de forma voluntária fora da região tida como lavoura, como por exemplo, às margens das rodovias. Esse caso foi detectado em Alto Araguaia (418 quilômetros ao norte de Cuiabá). Todos os três casos foram observados em plantas no estádio R5, com vagens em granação, ou seja, o risco de comprometer a produtividade é muito grande em lavouras neste período do desenvolvimento. Com o terceiro foco, Mato Grosso assume a vice-liderança do ranking nacional do Mapa da dispersão, atrás apenas de São Paulo com seis ocorrências.

Como explica o coordenador da CDSV/Mapa, a doença foi confirmada nas variedades TMG 123 e outro na Monsoy. Ele reforça que a primeira ocorrência comercial desta safra se deu justamente no município “onde o Indea/MT teve dificuldade em fazer com que um produtor destruísse as guaxas de sua lavoura durante o vazio sanitário, período de 90 dias em que a existência de plantas vivas de soja fica proibida no Estado”. E completa: “Esta detecção da ferrugem apenas confirma nossa previsão e o alerta que fizemos sobre as condições favoráveis para o aparecimento da doença. No entanto ainda não é nada grave, pois este produtor que tem várias fazendas faz monitoramento constante em todas elas e esta ocorrência é mesmo rara, mas indica, confirma a fase favorável, conforme também indica o sistema Agrodetecta”. A fase favorável se dá pelas atuais condições climáticas em Mato Grosso, muita chuva e altas temperaturas. A dobradinha quente e úmido faz o ambiente perfeito para proliferação do fungo causador, Phakopsora pachyrhizi. Só resta monitorar, isso é fundamental”.

APROSOJA/MT
O diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Nery Ribas, destaca que a confirmação do primeiro caso em área comercial é apenas o começo do que deve estar por vir nesta safra. “Sempre reforçamos: o clima vai estar favorável à doença até a colheita final. O fungo existe, a doença começa a aparecer e não há soluções mágicas. Vale a velha recomendação de sempre, monitoramente constante e manejo integrado de pragas e doenças, tudo é claro, aliado à tecnologia”. Para esta safra os sojicultores têm um aliado já disponível no mercado produzido a partir do princípio ativo carboxamidas. “A nova molécula, assim como outras, eram uma luta do setor, pois estávamos há mais de uma década combatendo a ferrugem com os mesmos produtos e o uso intensivo acaba por reduzir ano-a-ano a eficiência dos químicos”. Ele reforça: “Estamos há mais de dez anos lidando com a doença e aprendemos muito, mas não há milagre e nem mágica contra a ferrugem”, assevera.

Marianna Peres

Fonte: MT Agora - Diário de Cuiabá



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