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Inteligência emocional para adolescentes

O castigo não funciona porque coloca o jovem em posição de vítima, o que não contribui para o desenvolvimento da autodisciplina

Fonte: Rose Domingues Reis
04 de Julho de 2019 as 14h 29min

Uma das fases mais difíceis na vida do ser humano consiste em deixar o período da infância para se transformar em um adulto, enfrentando mudanças físicas, psicológicas e sociais. Conforme a Organização Mundial de Saúde, a adolescência começa aos 10 e termina aos 20 anos. Como passar por tudo isso com mais leveza?

A Disciplina Positiva surgiu há cerca de 30 anos, trazendo ferramentas que podem ajudar muito no processo de construção de autonomia, inteligência emocional e autoconfiança de crianças e jovens. O mais interessante: sem o uso de violência, ou seja, sem a necessidade de bater, xingar ou castigar.

Você deve estar se perguntando de que maneira isso é feito, afinal, já tentou de tudo sem sucesso e continua perdido. Primeiramente, entenda que preguiça, desânimo, angústia, falta de vontade de fazer tarefas simples e introspecção são comportamentos comuns na adolescência. E impor regras rígidas não resolve.

O castigo não funciona porque coloca o jovem em posição de vítima, o que não contribui para o desenvolvimento da autodisciplina. Então, o objetivo da abordagem é justamente oferecer independência ao jovem, de modo a fazê-lo se sentir estimulado a assumir a responsabilidade por si mesmo e por sua vida.

Experimentar as consequências das próprias escolhas é o primeiro passo para o amadurecimento pessoal, mas é fundamental um ambiente seguro onde o adolescente possa se sentir à vontade para errar. Isso mesmo, erros são oportunidades para fortalecer valores e exercitar habilidades internas na resolução de problemas.

Qual tipo de educação você desenvolveu até hoje? Se usou mais de pulso firme e excesso de controle, é importante agora dar mais espaço e liberdade. Confie, seu filho poderá surpreendê-lo! Agora, se protegeu e cuidou demais, ele provavelmente terá mais resistência em assumir responsabilidades, porque se acostumou com você fazendo tudo.

Em meio às crises que surgirem, é importante manter a tranquilidade e exercer uma escuta ativa, ouvindo a opinião do seu filho sem sermão, com respeito e carinho (respire fundo!). Ao invés de impor sua ideia, converse com ele sobre a lista de tarefas para a semana e estabeleça prazos. Deixe claro quais as consequências caso não cumpra o combinado.

Sempre ensino para as famílias que cabe aos pais servirem de modelo para os filhos. Portanto, tenha uma postura calma, racional e consistente em vez de ser extremamente rígido e crítico. Observe-se e mude você primeiro. Também vale a pena descobrir os interesses e as habilidades para apoiar o jovem em atividades extracurriculares, que é algo que alivia a tensão e gera bem-estar.

Outra dica importante é aceitar os filhos como são, sem impor expectativas irreais ou sem projetar neles um sonho que é seu. Papel de pai e mãe não vem com manual de instrução, por outro lado, é possível treinar respostas assertivas sem humilhar, criticar ou culpar. Lembre-se que errar fazer parte do aprendizado.

Um dos grandes desafios é fazer com que os pais consigam acertar na dose de firmeza e de generosidade. Por isso, estimule seu filho a pensar sobre as próprias atitudes e as situações cotidianas fazendo perguntas e ajudando-o a participar da resolução de problemas do dia a dia.

Vamos usar como exemplo fazer algo como assistir televisão até tarde, será que este ato tem consequências? Quais são? É importante crianças e jovens desenvolverem pensamento crítico sobre si mesmos e tudo que está à volta. Você também pode incentivá-los a se comunicar verbalmente e a expressar suas emoções.

Longe de buscar fórmulas mágicas para os desafios, é importante que a família adote uma postura que contribua para a construção de uma sociedade mais saudável e amorosa. Portanto, vale a pena experimentar essa abordagem, já ouviu falar na Jornada das Emoções Teen?

Gina Coelho, psicóloga, especialista em desenvolvimento infanto-juvenil, facilitadora nas relações de educação e psicoeducação, gina_hc@hotmail.com, @psicologiaginacoelho


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