Tragédia Em MG

Número de mortos em Brumadinho sobe para 115, e 248 estão desaparecidos

Tragédia foi provocada pelo rompimento de barragem da Vale no dia 25 de janeiro em Minas Gerais.

01 de Fevereiro de 2019 as 21h 23min

Sobe para 115 o número oficial de mortos na tragédia de Brumadinho

A Defesa Civil de Minas Gerais informou, no início da noite desta sexta-feira (1º), que subiu para 115 o número de mortos após a tragédia provocada rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Também há 248 pessoas desaparecidas.

No dia em que o desastre completa uma semana, a operação entrou numa nova fase. Os trabalhos não têm data para acabar, segundo autoridades de Minas Gerais.

Veja acima o exato momento do rompimento da barragem em Brumadinho.

"Não excluímos a possibilidade de sobreviventes até que a gente encontre todos os corpos. Mas essa possibilidade matemática é muito pequena", afirmou o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, tenente Pedro Aihara.

Números da tragédia

  • 115 mortos confirmados – 71 identificados
  • 248 desaparecidos
  • 192 resgatados
  • 395 localizados
  • 108 desalojados ou desabrigados

Mais cedo, ele havia dito: "Continuaremos incansavelmente nas buscas".

Já o chefe do Estado-Maior do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, coronel Erlon Dias do Nascimento, disse que não há previsão para encerrar a operação de resgate.

A barragem de rejeitos, que ficava na mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, se rompeu na sexta-feira (25). O mar de lama varreu a comunidade local e parte do centro administrativo e do refeitório da Vale. Entre as vítimas, estão pessoas que moravam no entorno e funcionários da mineradora. A vegetação e rios foram atingidos.

Desde sábado (26), não são achados sobreviventes. Para os bombeiros, é muito pequena a possibilidade de achar alguém vivo em meio ao mar de lama.

Já o prefeito de Brumadinho, Avimar Barcelos, disse em entrevista nesta sexta: "Neste momento estamos mais preocupados em resgatar vidas, e depois resgatar corpos".

O trabalho de buscas deve ser retomado às 4h deste sábado (2).

Na entrevista coletiva para falar sobre o balanço deste oitavo dia de buscas, o tenente Aihara, porta-voz dos bombeiros, comentou os vídeos revelados nesta sexta (1º) que mostram o rompimento da barragem em Brumadinho.

Nas imagens – que foram cedidas pela mineradora às autoridades no dia seguinte à tragédia –, é possível ver o tsunami de lama, minério e rejeitos.

Um deles, mostra o instante exato em que a barragem cede.

No outro, é possível ver o mar de lama que avança rapidamente e engole veículos, máquinas e trem, encobrindo toda a mina.

"As imagens já tinham sido recebidas. A decisão de não divulgá-las foi uma decisão com embasamento técnico", justificou Aihara.

"Tinha preocupação de provocar pânico generalizado na população, já que a barragem 6 [também na mina do Córrego do Fundão] estava sendo monitorada. As pessoas poderiam ter um movimento de evacuação generalizado."

Em nota, a Vale informa que disponibilizou as imagens às autoridades em 26 de janeiro e que não divulgou vídeos da ocorrência "para não prejudicar as investigações e, sobretudo, em respeito aos atingidos e familiares".

Buscas

Ao falar sobre os trabalhos de sexta, o tenente Aihara disse: "Nenhum metro de lama deixará de ser vistoriado".

Ao comentar até quando devem durar as operações, o porta-voz dos bombeiros não deu uma previsão e comparou: "Para que se tenha uma ideia, em Mariana as buscas duraram três meses". Foi uma reverência ao rompimento da barragem do Fundão, em outra cidade mineira, ocorrido em novembro de 2015. Lá, morreram 19 pessoas.

Nesta quinta, bombeiros civis e voluntários começaram a participar das buscas por corpos em Brumadinho. O grupo tem, pelo menos, 50 pessoas. Há bombeiros civis de diversas regiões do país, arqueólogos e engenheiros, além de bombeiros civis do México.

Equipes atuam para liberar a pista da MG-040, que está bloqueada desde o rompimento da barragem da Vale.

Bombeiros acompanham os trabalhos de perto, caso haja a necessidade de resgatar algum corpo.

Amostras de DNA

Dos 115 corpos já resgatados, 71 foram identificados. O delegado da Polícia Civil em Brumadinho, Arlen Bahia, disse que há também 19 "pré-identificados".

"Já foi feita coleta de digitais e o exame papiloscópico. Falta apenas o IML conferir, para ver se não tem equívoco. Após a conferência, será liberada a lista, que atingirá o número de 90 identificados", afirmou Bahia.

Na véspera, ele havia explicado que "daqui para frente, tudo indica que provavelmente a identificação será via odontológica ou DNA".

Já foram coletadas amostras de DNA de mais de 200 pessoas de mais de 100 famílias para ajudar nos trabalhos de identificação das vítimas. A identificação visual e de digitais torna-se mais difícil com o passar dos dias.

Prefeito fala das dificuldades

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta, o prefeito de Brumadinho, Avimar Barcelos, falou sobre o sofrimento da cidade após a tragédia. "Não tem condições de atender [a população] com a arrecadação que a gente tem. A gente precisa muito do estado e do governo federal", afirmou.

"A responsabilidade que a Vale teria que ter era de não deixar isso acontecer com a cidade. Não existe isso de pagar vida, esses R$ 100 mil [em doações da Vale às vítimas] não são indenização, tem que deixar claro", disse o prefeito.

De acordo com ele, os R$ 80 milhões que serão pagos pela Vale ao longo de dois anos devem servir para compensar impostos que não serão arrecadados. "Daria uns R$ 4 milhões por mês", explicou Barcelos.

"Queremos que a Vale pague todos os funcionários do município. E que eles recebam sem trabalhar, com isso não vai atingir o nosso comércio", pediu. "A Vale é o segundo maior empregador do município. Se não pagar, nosso comércio vai falir."

O prefeito disse que, após o incidente em Mariana, ocorrido em novembro de 2015, pressionou a Vale para que o rompimento da barragem não ocorresse também Brumadinho. "Olha o que aconteceu em Mariana. Dizem que Mariana não recebeu praticamente nada, nem muito apoio. Até segunda ordem, parece que eles vão cumprir com a gente o que está sendo combinado", declarou.

Sobre os serviços da cidade, Barcelos comentou que não há falta de água em Brumadinho: "Tem água mineral de sobra na cidade. O nosso negócio agora é atender bem a população e as famílias das vítimas".

De acordo com ele, a expectativa é que as aulas sejam retomadas em 11 de fevereiro, depois que forem desobstruídas algumas ruas – há casos de vias com uma camada de lama que chega a mais de 4 metros de altura.

Vale anuncia ajuda financeira extra

Nesta sexta, o diretor-executivo de relações institucionais da Vale, Sergio Leite, afirmou que a empresa fará doações em dinheiro aos afetados pela tragédia.

  • R$ 50 mil para famílias que moram na chamada "zona de impacto".
  • R$ 15 mil para famílias que tiveram atividade rural ou comercial afetadas.

"Serão cumulativas e inclusive para pescadores atingidos", afirmou Leite.

Esses valores serão somados à doação emergencial de R$ 100 mil que a mineradora já havia anunciado que doaria a cada família com vítimas. Nesta quinta, a empresa começou a inscrever os nomes de quem vai receber. Não se trata de indenização.

As famílias devem ir a um dos postos de atendimento criados pela Vale – a Estação de Conhecimento e o Centro Comunitário de Feijão. É preciso apresentar documentos que comprovem o parentesco com a vítima.

Se a pessoa perdeu mais de um parente, a doação será por número de vítimas. Assim, a família que tiver perdido duas vítimas para a tragédia vai receber R$ 200 mil.

A inscrição é por ordem alfabética – leva-se em conta o primeiro nome da pessoa que morreu ou está desaparecida. Nesta quinta, foram credenciados os nomes que começam com as letras A e B.

A previsão é terminar as inscrições até terça-feira (5), mas não há um prazo final para comparecimento de quem perdeu um familiar na tragédia.

O pagamento vai ser feito de acordo com uma ordem preferencial:

  • Primeiro, ao responsável legal por filhos menores de idade;
  • Depois, marido, mulher ou pessoa que vivia em regime de união estável com a vítima;
  • Em seguida, filhos e netos;
  • Por último, mãe, pai e avós.

Ajuda de animais

As equipes que atuam na área atingida pela lama ganharam mais reforços. Nesta sexta, a cadela Toya, que ajudou a achar o corpo da turista Fabiana Fernandes em Arraial do Cabo (RJ), chegou a Brumadinho.

As buscas por animais perdidos e atolados também continuam. Até o momento, segundo o Corpo de Bombeiros, 90 animais foram resgatados vivos.

Quem avistar animais pode entrar em contato com os números (31) 99839-9932 e (31) 99414-8078. Os números são da empresa Bicho do Mato, contratada pela Vale para mapear e resgatar animais.

Testemunhas ouvidas

O delegado Wagner Pinto, chefe da Polícia Civil, disse no MG1 desta sexta que a corporação já ouviu oito pessoas para a investigação que apura a tragédia em Brumadinho.

Segundo o delegado, laudos de meio ambiente, do rompimento da barragem e documentos da mineradora Vale serão analisados na investigação.

A Policia Civil deve ouvir centenas de pessoas.

PM termina 'varredura' sem achar corpo

Também em entrevista no início da tarde desta quinta-feira, o porta-voz da Polícia Militar de Minas Gerais, major Flávio Santiago, afirmou que 400 km² de área atingida passaram por uma "varredura". De acordo com ele, nenhum sobrevivente foi encontrado na área monitorada.

De acordo com Santiago, a partir de agora, os policiais vão ficar em pontos estratégicos para garantir a segurança e evitar saques – não houve nenhuma nova ocorrência nos últimos.

Luto

O letreiro com o nome de Brumadinho, localizado na entrada da cidade, amanheceu de luto nesta sexta, no dia em que a tragédia completa uma semana.

Cada uma das dez letras ficou coberta por um saco plástico preto. Eles foram colocados na véspera, pouco antes das 23h, por um grupo de pessoas.

Homenagem com chuva de pétalas

Uma chuva de pétalas de rosas – doadas por pessoas de Belo Horizonte e da região de Brumadinho – caiu nesta sexta sobre o local da tragédia. Dez helicópteros, cedidos pelas corporações que fazem parte da força-tarefa que trabalha na região, sobrevoaram a área na hora do almoço.

Ligados, eles esperaram o momento de decolar, pouco antes das 13h. Um a um, eles levaram soldados carregando as flores. Um carregou uma bandeira do Brasil. No rosto dos soldados, era visível a emoção durante o ato.

 


Fonte: G1

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