Coluna

A porta estreita

Passagem do Evangelho de Mateus especialmente importante para todos aqueles que atuam no setor público

Artigo | 05 de Março de 2018 as 23h 40min
MT Agora - Mídia News

Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. Quão pequena é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram!" (Mateus, 7:13 e 14.)

A lição de Jesus Cristo é universal, mas considero essa passagem do Evangelho de Mateus especialmente importante para todos aqueles que atuam no setor público: servidores, autoridades, magistrados, legisladores, controladores etc.

No dia a dia do setor público, inúmeras são as portas largas que a cada momento se apresentam. Portas amplas, luxuosas, confortáveis, sedutoras. É grande a tentação de atravessá-las. São tantos que o fizeram e fazem, aparentemente com bons resultados. Por que não?

Existe a porta do carreirismo, da bajulação, do adesismo e da ambição desenfreada. A porta larga do sacrifício de convicções, da deslealdade aos amigos e da traição a princípios.

Existe a porta do conformismo, da indiferença, da acomodação e da passividade. A porta larga dos que fecham os olhos às injustiças, não reagem aos abusos, silenciam e se omitem diante do que é errado.

Existe a porta da arrogância, da soberba, do autoritarismo, da discriminação, da violência. A porta do "sabe com quem está falando?". A porta larga dos que humilham e oprimem os pequenos e os fracos e distribuem privilégios a poucos apaniguados.

Existe a porta da demagogia, da farsa, das mentiras e das calúnias a serviço de projetos pessoais. A porta larga dos cultores da ignorância como ferramenta de manipulação das consciências.

Existe, finalmente, a porta da corrupção, da ganância, das fraudes e das engrenagens para a conquista e a manutenção de espaços de poder. É a porta mais larga, imensa, que absorve e retroalimenta todas as outras.

A porta estreita, por sua vez, é quase invisível, desprovida de charme ou de glamour e muito, muito apertada. Por ela não se passa sem sacrifício, arranhões ou machucados. Por ela, o percurso é acidentado. Aquele que faz essa opção é quase sempre incompreendido, até pelos mais próximos; muitas vezes objeto de zombaria e apelos para que altere seu rumo; e impiedosamente combatido quando persevera no seu bom propósito.

Ao longo dos anos, vi muitos jovens promissores, com boas qualidades e ótimas intenções, serem lentamente sugados, como num vórtice invencível, por alguma dessas diversas portas largas. Alguns enriqueceram e se tornaram poderosos nas suas áreas de atuação. Desses, diversos já caíram e passaram por prisões e vexames. Outros perdem o sono e morrem de medo da próxima operação ou delação. Todos, porém, sucumbem ao trágico destino faustiano, contemplando amargos a destruição que eles próprios perpetraram dos seus ideais mais puros.

Quando analiso uma situação complexa e o papel das pessoas nela envolvidas, inevitavelmente recordo do Evangelho de Mateus e indago a mim mesmo se alguma das personagens ali presentes teria o caráter, a coragem e a coerência de buscar a porta estreita que Jesus nos recomenda.

Àqueles que hoje iniciam sua carreira na vida pública, eis o maior conselho: Sigam a lição do Mestre Maior e busquem a porta estreita. O caminho será penoso e sofrido, mas é o único que não maculará sua integridade e lhes permitirá, ao final de seus dias, afirmar como o apóstolo Paulo: "Combati o bom combate, completei meu tempo e não perdi a fé".

LUIZ HENRIQUE LIMA é conselheiro substituto do TCE-MT

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