Falhas na Vila, piscina verde, queda de câmera: os percalços da Rio 2016

Bem-sucedida no fim, primeira Olimpíada na América do Sul teve que superar problemas de segurança, logística, locais de competição e imprevistos com clima.

23/08/2016 - 02:54:09

   

O resultado final foi um evento bem-sucedido, que agradou a atletas, técnicos, público e Comitê Olímpico Internacional (COI). Não é segredo, no entanto, que a Rio 2016 enfrentou problemas que poderiam ter comprometido a organização. Quase todos foram superados, alguns não totalmente. Ainda assim, a sensação que fica é da entrega de um evento de alto nível. Thomas Bach, presidente do COI, encerrou os briefings diários no sábado dizendo que faria de novo e ressaltou o fato de os Jogos terem acontecido em meio a uma grave crise política e econômica no Brasil. A primeira Olimpíada na América do Sul foi, segundo o ex-esgrimista alemão, "icônica".

Mas há questões cujo impacto só se saberá mais à frente, como o pedido de verba pública para garantir a Paralimpíada, que deve atingir R$ 250 milhões. Oficialmente, o Rio 2016 afirma que o pedido não tem nenhuma relação com possíveis gastos extras na Olimpíada, por conta justamente dos imprevistos. A venda de ingressos para os Jogos Paralímpicos está muito abaixo do esperado.

Vila das polêmicas

A Vila dos Atletas foi o centro das atenções na semana que antecedeu os Jogos. Os tropeços começaram no dia da inauguração (24/7), na chegada dos atletas. Sem uma checagem prévia do Comitê Rio 2016, os próprios atletas - australianos, neste caso - constataram que o local era inabitável. Houve uma reclamação formal divulgada para todo o planeta e não demoraram a surgir imagens comprovando os problemas de acabamento, além de falhas de hidráulica e elétrica em alguns dos 31 edifícios do condomínio que abrigou os protagonistas olímpicos.

Situações que fugiram ao controle do Rio 2016 também contribuíram. Houve furtos de diversos objetos, luminárias, lâmpadas, chuveiros e tampas de vaso sanitário, e até sabotagem. A insatisfação de trabalhadores com atraso de pagamento por parte de empreiteiras fez com que se encontrassem blocos de concreto dentro de tubulações, por exemplo. Até um princípio de incêndio aconteceu, provocando a evacuação do prédio dos australianos. Somados à falta de uma checagem prévia da Vila pelo Rio 2016, o que evitaria a chegada de delegações naquelas condições, os problemas se tornaram públicos e forçaram uma ação de emergência, que foi comandada pelo diretor de operações, Rodrigo Tostes. Em poucos dias, as acomodações voltaram a ser elogiadas.

Revista deficiente, insatisfação e falta de comida e bebida

Havia também um clima de insatisfação entre funcionários na Vila. Além de queixas sobre a alimentação, as horas na fila para entrar e para comer minaram o ânimo de trabalhadores. Alguns chegavam a falar em paralisação, o que não foi levado adiante, mas ilustra a irritação - que aparentemente ficou mais branda com o passar dos dias. Essa longa espera para passar pela revista pessoal teve um motivo - que chegou a ser alardeado na imprensa internacional, pelo "Wall Street Journal", dos Estados Unidos.

Uma empresa sem experiência no ramo foi contratada para fornecer cinco mil operadores de máquinas de raio-x para bagagens e raquetes detectores de metal para revista pessoal. E não entregou. Foi talvez a falha que causou o maior problema ao Rio 2016, pois teve uma série de ramificações. Com poucos postos em operação, as filas se multiplicaram. Pessoas que compraram ingressos perdiam os eventos enquanto verdadeiras multidões se aglomeravam na entrada do Parque Olímpico. A situação provocou uma falha gravíssima de segurança, com dezenas de pessoas entrando no local sem qualquer tipo de revista, mesmo nas mochilas.

Isso não se aplica só ao público. Além dos funcionários da Vila, todos os demais passaram pelo mesmo problema. Como contou o diretor de comunicação do Rio 2016, Mario Andrada, o pessoal da alimentação, ou boa parte, trabalhou na cerimônia de abertura na sexta-feira, dia 5. Logo, no dia 6, chegaram mais em cima da hora. Com a situação crítica dos "Mag and Bags", atrasaram a entrada. A comida não foi preparada, não foi entregue, faltava tudo em Deodoro, e quase tudo no Parque Olímpico.

Imensas filas se formavam nos poucos bares que forneciam comida e nos mais raros ainda "food trucks", como os que estavam ao lado da quadra de tênis. Em diversas arenas, acabou tudo durante os eventos, e o público foi liberado para sair do perímetro, comprar bebida e comida, e voltar. A Força Nacional foi acionada e passou a fazer um recrutamento de inativos para preencher as posições na revista, mas não havia possibilidade de solução imediata.

Projétil, ventania e comitê de crise

A avalanche de críticas se juntou à preocupação com a segurança. No dia 6, um projétil furou a lona da área de imprensa do Centro de Hipismo em Deodoro. Para piorar, nem o clima ajudou. Provas de canoagem foram adiadas na Lagoa e em Deodoro, a programação de tênis atrasou, e em diversos locais, até na loja oficial, houve problemas com toldos e grades sendo derrubados pela ventania - até a cobertura da loja oficial no Parque Olímpico foi atingida, e o local acabou interditado. Na arena de Copacabana, parte da decoração foi arrancada - mas depois o vento se mostraria um aliado, pelo menos dentro de quadra, já que os medalhistas de ouro Bruno Schmidt e Alison o usaram como "arma" para passar pelas quartas de final na areia.

O tom das perguntas de jornalistas de todo o mundo no briefing diário feito em conjunto pelo COI e pelo Rio 2016 deixava claro que a impressão geral era de grande preocupação com a organização olímpica. A pressão foi tal que o Rio 2016 imediatamente convocou um comitê de crise, que trabalhou até 4h da madrugada. Mas deu resultado. Os problemas melhoraram sensivelmente na manhã seguinte. Mas estavam longe de terminar. Reclamações em relação à alimentação nas arenas, por exemplo, ainda duraram mais alguns dias.

Casos de polícia na Vila e a mentira de Lochte

A Vila Olímpica voltaria aos holofotes e desta vez nas páginas policiais. Dois pugilistas foram acusados de estupro e assédio por funcionárias e chegaram a ser presos. Hassan Saada, boxeador marroquino, foi acusado de estuprar duas camareiras. Depois de o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negar um habeas corpus, ele foi solto do presídio em Bangu sob liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas teve de entregar o passaporte, entre outras medidas cautelares, como não se aproximar da Vila.

Jonas Junias, o porta-bandeira da Namíbia na cerimônia de abertura, também foi detido sob suspeita de tentar agarrar uma camareira e oferecer dinheiro por sexo. A defesa teve sucesso com o pedido de habeas corpus e ele foi libertado a tempo de competir na Olimpíada, mas perdeu logo na estreia para o francês Hassan Amzlie. Houve relatos de funcionárias ao GloboEsporte.com de que essa não foi a única oferta de que se teve notícia na Vila, mas de acordo com a titular da delegacia que registrou as ocorrências, a 42ª DP, no Recreio dos Bandeirantes, essa foi a única ocorrência oficialmente registrada com oferta de dinheiro relacionada a sexo.

O caso, contudo, que causaria a maior polêmica envolveu o astro da natação americana Ryan Lochte e outros três nadadores olímpicos - Gunnar Bentz, Jack Conger e James Feigen. Eles disseram ter sido assaltados por homens armados e com distintivos, o que depois se revelou ter sido uma confusão em um posto de gasolina. O assalto ganhou a mídia internacional e tomou proporções de escândalo quando a polícia divulgou imagens de câmeras de segurança da chegada dos atletas na Vila e do incidente no posto de gasolina. Os nadadores mudaram suas versões, o Comitê Olímpico dos Estados Unidos pediu desculpas. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Lochte também se desculpou.

Transporte confuso e ataque a ônibus de jornalistas

O transporte olímpico é tradicionalmente uma área problemática da organização nos primeiros dias de evento. E não foi diferente no Rio de Janeiro. Tanto a Prefeitura - que fez ajustes na frequência dos BRTs e trens do metrô - quanto o Rio 2016 - que tomou medidas como manter os motoristas nas mesmas rotas para que se acostumassem ao caminho - precisaram agir para não comprometer a locomoção de jornalistas e atletas. Com o trânsito intenso na cidade, mesmo com as faixas olímpicas, não foi raro observar grandes distorções nos horários anunciados.

Outra questão que gerou grande preocupação foi o ataque a um ônibus de jornalistas que chegava ao centro de imprensa, ao lado do Parque Olímpico, vindo de Deodoro. A polícia concluiu que ele foi atingido por uma pedra, mas pessoas que estavam no veículo falaram em tiros. Alguns dos passageiros tiveram ferimentos leves.

"Field of play"

No "field of play", ou campo de jogo, prioridade zero do Rio 2016, também houve falhas. A maior delas no tratamento das piscinas do Parque Aquático Maria Lenk. A água ficou verde, e os nadadores se assustaram. Um dano direto à imagem dos Jogos, já que era nítida a alteração em qualquer fotografia ou transmissão de televisão. Depois de descumprir dois prazos prometidos, o Rio 2016 resolveu trocar, durante a madrugada, parte da água das piscinas, e a questão enfim foi solucionada. Em nenhum momento, segundo o comitê organizador, houve risco à saúde dos atletas, e a causa do problema foi o despejo indevido de um produto.

Outro problema foi na quadra de handebol. A federação internacional da modalidade encontrou desníveis no piso olímpico, que teve de ser inteiramente trocado e reforçado. A Arena do Futuro ainda enfrentou problemas com o ar-condicionado, que chegou a ter reparos, e até com um objeto que caiu do alto do ginásio dentro do piso durante o jogo entre Espanha e Noruega.

Rampa da vela e balsa da maratona aquática

Dias antes do início dos Jogos, um incidente por pouco não afetou a competição de vela. Os fortes ventos derrubaram a rampa principal de acesso para os barcos na Marina da Glória. A estrutura teve de ser substituída por uma rampa menor. Já praticamente no meio da Olimpíada, uma ressaca destruiu a balsa de onde partiriam os atletas da maratona aquática. O módulo ficou encalhado na areia de Copacabana. Treinos tiveram de ser cancelados, mas a balsa foi substituída, e as competições aconteceram normalmente.

Arenas vazias

Uma questão que chamou muito a atenção da mídia internacional, especialmente de emissoras estrangeiras, foram os espaços vazios nas arenas de diversas modalidades. Nos primeiros dias, a justificativa foi por ocorrerem "double headers", ou eventos com mais de um jogo ou disputa para o mesmo ingresso. O Rio 2016 afirmava que a causa era a saída do público, que assistia a um evento, mas não permanecia para o outro. A tese não se confirmou quando as fases foram avançando, e a questão persistiu. O Rio 2016 passou a estudar as causas, mas apesar das perguntas diárias no briefing realizado no centro de imprensa, colocando em xeque os números divulgados da venda de entradas, até agora não foi oficializada nenhuma conclusão.

Vazamento de ingressos e prisão de executivo do COI

Se havia assentos vazios em diversas disputas olímpicas, nas mãos dos cambistas não faltaram ingressos. Somente em um domingo, a polícia prendeu 40 no lado externo do Parque Olímpico. Mas nem só de peixes pequenos era feito o comércio ilegal de entradas. O irlandês Patrick Hickey, membro do Comitê Executivo do COI e da Comissão de Coordenação da Rio 2016, está no presídio em Bangu acusado de facilitar a compra de centenas de ingressos por uma quadrilha de cambistas. Ele chegou a passar mal no momento da prisão e foi levado, inicialmente, para um hospital. O COI afirmou que aguarda o desfecho do caso para tomar providências, o que não fez agora porque o próprio irlandês pediu licença de todas as suas funções - é também presidente da organização Comitês Olímpicos Europeus e do Conselho Olímpico da Irlanda.

Acidente com câmera suspensa

A queda de uma câmera externa suspensa por cabos usada para imagens aéreas pela empresa que opera a transmissão oficial dos Jogos fez com que todos os equipamentos dessa natureza em áreas externas nas instalações olímpicas fossem retirados de operação temporariamente. Pelo menos sete pessoas ficaram feridas com o incidente no Parque Olímpico, mas não houve vítimas fatais.

Incêndio em Deodoro

Um incêndio de grandes proporções atingiu um morro perto do Complexo Esportivo de Deodoro no fim da tarde do dia 15. As chamas se concentraram entre o Parque Radical e o Centro Nacional de Tiro, e não houve feridos. Chegou a haver preocupação com possíveis danos à pista de mountain bike, mas nenhuma competição foi comprometida. Segundo o sargento Moisés Torres, da assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, o incêndio começou na vegetação.

MT Agora - Globo Esporte

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