Coluna

Artigo: A renovação do sistema político

A história vai registrar todos os danos irreparáveis causados por essa casta de “nobres” decaídos

Artigo | 04 de Março de 2017 as 14h 16min
MT Agora

A falta de legitimidade, a corrupção sistêmica, o corporativismo, o fisiologismo, o clientelismo e as instituições democratamente combalidas são os pontos nevrálgicos, que por sua vez, revelam a face obscura do nosso arcaico sistema político.

Porém, diante de todos os fatos – que vêm expondo a verdadeira imagem da política brasileira, seja pela grande mídia ou pela contribuição dos cidadãos – parece-me que o país está sendo passado a limpo, pois parte de toda sujeira – que estava e ainda está debaixo do tapete do regime aristocrático, que se entranhou nos poderes que compõe o Estado Republicano – está vindo à tona.

Sim! Isso mesmo! As instituições brasileiras estão passando por uma revolução ética e de amadurecimento constitucional. Não se pode julgar negativamente o país pelo que está ocorrendo ou ocorreu na política, mas pela oportunidade que os cidadãos terão... De renovar o sistema político atual.

Conforme o histórico discurso do memorável ex-presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln: "A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo", a democracia se trata de um estado de fato, ela não existe simples e puramente porque uma constituição ou um líder qualquer afirma que um Estado é democrático.

Porque, para a sua existência o governo tem de emanar do povo, se isso não ocorre, o Estado não é democrático. Desta forma, é através da democracia que a vontade da maioria se sobrepõe a da minoria em busca de uma maior efetividade da participação política da população.

No entanto, a falta de legitimidade política do atual comandante do Governo Federal e de seus asseclas é nítida. A sujeira começou lá trás quando o abuso do poder econômico, via propinas do Petrolão, tornou a campanha de Dilma/Temer ilegal e fraudulenta. Fora as mentiras contadas ao povo, como estabilidade econômica e manutenção dos programas sociais.

Pois bem, para sustentar essa máquina, movida por decisões maquiavélicas, o esquadrão inteiro do PT, juntamente com o do PMDB, acabou violando os princípios vitais da legalidade constitucional do país, o que, posteriormente, desembocou em um desajuste fiscal, e, por fim, todas as consequências disso já, exaustivamente, noticiadas e debatidas na mídia. 

Não obstante, diante do governo desestabilizado, insustentável e capenga do PT, bem como da insatisfação popular e o iminente efeito da operação Laja Jato, os caciques do PMDB e demais partidos “aliados” resolveram fazer o acordão, na calada da noite, para usurpar o poder e trocar a figura quixoteana da ex-presidente Dilma Rousseff ( PT ) com a manobra do impeachment, o que de fato foi comprovado com a deleção bombástica do Marcelo Bahia Odebrecht nesta semana.

Ele, por sua vez, citou todos os partidos e pessoas que receberam as propinas para que os contratos junto à Petrobras fossem fechados. Uma coincidência irônica de tudo isso é que os parlamentares envolvidos são os mesmos que orquestraram o processo de impeachment.        

Desde então, os ministérios do Governo Federal viraram trincheiras do foro privilegiado. A governabilidade institucional era questão de atender aos interesses dos representantes da aristocracia brasileira. Sangraram a constituição modificando os direitos sociais. Legislaram em causa própria para tentar intimidar o Judiciário. Liberaram geral a Legislação para favorecer o grupo dos parlamentares que eram aliados do presidente Temer.         

Contudo, agora, que os fatos vieram à tona revelando toda trama orquestrada pelos caciques da política – que permanecem atrelados ao poder para não serem responsabilizados pelos atos deles – os cidadãos brasileiros terão a oportunidade de manifestarem nas ruas a indignação generalizada em face desse sistema político obsoleto, corrupto e imoral, pois não existem mais argumentos para sustentar os inúmeros desmandos dessa organização criminosa.

A história vai registrar todos os danos irreparáveis causados por essa casta de “nobres” decaídos. Porém, para que os princípios democráticos se restabeleçam nesta pátria, o povo necessita de sair às ruas e exigir a renovação desse sistema político. Mulheres e homens virtuosos e justos é que não faltam para ajudar a reerguer este país.                      

Marcelo Ferraz é escritor e jornalista.

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