Médicos reivindicam salários atrasados e Prefeitura nega dívidas ao HSL

Profissionais da Saúde não recebem pagamento desde o mês de dezembro e conjecturam paralisação. Gestão Municipal busca solução junto ao Hospital.

10/03/2017 - 10:22:17

   

Não é de hoje que o salário dos médicos que atendem no Hospital São Lucas sofre atrasado. De acordo com o vereador Dr. Jaime Floriano, pediatra, que presta serviço na unidade desde sua fundação, é comum que a diretoria do HSL deixe o pagamento dos médicos muito aquém do esperado, porém, nas últimas semanas o atraso dos repasses tem atingido uma escala maior, tornando-se um verdadeiro ultraje aos profissionais que, nos últimos três meses, atendem a população de forma completamente gratuita.
 
Ao Expresso MT, o vereador Dr. Jaime Floriano (PDT) afirmou que o Hospital São Lucas enfrenta dificuldades por falta de dinheiro. O valor angariado serve apenas para cobrir os custos básicos e pagar os demais funcionários, isso porque o Hospital atende, em sua grande maioria, pacientes do Sistema Único de Saúde, cujos repasses nunca foram suficientes.  Outro fator que gerou impacto nas finanças foi a diminuição contínua de consultas particulares, provocada pelo agravamento da crise econômica e a decadência na infraestrutura interna do HSL. Mesmo diante da situação caótica, os profissionais não deixaram de atender a população luverdense, que continua sendo beneficiada com serviços de qualidade enquanto os médicos sofrem sem receber.
 
“O salário dos médicos sempre foi atrasado, só que, nos últimos tempos chegou a atrasar até quatro meses. Mês passado foi pago novembro, e a gente está sem receber dezembro e janeiro, fevereiro acabou também e deveríamos receber esse último valor agora em março, mas o atraso já alcança o terceiro mês. [...] Nós pediatras, por exemplo, somos dois para tocar os plantões do mês inteiro, é muito puxado, e ainda sem receber um mês, dois meses, três meses e com contas para pagar, tem sido muito difícil. Nossos colegas estão desanimados, mas mantemos a esperança, temos fé que as coisas vão entrar no prumo” – desabafou Dr. Jaime. 
 
A Prefeitura Municipal e os repasses ao HSL
Nos últimos dias, após a propagação do atraso no pagamento dos profissionais que prestam serviços ao HSL, um grande embate foi instaurado pela população luverdense a cerca do Hospital São Lucas e da Prefeitura Municipal. Atoardas de que haveria dívida por parte do poder público municipal e negligência à unidade de saúde.
 
Em conversa com o secretário de saúde Jean Machado, afirmou veementemente que não há nenhuma dívida por parte da Prefeitura Municipal ao que se refere ao convênio firmado entre ambos. O secretário assegura que todos os repasses estão em dia, sendo o último entregue no dia primeiro (1º) de março.
 
“A prefeitura compra serviços do Hospital e tem sua parcela de responsabilidade sim, mas não se pode esquecer que se trata de uma instituição filantrópica. O que é de competência do poder público está sendo feito com muita seriedade. Nós temos um convênio, uma parceria firmada e estamos cumprindo com nossas responsabilidades e efetuando os repasses ao Hospital. O que posso garantir sem dúvida alguma, é que a prefeitura municipal não deve um centavo ao Hospital São Lucas” – declarou Jean Machado.
 
Segundo o secretário de saúde e os vereadores, a tal dívida da prefeitura de fato não existe, porém, conforme foi divulgado pelo vereador Jiloir Pelicioli (PDT), o Mano, em sua conta do Facebook, e externado em entrevista pelo vereador Dr. Jaime Floriano, situações agravantes como essas não ocorriam anteriormente porque as gestões passadas contribuíam com o HSL por meio de doações, um valor atribuído ao Hospital além do repasse obrigatório estipulado no convênio. 
 
“[...] Outra situação é em relação aos contratos com a prefeitura, o hospital sempre atende a mais do que é acordado com o município. As dificuldades financeiras do HSL não são por falta de gestão, vêm desses atendimentos que são realizados e que não estão sendo pagos. A diferença em relação à gestão passada, é que o município arcava com esse déficit [...]” – externou o vereador Jiloir Pelicioli em rede social.
 
“Qual a nossa cobrança ao prefeito? Auxílio. Porque nas gestões anteriores, dos prefeitos Otaviano e Miguel, Marino, sempre houve ajuda, mesmo quando não cabia à prefeitura fazer isso. Por quê? Porque os pacientes que atendemos em sua grande maioria são do SUS, são do município e a prefeitura tem responsabilidade” – disse o vereador Dr. Floriano.
 
No momento, o que se espera da gestão atual é a mesma postura que nas administrações anteriores, auxílio e contribuição voluntária ao Hospital, buscando arcar com os custos extras de pacientes que ultrapassam o estipulado no convênio firmado entre a entidade e a prefeitura. Na última terça-feira (07), o prefeito Luiz Binotti reuniu todos os profissionais que prestam serviço de plantão ao Hospital São Lucas, cerca de 30 médicos, para discutir melhores condições de trabalho. Binotti se comprometeu a ajudar o Hospital a quitar os salários atrasados e efetuou o repasse referente à folha de novembro.
 
“O prefeito chamou os médicos para uma conversa, agora ele vai mandar um novo projeto pra Câmara, em uma semana ou duas, uma ação de urgência, e pelo que foi discutido na reunião, a prefeitura vai pagar os salários de dezembro, pagou de novembro e deve quitar o do mês doze. Ele também se comprometeu a zerar os pagamentos até a metade do ano, e por fim, tentar manter os salários sempre em dia. Foi um compromisso dele e nós continuaremos colaborando com o Hospital” – afirmou Floriano.
 
À nossa equipe, o vereador também explicou que uma carta será redigida solicitando melhorias no Hospital e ao que se refere à greve, por enquanto é apenas uma hipótese.
 
“É difícil para um médico entrar em greve, porque quando o profissional vai fazer uma paralisação não pode deixar os setores de emergência desassistidos, além de que precisa redigir e enviar uma carta ao Conselho Regional de Medicina avisando que haverá paralisação, e isso aí tem tempo. A princípio, nós vamos enviar uma carta pedindo melhorias, uma modificação no Hospital e para apressarem o nosso pagamento” – conclui o vereador.
 
O esperado é que a situação seja totalmente resolvida até junho ou julho deste ano sem necessidade de greve, e que a problemática dos salários atrasados não retorne.
 
HSL
Por se tratar de uma entidade filantrópica, o Hospital São Lucas sobrevive primeiramente de doações, tanto de pessoas físicas como jurídicas. Contudo, a entidade também pode recorrer aos recursos públicos, efetuando convênios, parcerias e solicitando auxílios e subvenções aos governos municipal, estadual e federal, autarquias e sociedade de economia mista. Atualmente, o HSL registra aproximadamente R$ 3 milhões em dívidas, além do amparo e suporte assegurados pela prefeitura municipal, a instituição carece de parcerias com iniciativas privadas e de mais doações, como defendido pelos vereadores, o Hospital São Lucas também necessita do apoio de toda a população luverdense.

MT AGora - Kimberly Schäfer | ExpressoMT

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