Massacre

Dupla ataca escola em Suzano (SP), mata oito pessoas e se suicida

Entre as vítimas, estão alunos do ensino médio e funcionários, além do proprietário de uma loja próximo ao local. Há registro de nove feridos; assassinos eram ex-alunos do colégio.

13 de Março de 2019 as 19h 55min

Movimentação em frente à escola Raul Brasil, onde assassinos mataram alunos e funcionárias — Foto: Reprodução/TV Globo

Um adolescente e um homem encapuzados atacaram a Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), na manhã desta quarta-feira (13) e mataram sete pessoas, sendo cinco alunos e duas funcionárias do colégio. Em seguida, um dos assassinos atirou no comparsa e, então, se suicidou. Pouco antes do massacre, a dupla havia matado o proprietário de uma loja da região.

Os assassinos – Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 – eram ex-alunos do colégio. A investigação aponta que, depois do ataque, ainda dentro da escola, Guilherme matou Henrique e, em seguida, se suicidou. A polícia diz que os dois tinham um "pacto" segundo o qual cometeriam o crime e depois se suicidariam.

Cinco dos mortos são alunos do ensino médio, com idade entre 15 e 17 anos, de acordo com o secretário de Segurança Pública de SP. Entre as vítimas, há ainda duas funcionárias do colégio, uma delas a coordenadora. O dono de uma locadora de veículos próximo ao local, que era tio de um dos assassinos, foi morto pouco antes do ataque.

Também há registro de 11 feridos.

Ainda não se sabe a motivação do crime. Foram feitas buscas na casa dos assassinos, e a polícia recolheu pertences dos dois.

Os mortos são:

  • Caio Oliveira, 15 anos, estudante
  • Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos, estudante
  • Douglas Murilo Celestino, 16 anos, estudante
  • Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos, agente de organização escolar
  • Jorge Antonio de Moraes, 51 anos, comerciante, morto antes da entrada dos assassinos na escola; ele é tio de Guilherme, um dos assassinos
  • Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 anos, estudante
  • Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos, coordenadora pedagógica
  • Samuel Melquíades Silva de Oliveira, 16 anos, estudante

Os feridos são:

  • Adna Isabella Bezerra de Paula, 16 anos, estudante
  • Anderson Carrilho de Brito, 15 anos, estudante
  • Beatriz Gonçalves Fernandes, 15 anos, estudante
  • Guilherme Ramos do Amaral, 14 anos, estudante
  • Jenifer Silva Cavalcanti
  • José Vitor Ramos Lemos, estudante
  • Leonardo Martinez Santos
  • Leonardo Vinicius Santa Rosa, 20 anos
  • Leticia de Melo Nunes
  • Murilo Gomes Louro Benite, 15 anos, estudante
  • Samuel Silva Felix

Resumo

  • Ataque a escola em Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, deixou cinco alunos e duas funcionárias mortas; os dois assassinos se mataram.
  • Os autores do crime são Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, ex-alunos do colégio.
  • Após o massacre na escola, Guilherme matou Luiz Henrique e, em seguida, se suicidou, segundo a polícia.
  • Antes de entrar na escola, eles estiveram em uma loja de automóveis próximo ao colégio. O proprietário do estabelecimento, Jorge Antonio de Moraes, tio de Guilherme Taucci Monteiro, levou três tiros e morreu no hospital.
  • Há 11 feridos.
  • Ainda não se sabe o motivo do ataque e o vínculo dos autores com a escola.
  • Uma testemunha disse que viu um deles com arma de fogo e outro, com uma faca.
  • A PM encontrou no local um revólver 38, uma besta (um artefato com arco e flecha), objetos que parecem ser coquetéis molotov e uma mala com fios.
  • Os assassinos chegaram ao colégio alvo do ataque em um carro alugado.
  • A motivação para o ataque não está clara, segundo a polícia.
  • Segundo o Censo Escolar de 2017, a instituição tem 358 alunos da segunda etapa do fundamental (6º ao 9º ano) e 693 estudantes do ensino médio. No local, também funciona um centro de idiomas.

Ataque à Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano

Um vídeo feito por câmera de segurança mostra o momento em que os dois criminosos chegam à Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na manhã desta quarta.

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, eram ex-alunos da instituição. Eles estavam em um carro branco alugado, estacionaram em frente ao portão do colégio e entraram pela porta da frente, que estava aberta.

"Eles ingressaram na escola, atiraram na coordenadora pedagógica, atiraram numa outra funcionária. Estava na hora do lanche, eles se dirigiram ao pátio, atiraram em mais quatro alunos do ensino médio", disse o coronel Marcelo Salles, comandante-geral da PM.

"Nesse horário, só havia alunos do ensino médio, e [os assassinos] dirigiram-se ao centro de línguas. Os alunos do centro de línguas se fecharam na sala com a professora e eles [os autores do ataque] se suicidaram no corredor."

De acordo com o Secretário de Segurança Pública de SP, João Camilo Pires de Campos, os assassinos se mataram logo depois de se deparar com um grupo de policiais que já havia chegado ao interior da escola.

O assassinato do tio do assassino

O coronel Salles afirmou que, antes de entrar na escola, os criminosos passaram por uma loja de automóveis próximo ao colégio. O proprietário do estabelecimento, chamado Jorge Antonio de Moraes, foi baleado por Guilherme, que era seu sobrinho, e morreu. Moraes levou três tiros – um deles no peito.

"Policiais estavam indo para esse primeiro chamado e ouviram gritos das crianças. Foram, então, até a escola, onde os dois criminosos acabaram se matando", disse a capitão Cibele, da comunicação da PM.

Arsenal

Dentro da escola, a polícia encontrou:

  • um revólver 38;
  • quatro jet luders, que são plásticos para recarregamento de arma;
  • uma besta (um tipo de arco e flecha que dispara na horizontal);
  • um arco e flecha tradicional;
  • garrafas que aparentam ser coquetéis molotov;
  • um dos autores do ataque tinha uma espécie de machado na cintura.
  • há ainda uma mala com fios.

O esquadrão antibombas foi chamado e não encontrou material explosivo no local.

As vítimas na escola

Cinco alunos e duas funcionárias da Escola Estadual Raul Brasil foram mortos no ataque.

Os alunos que morreram são:

  • Caio Oliveira, de 15 anos
  • Cleiton Antônio Ribeiro, de 17 anos
  • Douglas Murilo Celestino, de 16 anos
  • Kaio Lucas da Costa Limeira, de 15 anos
  • Samuel Melquíades Silva de Oliveira, de 16 anos

As funcionárias que morreram são:

  • Eliana Regina de Oliveira Xavier, de 38 anos
  • Marilena Ferreira Vieira Umezo, de 59 anos, coordenadora pedagógica

O dono da loja morto antes do ataque é:

  • Jorge Antonio de Moraes, de 51 anos, que também era tio de um dos assassinos

Os assassinos, que morreram, são:

  • Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos
  • Luiz Henrique de Castro, de 25 anos

Os feridos são:

  • Leticia Melo Nunes
  • Samuel Silva Felix
  • Beatriz Gonçalves
  • Anderson Carrilho de Brito
  • Murilo Gomes Louro Benite
  • Jennifer Silva Cavalcanti
  • Leonardo Vinicius Santana
  • Adna Bezerra
  • Guilherme Ramos

Sem informações sobre a motivação

O coronel Fábio Pelegrini, da Comunicação Social da PM, informou que a polícia ainda não divulgou se os autores do massacre têm registro de crimes anteriores.

A polícia não tem informações sobre a motivação do crime.

"Provavelmente um ato que foi premeditado. Eles entraram na escola equipados, com máscara. A gente não tem ainda essa motivação, não tem a correlação do motivo e do ato feito", afirmou o coronel Pelegrini.

Relatos de testemunhas

Rosni Marcelo Grotliwed, estudante de 15 anos, disse que o ataque ocorreu durante o intervalo e que um dos criminosos tinha uma arma e outro, uma faca.

“A gente estava na merenda e comendo normal e escutamos 'três pipocos' nisso tentamos correr para pular o muro do CEL. Os caras vieram atrás de nós e começou a matar muita gente. Mas o pente dele descarregou e foi na hora que a gente correu."

Rosni disse que um dos assassinos passou com faca ao seu lado, mas conseguiu desviar. "Fui para a diretoria, e tinha muita gente morta no chão. Eles gritavam, mas eu não entendi o que era", lembrou.

"Meu amigo levou facada no ombro e outro levou um tiro. Fugi com um amigo para minha casa e voltei para buscar um amigo."

A merendeira Silmara Cristina Silva de Moraes, de 54 anos, contou que ajudou a esconder 50 estudantes na cozinha.

"Nós estávamos servindo merenda e aí começou os ‘pipocos’ e as crianças entraram em pânico. Abrimos a cozinha em começamos a colocar o maior número de crianças dentro e fechamos tudo e pedimos para eles deitarem no chão", contou ela, chorando.

"Foi muito desesperador, porque foi muito tiro, muito tiro mesmo e era muito pânico".

Autoridades

O governador de São Paulo, João Doria, cancelou a agenda do dia e chegou à escola em um helicóptero, acompanhado do secretário Estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva, do secretário de Segurança, general João Camilo Pires de Campos, e do comandante da PM, o coronel Salles. Doria disse que estava "muito impactado".

"Foi a cena mais triste que já assisti em toda a minha vida. Fico muito triste que um fato como este ocorra em São Paulo, ocorra no Brasil. Estou consternado, chocado", afirmou o governador.

Atendimento a vítimas e famílias

O Corpo de Bombeiros e equipes do Samu estão no local. Bombeiros de Mogi das Cruzes também foram chamados, às 9h50, para apoiar o atendimento. O helicóptero Águia, da PM, sobrevoou a escola. Toda a polícia de Suzano está mobilizada no caso.

A Prefeitura de Suzano informou que as equipes da Defesa Civil, do Trânsito, da Segurança Cidadã, da Assistência Social e do Fundo Social de Solidariedade estão dando suporte no local para as famílias.

A Associação Cultural Suzanense, o Bunkyo, localizado na avenida Armando Salles de Oliveira, Centro, será ponto de acolhida para familiares, enquanto aguardam informações, e também para receber a imprensa.

Fonte: G1

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