PIB avança 0,2% no 2º trimestre de 2017, diz IBGE

Consumo das famílias impulsionou serviços e favoreceu o resultado, enquanto indústria recuou 0,5%; frente a igual período de 2016, foi a 1ª alta após 12 trimestres.

01/09/2017 - 21:17:36

   

A economia brasileira cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2017, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (1º). Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 1,639 trilhão.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. No primeiro trimestre, a economia avançou 1,0%, interrompendo uma sequência de dois anos de PIB negativo.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB cresceu 0,3%. Foi a primeira alta após 12 baixas seguidas. A última vez que a taxa ficou positiva nesta base de comparação foi no primeiro trimestre de 2014, quando avançou 3,5%.

IBGE não vê recuperação; economistas discordam

Para o IBGE, no entanto, ainda não é possível dizer que a economia está em recuperação. “É uma variação positiva. A gente nem chama de crescimento. Apontamos crescimento quando é superior a 0,5%”, ponderou coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Pali.

No entanto, para economistas ouvidos pelo G1, o resultado do PIB do segundo trimestre mostra que há sinais de uma recuperação consistente da economia.

“A gente percebe que esse maior dinamismo do consumo está batendo nos serviços, e temos mais fundamentos daqui pra frente para o crescimento consistente da economia”, afirmou Alessandra Ribeiro, economista da Tendências.

No primeiro semestre de 2017, o PIB ficou estável (0,0%) frente ao primeiro semestre de 2016, após uma queda de 2,7%. As atividades que mais puxaram a alta nessa base de comparação foram a agropecuária (15%) e a indústria extrativa mineral (7,8%).

Já no acumulado de 12 meses, a economia encolheu 1,4% ante os 12 meses imediatamente anteriores.

Brasileiro volta a comprar

Os dados do PIB mostram que o brasileiro voltou a gastar. O consumo das famílias subiu 1,4% no segundo trimestre, após oito trimestres de retração e um de variação nula.

Embora a maior parte das famílias tenha usado o dinheiro do FGTS para pagar dívidas ou poupar, parte dele foi usado no consumo, diz a coordenadora do IBGE.

Rebeca apontou que o consumo foi beneficiado por "uma junção de fatores positivos" que compensaram os números do mercado de trabalho. Ela citou o crescimento de 2,3% da massa salarial real, a queda da taxa básica de juros, a inflação mais baixa e o crescimento do crédito.

“Além disso, teve a liberação das contas inativas do FGTS. Embora a maior parte das famílias tenha usado esse dinheiro para pagar dívidas ou poupar, parte dele foi usado no consumo."

O consumo das famílias, segundo a coordenadora do IBGE, não chegou a ajudar o setor de construção porque o consumo do setor imobiliário tem efeitos mais no médio e longo prazo.

Segundo Rebeca, são boas as perspectivas para que as famílias continuem consumindo nos próximos trimestres.

Na contramão do movimento das famílias, o governo gastou menos neste ano. Os gastos públicos recuaram 0,9% e influenciaram negativamente o PIB. Esta foi a maior queda desde o terceiro trimestre do ano passado e a quarta retração trimestral seguida.

Serviços avançam com ajuda do comércio

Um dos destaques positivos do PIB do segundo trimestre foi o avanço do setor de serviços, que cresceu 0,6% e deu a maior contribuição para o resultado, destaca a coordenadora do IBGE. Esse setor responde por cerca de 70% do PIB.

Destacou-se a alta do comércio (1,9%), que segundo Rebeca "foi beneficiado pelo aumento do consumo das famílias”.

Também se destacaram as atividades imobiliárias e outros serviços (0,8%) e atividade de transporte, armazenagem e correio (0,6%). Os serviços de informação caíram 2,0% e as atividades de administração, saúde e educação pública (-0,3%) e de intermediação financeira e seguros (-0,2%) tiveram variações negativas.

Contudo, na comparação com o mesmo trimestre de 2016, o setor de serviços teve retração de 0,3%, na 10ª queda seguida no PIB.

Veja no gráfico abaixo o resultado por setor:

Indústria recua puxada por construção

Depois de avançar no primeiro trimestre, a indústria voltou a recuar. O setor se retraiu em 0,5% frente ao primeiro trimestre. Quem puxou o resultado para baixo foi a construção civil, que recuou 2,0%.

Segundo Rebeca, a construção tem impacto direto do consumo do governo, que também caiu. "Sabemos que o corte de investimentos em infraestrutura, por conta do ajuste fiscal, está disseminado entre as três esferas do governo, principalmente federal e estaduais. Investimento é o mais fácil de cortar", disse.

Na indústria, também recuou a na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (1,3%). Já a indústria extrativa mineral subiu 0,4%, enquanto a de transformação avançou 0,1%.

A indústria continua encolhendo na comparação com seu desempenho em igual trimestre de 2016. O segundo trimestre teve o 14º resultado seguido de queda. O último crescimento do setor ocorreu no primeiro trimestre de 2014, de 7,8%.

Agropecuária fica estável

A agropecuária não variou (0,0%) no segundo trimestre, após uma trajetória de três trimestres seguidos de alta, chegando a crescer 11,5% no primeiro trimestre e impulsionando o PIB do período.

Rebeca destacou que nos três primeiros meses do ano, a safra foi destinada mais ao estoque que às exportações. Já no segundo trimestre, teve aumento da exportação, o que segurou o resultado do setor no período. “Até porque não tem mais lugar para estocar”.

Na comparação com o 2º trimestre de 2016, a agropecuária cresceu 14,9% neste ano, destacou Rebeca.

Ela destacou, ainda, que a contribuição da agricultura na formação do PIB nos próximos dois trimestres do ano será menor. “Cerca de 70% da safra prevista para o ano já foi colhida no primeiro semestre. Então, restam apenas 30% para o segundo semestre”.

Investimentos têm novo recorde negativo

A formação bruta de capital fixo (investimentos em bens de capital) recuou 0,7%, a quarta taxa negativa seguida no PIB. A última variação positiva do indicador foi no segundo trimestre de 2016, quando cresceu 0,4%.

No setor externo, as exportações de bens e serviços registraram variação positiva de 0,5%, a segunda taxa positiva seguida, mas menor que o crescimento de 5,2% no trimestre anterior.

A taxa de investimentos no país foi de 15,5%, a menor para o segundo trimestre da série histórica iniciada em 1996. Já a taxa da poupança, de 15,8%, é a maior desde o 2º trimestre de 2016.

Enquanto isso, as importações de bens e serviços caíram 3,5% em relação ao primeiro trimestre de 2017. Rebeca enfatizou que, na comparação com o 2º trimestre do ano passado, a queda foi de mais de 30%.

MT Agora - G1

Mais Noticias

Dados

Consumo de energia elétrica residencial avança 6,7% em Mato Grosso

Fundo De Participação Dos Municípios

Governo de MT repassa em julho R$ 213 milhões aos municípios

Investimento

Temer diz que país vai recuperar grau de investimento 'logo, logo'

Dia dos Pais

Consumidor deve gastar em média R$ 125 com presente do Dia dos Pais

04/08/2017 -

Economia brasileira crescerá 0,4% este ano, prevê Cepal

Outro fator favorável, segundo a Cepal, é a melhora nos preços das matérias-primas exportadas pela região

25/07/2017 -

Juiz do DF manda suspender decreto que aumentou tributos sobre combustíveis

Aumento foi anunciado pelo governo na semana passada e atingiu gasolina, etanol e diesel. AGU diz que vai recorrer da decisão.

24/07/2017 -

Saiba como o aumento do combustível afeta seu bolso

O efeito cascata do aumento sobre o transporte de mercadorias e, por consequência, sobre o preço de produtos vendidos em supermercados, shoppings e no comércio popular

18/07/2017 -

Receita começa a pagar hoje o 2º lote de restituição

Este lote também incluirá restituições residuais de 2008 a 2016, segundo informou o órgão

27/06/2017 -

Procons orientam consumidor sobre diferenciação de preço para compras pagas com cartão ou dinheiro

Na prática, caso o cliente opte por pagar em dinheiro, poderá ter um desconto, já que não existem as despesas administrativas que são cobradas quando os pagamentos são efetuados com cartões

23/04/2017 -

Prazo para enviar declaração do Imposto de Renda está acabando

Prazo termina no próximo dia 28 para enviar a declaração do Imposto de Renda

04/04/2017 -

Vendas de material de construção aumentam em março

Nos últimos 12 meses, o desempenho é negativo em 5%, mas os resultados vêm indicando que estamos iniciando uma recuperação

29/03/2017 -

Consumidores de energia elétrica terão desconto na tarifa em abril

Os percentuais de redução na tarifa que será aplicada em abril variam de 0,95% a 19,47%.

07/03/2017 -

Mais de 1 milhão de contribuintes entregaram declaração do Imposto de Renda

Neste ano, a declaração do Imposto de Renda teve uma série de mudanças. As principais são a redução da idade mínima, de 14 para 12 anos, na apresentação do CPF de dependentes e a incorporação do Receitanet

07/03/2017 -

Caixa abre agências sábado para o saque das contas inativas do FGTS

O funcionamento das agências no sábado será exclusivo para atender trabalhadores que querem sacar o dinheiro das contas inativas

03/03/2017 -

Lucas do Rio Verde, Cuiabá e Diamantino têm maiores ofertas de empregos

As pessoas devem ficar atentas ao painel de vagas disponibilizado toda semana no Sine.

20/02/2017 -

Desempregados para voltar ao mercado de trabalho aceitam salário menor

O estudo mostra que sete em cada dez desempregados (68%) estão dispostos a ganhar menos do que recebiam no último emprego

14/02/2017 -

Brasil terá ao menos 2,5 milhões de novos pobres até o fim do ano

Estudo inédito do Banco Mundial aponta medidas para conter avanço da pobreza Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/brasil-tera-ao-menos-25-milhoes-de-novos-pobres-ate-fim-do-ano-20915254#ixzz4YeENT2Qp © 1996 - 2017. Todos direit

13/02/2017 -

Calendário para saques do FGTS deve ser divulgado na próxima terça-feira

Poderão ser sacados os valores de todas as contas inativas do Fundo desde o dia 31 de dezembro de 2015

13/02/2017 -

Indústria de biodiesel prevê recuperação em 2017 após recuo em 2016

A expectativa da indústria é produzir 4,5 bilhões de litros este ano, ante os 3,8 bilhões produzidos em 2016

Disk Bem

Busca telefônica em Lucas do Rio Verde - MT

Tempo Agora