Para onde caminham nossos filhos

De acordo com a OMS, se os jovens fossem tratados a tempo, mortes e sofrimentos seriam evitados

20/11/2015 - 15:04:00

   

Ouvi alguém dizer ou li em algum lugar que a geração Y está com a faca, o queijo e um smartphone na mão, mas nem por isso tem menos dilemas existenciais. Com total acesso às tecnologias de ponta e ao conhecimento a um clique, a galerinha vive a angústia de não saber o que quer ou de se achar demais.

O culto ao eu, eu, eu e, o resto, explica por exemplo a mania de autorretratos chamados selfies. A geração Y é aquela nascida entre 1980 e 1995 que sucedeu no Brasil a geração X, nascida de 1965 a 1980, e herdeira da “década perdida”. Tempo de crise econômica, de ditadura militar, de revolução no comportamento, da descoberta da Aids, e de uma necessidade enorme de informação.

Os Ys cresceram em famílias que estimularam a capacidade criativa dos filhos, valorizaram a autoestima deles e os encheram de presentes. A estabilidade econômica, camuflada por uma economia sustentada no crediário e suas taxas astronomicamente maravilhosas, favoreceu a boa vida dessa geração. E, claro, ela respondeu à altura. Fez e faz o que planeja sem pedir opinião.

Não abre mão do espaço que chama de seu, considera o que antes eram obrigações como tarefas menores, subalternas mesmo. Se a geração X lutou para estudar, ter uma profissão e um salário digno, os Ys se recusam a começar por baixo e trocam de emprego com facilidade.

Nos Estados Unidos, estatísticas recentes indicam que os jovens já amargam a falta de trabalho, por mais preparo que possam ter. Na faixa etária de 20 a 24 anos, a taxa de desemprego na nação mais rica do mundo chega a 12,2%.

Quando a pesquisa amplia, partindo dos 16 anos, o percentual salta a 14,5%. Pior: boa parte de quem está fora do mercado não se preocupa tanto. A geração Y corre atrás de seus sonhos, demora a deixar a casa dos pais, onde tem comida, cama e roupa lavada, e decidiu que assumir determinadas responsabilidades pode ficar para depois. Não se sabe quando.

Se nós pais e mães exageramos na dose ao proporcionar o máximo aos nossos filhos, a responsabilidade não seria deles? Seria nossa? Parcialmente creio que sim. Embora conscientes de que tentamos fazer o melhor, somos parceiros desses Ys folgados, consumistas, egoístas e deprimidos.

Se eles pensam que podem ficar sentados, conectados e descompromissados, nós - os da geração X precisamos mostrar a essa juventude que o “buraco é mais embaixo”, como se diz popularmente. Sinceramente não sei para onde caminham nossos filhos e avalio o quadro como preocupante.

Faz um tempão que a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga relatórios apontando a depressão como a doença que mais atinge adolescentes. Com os primeiros sintomas aparecendo por volta dos 14 anos, é o maior motivo de inaptidão da geração Y, conforme especialistas que reuniram dados de 109 países.

A entidade alerta para a crescente incidência de óbitos por suicídios, alcoolismo, acidentes de trânsito e Aids, na faixa entre 10 e 19 anos e cobra urgência em ações públicas. De acordo com a OMS, se os jovens fossem tratados a tempo, mortes e sofrimentos seriam evitados.

Lógico que a geração Y busca a felicidade, como todas as pessoas de todas as idades. Alegria, satisfação são sentimentos que precisam prevalecer em cada etapa de nossas vidas. Gente que trabalha e vive em ambiente de harmonia produz mais em quantidade e qualidade.

Se nós, adultos e maduros, já sabemos que nem tudo será fácil o tempo inteiro, talvez seja premente expor este contraditório aos nossos filhos.

Poupados de sofrimentos e tristezas ao longo dos anos, os Ys estariam idealizando ao extremo, num universo que mistura realidade e sonho, de forma intangível.

MARGARETH BOTELHO é jornalista em Cuiabá.

MT Agora - Mídia News

Mais Noticias

Artigo

Artigo: Política X Política

Artigo

Artigo: A renovação do sistema político

Artigo

Artigo: Carnaval, corrupção e santa

Artigo

A importância do Coaching na formação da carreira e no Desenvolvimento Humano

20/02/2017 -

Artigo: A patricinha não estuda história

Quem nasceu em um ninho de cobras é fácil e dizer que “a oposição tem chances reais de vencer em 2018”

13/02/2017 -

Arrigo: Cuiabá 300 anos

Cuiabá está no rol que envolve poucas cidades brasileiras com tempo de fundação próximo ou superior a 300 anos.

09/02/2017 -

Artigo: Corporações e a barbárie

...Neste momento, a banda dos pobres voltou-se contra a banda dos ricos e estabeleceu o crime da barbárie...

08/02/2017 -

Artigo: Obesidade, um tema palpitante

O sedentarismo representa um dos fatores que tem como resultado final o excesso de peso

24/01/2017 -

A inoperância dos operantes

Vamos continuar nossa briga para que consigamos receber do Estado pelo menos o mínimo.

17/01/2017 -

Investir na Juventude é garantir o presente e o futuro

O que a juventude reivindica agora, será refletido no futuro. Investir em qualidade de vida para os jovens hoje, fará com que eles se sintam cada vez mais integrados com o Município, despertando um sentimento que parece perdido.

10/01/2017 -

Flávio Stringueta: O "Negócio da China"

Pensemos na seguinte frase: o candidato menos ruim também é ruim.

28/12/2016 -

Cooperativismo de crédito e função social

No Dia Nacional do Cooperativismo de Crédito, comemorado em 28 de dezembro, esse discurso ganha força e mostra que é eficiente tanto na teoria quanto em sua atuação prática.

29/12/2016 -

A baixa competitividade do Brasil

Por José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM, Comentarista da Rádio Jovem Pan.

21/12/2016 -

Vinhos para as festas de Final de Ano!

Para harmonizar vinhos e pratos, torna-se importante levar em consideração os ingredientes que cada preparação culinária inclui.

09/12/2016 -

Procon orienta consumidores sobre direitos em caso de dano elétrico a equipamentos

Danos elétricos a equipamentos devido a descarga, queda ou oscilação de energia são mais comuns do que se imagina, especialmente no período das chuvas

26/10/2016 -

Quero me divorciar! O que fazer?

Quando a decisão está tomada e é inevitável o divórcio, é necessária a contratação de um advogado, melhor ainda se for especialista em Direito de Família

26/10/2016 -

Download de material gratuito: posso ser preso por isso?

Poderíamos fazer várias analogias para melhor trazer à compreensão o tema ao leitor comum

28/09/2016 -

A participação da mulher na política e a igualdade de gênero

A Constituição Cidadã é, sem dúvidas, um marco na luta por igualdade de gênero e contra a discriminação, em um contexto histórico em que a mulher sempre foi tratada de forma preconceituosa e discriminatória.

27/09/2016 -

Responsabilidade, Planejamento e Entrega de Resultados

O país enfrenta uma grave crise que eclodiu em 2015, e o agravamento dela neste ano de 2016 impôs ao Estado de Mato Grosso novos e grandes desafios.