Coluna

Reinventar-se, o sucesso da profissão

Reportagem fantasiosa e desprovida da realidade põe em xeque o futuro da profissão de contador

Artigo | 05 de Março de 2018 as 23h 41min
MT Agora - Mídia News

O ano não se sabe precisar, porém, há relatos que remontam sinais da sua existência há aproximadamente 4.000 anos A.C. Já naquela época o homem primitivo sabia da necessidade de controlar, administrar, preservar para que com a soma dessas ações viesse a obter lucros.

É sabido que sua evolução foi lenta. Também, não é pra menos né! Afinal estamos falando de algo que perpassam 6.018 anos. Sim, é isso mesmo; 4.000 anos A.C com os atuais 2.018.

Mas foi a partir do século XV, mais precisamente em 1.494 - época de grandes acontecimentos tais como a assinatura do Tratado de Tordesilhas, o nascimento de Johannes Agricola seguidor e amigo de Martinho Lutero – que explodia na Itália atividades mercantis e econômicas.

Em razão disso, um monge franciscano nascido em Sansepolcro, região da Toscana, professor de Leonardo da Vinci, em um de seus livros intitulado, Summa, escreveu um capítulo que trata do método veneziano, mais conhecido como método das partidas dobradas. Seu nome, Luca Pacioli.

A partir daí nascia como ciência uma das mais importantes profissões do mundo. A Contabilidade.

Hoje dividida em duas grandes escolas. A europeia e a norte-americana, enquanto aquela volta suas forças à produção trabalhos teóricos com pouca prática; esta se preocupa com a contabilidade gerencial, a auditoria e ênfase ao usuário da informação contábil.

Recentemente uma revista de circulação nacional publicou matéria com o título “Elas vão substituir você”. Onde em seu relato fantasioso e desprovido de conhecimento sobre a profissão, afirma que em uma década há 94% de probabilidade da profissão de Contador deixar de existir.

Nada mais repugnante e kafkiano que ler uma publicação como a que foi veiculada onde é visível o descuido por parte do autor em não tratar os números e os termos da pesquisa com o devido cuidado. Pois a pesquisa realizada pela consultoria americana McKinsey refere-se sobre a extinção de algumas atividades e não a profissão.

O autor da matéria deveria saber que “atividade” e “carreira” estão diretamente ligadas. E que o conceito dessas duas é diferente de profissão.

Enquanto carreira pode ser definida como sequências de posições ocupadas e de trabalhos realizados durante a vida laboral de uma pessoa. A profissão, muita mais ampla, caracteriza-se pela ocupação, a atividade que o profissional desempenha, para tanto requer competências especializadas e formais.

O que os quase 356 mil alunos que se encontram matriculados nos cursos de Ciências Contábeis vão pensar ao lerem uma matéria tendenciosa como esta?

No mês de abril do ano passado escrevi um artigo de opinião com o título “Mesma essência para nomenclatura diferente”, onde abordei o tema contábil com viés voltado à inteligência artificial. Naquela oportunidade já havia alertado sobre a necessidade dos profissionais, em especial os da contabilidade, de estarem em constante capacitação.

Uma profissão milenar como esta não sucumbirá, contudo, aqueles que desempenham tão somente a atividade estarão com os dias contados caso não se reinventem.

Prova disso é a concretização cada vez mais real da revolução 4.0. Realidade cada vez mais latente ao depararmos com tecnologia nas nuvens, internet das coisas, Crowdsourcing que nada mais é que contribuição coletiva para se alcançar melhores produtos e serviços. A transformação é tão rápida que o termo Big Data já é coisa do passado, sendo substituído pelo Smart Data.

Muita gente, inclusive profissional da contabilidade, não sabe o que é Contabilidade, porque entende que Contabilidade é apenas escrituração, apresentação de balanço, receita disso, despesa daquilo... isso tudo a quarta revolução já está fazendo. Porém, isso não é Contabilidade. É informação. E informação sem o Contador de nada vale.

Portanto, para que a opinião da revista não concretize é preciso que estudantes, profissionais e estudiosos da ciência contábil se unam na mesma seara para com isso evitar que a quarta revolução os domine.

Assim como no início, concluo este artigo mencionando outro italiano, Sérgio de Iudícibus, ao dizer que a Contabilidade é tão antiga quanto o próprio homem que pensa. Pensar. Coisa que a revista não fez.

CLAITON CAVALCANTI é contador em Cuiabá

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