A F1 tenta entender como a Ferrari pôde, em um mês, perder a chance ser campeã

Sebastian Vettel liderou o Mundial de Pilotos até o GP da Itália, quando começou a derrocada do time de Maranello. Agora, alemão está praticamente fora da briga pelo título

24/10/2017 - 13:12:52

   

Mercedes conquistar neste domingo, no GP dos Estados Unidos, o título de construtores era algo já esperado. A equipe alemã liderou a maior parte do campeonato. O que poucos no paddock entendem é como a Ferrari deu adeus, na prática, à conquista do mundial de pilotos, tendo Sebastian Vettel como líder da etapa de abertura do calendário, dia 26 de março, na Austrália, até a 12ª, dia 27 de agosto, na Bélgica.

A expressão de Vettel na coletiva depois do pódio no Circuito das Américas revelava, com precisão, seu estado de ânimo. Olhar fixo em um ponto distante, fala mansa, torcendo para a entrevista dos três primeiros colocados terminar logo. Ele recebeu a bandeirada em segundo, 10 segundos e 143 milésimos depois de Lewis Hamilton, o grande vencedor da 17ª etapa do mundial. Kimi Raikkonen, o companheiro de Vettel, ficou em terceiro.

“O mais difícil para Sebastian deve estar sendo compreender como as coisas mudaram de rumo tão rápido. Até chegar em Monza (dia 3 de setembro) manteve-se em primeiro na classificação. E hoje aqui em Austin se conscientizou de vez que o sonho de ser campeão com a Ferrari acabou”, disse ao GloboEsporte.com Jacques Villeneuve, campeão do mundo de 1997.

Em 1996 o piloto canadense, aos 25 anos, viveu sensação semelhante, na prova final do ano, em Suzuka. Era a sua temporada de estreia na F1, depois de ser campeão da F Indy e vencer as 500 Milhas de Indianápolis. “Sebastian e a Ferrari disputaram um grande campeonato, mas tanto Sebastian como o time erraram nessa fase final. E em uma temporada superdisputada como a deste ano vence quem errar menos.”

No GP do Japão de 1996 Villeneuve foi quase meio segundo (461 milésimos) mais rápido que o companheiro de Williams, Damon Hill, na classificação, largou na pole, mas na 37ª volta de um total de 52 a roda traseira do carro se soltou. Hill venceu e foi campeão.

Tudo começou em Monza

Quando Vettel se apresentou para a corrida na casa da Ferrari, na Itália, 13ª do ano, ocupava o primeiro lugar na classificação, com 220 pontos diante de 213 de Hamilton. E em seguida a sua vitória na Hungria, dia 30 de julho, tinha 14 pontos de vantagem para o inglês da Mercedes, 202 a 188.

Ao deixar Monza não era mais o líder do mundial. A Mercedes fez uma dobradinha, com Hamilton em primeiro e Valtteri Bottas, segundo. Vettel foi terceiro. Resultado: 238 pontos para Hamilton e 235 para o alemão.

Não era o fim do mundo, na avaliação do próprio piloto. “Aqui foi uma exceção, já sabíamos que seria difícil. O terceiro lugar era o máximo possível. Mas não teremos mais traçados como este no campeonato. Quase vencemos em Spa (Bélgica), há uma semana, e fizemos 1º e 2º em Budapeste e em Mônaco, pistas completamente diferentes. Estou tranquilo, temos carro para lutar pela vitória em todos os GPs daqui para a frente”, afirmou Vettel.

Na prova seguinte, em Cingapura, o SF70H italiano era, como previa seu piloto, o mais rápido na pista. Vettel estabeleceu a pole position enquanto Hamilton ficou em quinto no grid, 635 milésimos mais lento.

Largada em Cingapura, ponto chave

“O que aconteceu na largada em Cingapura mudou o rumo da disputa. Lewis sair de lá com 25 pontos numa pista onde esperávamos somar menos pontos da Ferrari vejo como decisivo para o que aconteceu depois”, disse ao GloboEsporte.com Niki Lauda, sócio da escuderia Mercedes. “Não podemos esquecer jamais que Lewis está em estado de graça como piloto. Segue rápido, como sempre, mas não erra mais, as coisas estão claras na sua mente.”

Como Lauda, muitos veem o acidente entre Vettel, Max Verstappen, da RBR, e Raikkonen, na largada no GP de Cingapura como o momento da virada de Hamilton e não o fato de o inglês ter assumido a liderança do mundial em Monza. “Sebastian marcou Max em vez de se preocupar com Lewis”, comentou ao GloboEsporte.com Ivan Capelli, ex-piloto da Ferrari. “Vettel viu Max tentar ultrapassá-lo antes da curva 1, fechou a porta sem medir as consequências.”

O engenheiro analista Giancarlo Bruno concorda com Capelli: “Sebastian fez a pole e Lewis era o quinto no grid. Tinha carro para ganhar a corrida. Ao ver Max tentar ultrapassá-lo, e por saber que seria difícil recuperar o primeiro lugar, arriscou demais, mas com o piloto errado. Com Max em primeiro e ele (Vettel) em segundo, considerando-se que Lewis terminaria em quarto, Sebastian reassumiria a liderança do campeonato”.

Capelli emenda: “Em vez disso, Sebastian deixou Cingapura 28 pontos atrás de Lewis. Foi um golpe a suas ambições”. A classificação ficou 263 a 235.

Mesmo que vencesse, depois, o GP do Japão e Hamilton não fizesse pontos Vettel não retomaria o primeiro lugar. “Tudo muito rápido, não é fácil assimilar uma mudança de perspectiva tão brutal. Uma hora você se enxerga numa condição de poder ser campeão com a Ferrari e em 15 dias vê o seu adversário sumir na frente”, comentou Villeneuve.

A grande vantagem “oferecida a Mercedes”, segundo Helmut Marko, homem forte da RB e STR, exigiu uma reação da Ferrari. “E surpreendentemente voltaram a ter um carro rápido o suficiente para poder ganhar da Mercedes”, falou ao GloboEsporte.com.

Correr riscos necessários

Mas aí entra em cena o que o engenheiro Bruno define como “correr riscos necessários”. Explica: “A Ferrari precisava ficar na frente da Mercedes para Vettel poder ser campeão. E é provável que os problemas que tiveram na Malásia se relacionem a essa busca de performance”. A Ferrari disputou a temporada toda sem uma única quebra da unidade motriz.

“De repente, em Sepang, de sexta-feira para domingo foram três. Alguma coisa deixou de funcionar”, disse ao GloboEsporte.com o diretor da Force India, Bob Fernley. “Este é um campeonato, pelo nível de disputa, ponto a ponto, que você não pode falhar. A confiabilidade da unidade motriz Mercedes foi decisiva.”

O presidente da Ferrari, e da Fiat, Sergio Marchionne, esteve neste domingo no Circuito das Américas. A mídia queria saber sua visão sobre a mudança de expectativa da escuderia. A Ferrari não é campeã desde 2007, com Kimi Raikkonen. “Analisar os acontecimentos que tivemos não foi fácil. A coisa começou a desandar em Monza e prosseguiu nas provas seguintes. O que temos de fazer agora é não cometer mais os mesmos erros.”

O diretor geral da equipe, Maurizio Arrivabene, disse através de comunicado que o grupo liderado pelo diretor técnico Mattia Binotto, a partir de julho do ano passado, é muito talentoso, como os números da Ferrari este ano demonstram, mas ainda jovem.

Esse foi o mesmo discurso de Marchionne em Austin. “A culpa (pela provável perda do título) deve ser distribuída nas duas frentes (pilotos e equipe). Sebastian sabe que falhou em alguns instantes, assim como algumas coisas foram falhas do time. Vamos distribuir as responsabilidades em partes iguais.”

Para Vettel ser campeão agora só com milagre, mas dos grandes. Hamilton soma 331 pontos e o alemão, 265. A diferença entre ambos é de 66 pontos. E restam apenas as etapas do México, domingo, Brasil, 12 de novembro, e Abu Dhabi, 26. Tudo o que Hamilton precisa no Circuito Hermanos Rodriguez é receber a bandeirada em quinto lugar, no caso de vitória de Vettel. Ou a nona colocação se Vettel for segundo. Caso o alemão termine em terceiro, mesmo sem pontuar Hamilton celebra o quarto título na impressionante carreira.

Dar estabilidade ao time

A receita para manter a Ferrari forte, capaz de lutar em condições de vencer a Mercedes, RBR e agora McLaren-Renault, em 2018, é dar estabilidade ao grupo, segundo seu presidente. “Vamos levar adiante o projeto de relançar a Ferrari como candidata ao título iniciado no verão (julho) do ano passado. Creio que demos enormes passos à frente. Na maior parte do tempo enfrentamos e vencemos a Mercedes, prova de que a equipe funcionou. Manter a estabilidade do grupo é fundamental, por isso renovamos com Sebastian e Kimi.”

Os engenheiros da Ferrari coordenados por Mattia Binotto já trabalham há bom tempo no modelo de 2018. Partem de uma base muito boa, a do eficiente SF70H, concebido pelo grupo que foi dispensado por Marchionne, em julho do ano passado, do então diretor técnico James Allison, imediatamente contratado pela Mercedes, já campeão de construtores este ano.

Vettel parece saber que não será fácil para a Ferrari voltar a poder disputar o mundial com chances tão evidentes de vencer. O carro da Mercedes em 2018 está sendo concebido sob a coordenação de Allison e é provável que Hamilton e Bottas não tenham mais tantos problemas no aproveitamento dos pneus Pirelli como nesta temporada.

Há importantes indícios, também, de que a RBR disponibilize a Max Verstappen e Daniel Ricciardo, em 2018, um carro potencialmente vencedor. Adrian Newey confirmou ao GloboEsporte.com estar envolvido diretamente no projeto, o que não foi o caso no modelo em uso. Newey se responsabilizou apenas por seu desenvolvimento. Foi o que mais avançou da primeira etapa até agora.

Assim, o desafio da Ferrari, voltar a ser campeã, deverá ser ainda maior no ano que vem, ainda que o grupo de jovens engenheiros italianos tenha dado uma demonstração de ser mesmo, como afirmou Arrivabene, dos mais competentes. O que se imagina no paddock é que a Ferrari, em 2018, virá forte de novo, mas terá mais adversários a vencer, além da Mercedes.

MT Agora - Globo Esporte

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