Confronto

Grupo pró-Dilma atira rojões em PM no DF, que reage com gás de pimenta

Manifestantes acompanhavam sessão do Senado que vota afastamento. Um homem foi detido; confronto ocorreu nas proximidades do Congresso.

12 de Maio de 2016 as 04h 54min

Manifestante dispara rojão contra barreira de policiais próximo ao Congresso Nacional durante votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado (Foto: TV Globo/Reprodução)

Manifestantes pró-governo entraram em confronto com policiais militares na noite desta quarta-feira (11) em Brasília enquanto acompanhavam a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado. Eles atiraram rojões, pedras, bolinhas de gude, copos cheios e garrafas contra o cordão montado nas proximidades do Congresso Nacional. A PM reagiu com spray de pimenta três vezes, e um homem foi encaminhado para a delegacia.

Duas manifestantes passaram mal por causa do gás, de acordo com a organização do movimento, e foram transportadas de maca para atendimento médico. Os militantes xingaram os policiais e disseram que eles defendem a ditadura. Eles estavam com um carro de som.

Um grupo chamou os militares de "fascistas" e gritou pedindo o fim da corporação. "A PM está sempre agressiva. A PM só sabe bater em mulher. As mulheres estavam manifestando, e jogaram spray nelas", afirmou o agricultor Ronito Joaquim.

Mesmo com previsão para a votação só começar às 2h desta quinta-feira (12), os grupos já se concentravam nas proximidades do Congresso Nacional às 18h. De acordo com a Polícia Militar, havia 5 mil pessoas – 4 mil pró-governo – na Esplanada dos Ministérios no momento de maior público. O trânsito na região foi bloqueado.

Assim como no pleito na Câmara Federal, os grupos ficaram divididos por um muro de um quilômetro de extensão a partir da Rodoviária do Plano Piloto. A partir do terminal, policiais militares revistavam manifestantes à procura de pedaços de pau, fogos de artifício e bonecos infláveis. Havia fila no local, e os grupos reclamavam da espera para ter acesso à Esplanada. Os PMs chegaram a jogar spray de pimenta contra pessoas "ansiosas" em passar pelo cordão.

Além disso, policiais direcionavam as pessoas: os contra a saída de Dilma se concentraram do lado do Teatro Nacional, com acesso liberado até as proximidades do Ministério da Justiça; os a favor do impedimento transitavam pelos arredores da Catedral Metropolitana e do Ministério da Saúde.

A marcha dos grupos pró-governo começou às 17h. Indígenas e integrantes de movimentos sociais partiram do estacionamento do Estádio Mané Garrincha ocupando duas faixas do Eixo Monumental. A caminhada de cerca de quatro quilômetros se deu aos sons de "Não vai ter golpe" e com palavras de ordem contrárias ao vice-presidente Michel Temer, que assume o Executivo caso o afastamento de Dilma seja aprovado.

O diretor da Central Única dos Trabalhadores de Brasília (CUT) Julimar Roberto afirmou que 50 ônibus – com cerca de 2,5 mil pessoas – estão vindo de todo DF e Entorno para participar da manifestação nesta quarta.

“Ao que tudo indica, o Senado irá votar a favor do relatório. Apesar disso, estamos com um sentimento positivo quanto à mobilização que atingimos. Nós conseguimos transmitir a realidade dos fatos e as injustiças. Mesmo com o resultado do afastamento, teremos 180 dias para continuar todo trabalho de mobilização.”

A caminhada dos manifestantes a favor do impeachment, que até então estavam concentrados no Parque da Cidade, começou mais tarde. Antes da descida, eles receberam a viúva do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi chefe do DOI-Codi do II Exército, em São Paulo, órgão de repressão política durante a ditadura militar – citado pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC-SP) na votação na Câmara.

Joselita se negou a falar com a imprensa, mas tirou fotos e distribuiu autógrafos no local. Ela esteve acompanhada de um grupo de paraquedistas do Rio de Janeiro, que se vestiam de preto e empunhavam uma bandeira do Brasil.

Morador de Belém (PA), o administrador de empresas Mário Montana conta que chegou à capital na última sexta-feira. Ele demonstrou receio quanto à possibilidade de confrontos após a votação. “Viemos protestar da forma mais pacífica possível. Acreditamos que hoje será o início de uma mudança”, disse. “Estamos com medo. Já passamos até por uma situação que atiraram um coquetel Molotov em um grupo, nós não queremos enfrentamento.”

A corretora de imóveis carioca Marta Santos, de 60 anos, está em Brasília desde 17 de abril. Ela disse que o impeachment "é legítimo e democrático, d está sendo feito por pessoas que estão comprometidas." Segundo ela, uma intervenção federal é necessária.

Os grupos não chegaram a entrar em confronto, mas houve troca de ofensas. Um homem a favor do impeachment fez sinais com os dedos para mulheres pró-Dilma na altura do Setor Hoteleiro. Elas responderam com gritos de “machistas” e “golpistas não passarão” e chegaram a correr atrás dele.

Já na rodoviária, um motorista deu sinal com os dedos para os manifestantes pró-governo. O grupo reagiu jogando uma garrafinha na direção do carro. Um dos militantes chegou a partir para cima do homem, mas foi contido por uma policial militar.

Segurança

Cerca de 1,5 mil policiais militares fazem a segurança na Esplanada nesta quarta-feira. Segundo o governo do DF, 150 policiais civis vão atuar durante o processo. Haverá reforço na 5ª DP, na Asa Norte, delegacia que atende as ocorrência da Esplanada dos Ministérios. O GDF vai destacar 160 bombeiros, 44 agentes de trânsito e dez servidores operacionais.

O muro que divide os manifestantes pró e contra o impeachment no gramado da Esplanada foi erguido entre a Catedral e o Congresso. O mesmo esquema foi adotado durante a votação do processo na Câmara Federal.

Favoráveis ao afastamento da presidente ficam ao lado esquerdo do Congresso e se concentram perto do Teatro Nacional. Manifestantes pró-impeachment ficam ao lado direito, com concentração no Museu da República.

Máscaras, lenços, bandanas e outros adereços que escondam o rosto estão proibidos. O mesmo vale para objetos cortantes e fogos de artifício. Não será permitida a venda de bebidas alcoólicas no local.

Os participantes só poderão ficar até a Alameda dos Estados. O espaço entre a Praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto, o Itamaraty e o Ministério da Justiça será restrito para as forças de segurança.

Votação no Senado

Os parlamentares vão votar nesta quarta o parecer do relator da comissão especial do impeachment no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), que defende a abertura do processo de afastamento.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça-feira (10) que Anastasia (PSDB-MG) e o advogado-geral da União, ministro José Eduardo Cardozo, devem ser os últimos a falar – por 15 minutos cada um – na sessão desta quarta-feira (11) que pode afastar a presidente Dilma Rousseff por até 180 dias.

Os senadores vão decidir se o Senado abre ou não o processo de impeachment da presidente. Se a maioria simples (metade dos presentes mais um) aprovar a instauração do processo, Dilma será afastada, e o vice Michel Temer assumirá a Presidência da República. Se o parecer for rejeitado, o processo é arquivado.

Orientação de bancadas

O presidente do Senado disse que não é “bom” que os líderes partidários orientem as bancadas sobre a votação a favor ou contra a admissibilidade do processo pelo Senado. “Eu acho que não é necessário. Como é um julgamento, qualquer orientação partidária acaba ajudando a partidarizar um assunto, o que não é bom que aconteça”, disse Renan.

Notificação de Dilma

Renan não quis dar detalhes de como e quando a presidente Dilma Rousseff será notificada da decisão dos senadores. O presidente da Casa disse que ela deve ser informada oficialmente pelo primeiro secretário da Mesa do Senado, o senador Vicentinho Alves (PR-TO). A tendência é que a notificação aconteça na quinta-feira.


MT Agora - G1

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