Brasil

CPI ouve acusada de tráfico internacional de modelos

Redação | 06 de Novembro de 2012 as 08h 28min
MT Agora - Agência Câmara

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas realiza hoje (6), às 10 horas, no Plenário 11, audiência pública para dar continuidade à investigação sobre o envio de modelos brasileiras para trabalhar em Mumbai, na Índia, em condições análogas à de escravidão.

A CPI ouvirá Raquel Felipe, dona da agência de modelos Raquel Management, de São José do Rio Preto (SP), que teria enviado duas irmãs de 15 e 19 anos para o país asiático no fim de 2010. O caso é acompanhado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

O depoimento da empresária foi solicitado pelo presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA). Durante a audiência, também será ouvida a modelo Monique Menezes da Silva.

Tráfico de crianças
A CPI também agendou para esta terça-feira o depoimento de Maria Elizabeth Abreu Rosa, ex-vereadora do município de Encruzilhada (BA), para esclarecer denúncias sobre tráfico de crianças, divulgadas pela imprensa em 2010.

“O fato é gravíssimo, pois, segundo informações da imprensa, a ex-vereadora fazia parte de uma quadrilha especializada em tráfico de bebês”, disse o deputado Luiz Couto (PT-PB), que propôs o depoimento.

Envio à Índia
Em reunião da CPI no último dia 10 de julho, a modelo Ludmila Verri, agora com 21 anos, disse que assinou contrato com a agência de Raquel, que intermediou sua “venda” e de sua irmã para a Índia. O visto de trabalho, segundo ela, foi pago pelo agenciador indiano Vivek Singh, dono da K-Models Management.

Na Índia, Ludmila e a irmã foram recebidas por Vivek e instaladas em um apartamento mobiliado, sem água e sujo, em um bairro de prostituição. Ludmila contou aos parlamentares ter permanecido durante dois meses no apartamento, trabalhando em sessões de fotografia.

Ludmila e a irmã eram vigiadas pelo porteiro do prédio e não podiam sair sem que o agente soubesse. Logo no início, ela se machucou em razão de uma queda, na tentativa de se esconder de Vivek, que teria entrado intempestivamente no apartamento. No período em que se recuperava, era a irmã quem trabalhava cerca de 14 horas por dia em sessões de fotografia.

Metade do dinheiro recebido por ela e pela irmã - cerca de 6 mil dólares - foi usado para pagar dívidas de viagem. Segundo o contrato assinado por ela, 40% do dinheiro ganho seria do agenciador indiano, 10% da agência brasileira e 50% de Ludmila e da irmã.

Segundo Ludmila, o agenciador indiano nunca tentou fazer sexo à força com ela, apesar de ter se insinuado, principalmente no período em que ela se recuperava. A jovem disse que Vivek era alcoólatra e, muitas vezes, descontrolado. "Ele já ergueu a mão para me bater. Não bateu porque tinha gente por perto."

Resgate
Ludmila e a irmã, hoje com 16 anos, foram resgatadas e conseguiram voltar ao Brasil com o auxílio do consulado brasileiro, que arcou com os custos da viagem.

Após o caso, a Justiça aprovou uma liminar para que as agências parem de enviar modelos ao exterior, além de indenizar as jovens por danos morais e também o governo pelos gastos com as passagens de volta ao Brasil.

“Eu não tinha noção de que poderia ser uma farsa, uma fantasia. A gente vai com a consciência de que podem acontecer coisas, mas não pensa que pode de fato”, disse Ludmila.

A jovem disse que, se aparecesse uma nova oportunidade de trabalho no exterior, checaria todos os dados do contrato, buscaria sites das agências de modelos e, principalmente, levaria consigo o telefone do consulado brasileiro no local.

Falta de assistência
O pai da modelo, Damião Verri, disse na CPI que buscou a ajuda do consulado porque não conseguiu resolver o problema por meio de Raquel Felipe. Segundo ele, as informações passadas antes da viagem não foram condizentes com a situação encontrada lá por Ludmila e sua irmã.

"A Raquel havia dito que daria assistência pessoalmente às meninas se acontecesse alguma coisa. No fim, ela não fez nada, só empurrou com a barriga e propôs tirar as meninas de lá fugidas. Eu, como pai, fui ao fundo do poço. Minha esposa tem pressão alta e diabetes. Imagina a situação", disse.

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