Vettel ainda confia no título: ''Posso vencer as cinco últimas etapas que faltam''

Dependendo de si, alemão da Ferrari será pentacampeão caso vença os últimos cinco GPs da temporada. Desvantagem para Hamilton está em 34 pontos.

06/10/2017 - 17:51:52

   

É provável que dia 17 Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen, da Ferrari, e seus engenheiros tenham ido para o grid do GP de Cingapura acreditando muito na vitória, afinal o modelo SF70H era mais rápido que todos. O mesmo vale agora, neste fim de semana, para Lewis Hamilton, Valtteri Bottas e o diretor da Mercedes, Toto Wolff, em relação ao evento de Suzula, no Japão. Ao menos até o primeiro treino livre, programado para começar esta quinta-feira, às 22 horas, horário de Brasília.

Mas o GP da Malásia, domingo, confirmou o principal ensinamento da temporada: a maior ou menor adaptação dos carros aos pneus Pirelli redimensiona as corridas. Assim, ainda que os 5.807 metros do circuito japonês possam mesmo levar o grupo da Mercedes pensar em ampliar a já importante vantagem de Hamilton na classificação, a eventual dificuldade em fazer os pneus trabalharem na temperatura ideal pode transferir ao concorrente, Ferrari, a maior possibilidade de sucesso. Daí também o discurso de Vettel nesta quinta-feira, em Suzuka.

Foi o que aconteceu em Sepang, como já havia ocorrido nos GPs da Rússia e de Mônaco. Antes de a F1 desembarcar na Malásia, possivelmente Hamilton, Bottas e Wolff imaginavam que a superioridade técnica da Ferrari no Circuito Marina Bay, em Cingapura, seria agora do seu carro, Mercedes W08 Hybrid. Para ajudar a impressão positiva, James Allison, diretor técnico, coordenou a produção de outro grande pacote de novidades aerodinâmicas.

Pois apesar de Hamilton ter estabelecido a pole position, com a versão aerodinâmica anterior a nova, tanto ele quanto Bottas não foi páreo para os pilotos da RBR, Max Verstappen, vencedor, e Daniel Ricciardo, terceiro, apesar de o piloto inglês ter recebido a bandeirada em segundo, em termos de velocidade. E as duas equipes, RBR e Mercedes não tinham também o mesmo ritmo forte da Ferrari.

Não fosse Vettel largar em último, por causa de não ter marcado tempo no Q1, sábado, em decorrência da quebra da terceira unidade motriz, é provável que fosse o mais veloz na classificação e, em condições normais, vencesse. Lutou pelo pódio e acabou em quarto. Tudo numa pista mais favorável às características do carro da Mercedes, por privilegiar quem dispõe de mais potência.

Mas Hamilton e Bottas tiveram superaquecimento dos pneus, ao contrário do ocorrido com o inglês em Sochi e em Monte Carlo, quando os pneus não aqueciam. Isso torna o carro instável, lento.

Alemães não sabem o que esperar

Essa imprevisibilidade com relação ao comportamento do carro com os pneus retira da Mercedes, a princípio, o seu favoritismo na 16ª etapa do campeonato. Na Malásia era para Hamilton e Bottas serem os mais rápidos, mas quem deu as cartas, quanto à velocidade, foi a Ferrari. E até a RBR. Raikkonen, segundo no grid, não largou em razão de nova pane na unidade motriz Ferrari.

É bem verdade que no Japão não faz o calor de Sepang. E apesar de a Pirelli distribuir os mesmos pneus supermacios, macios e médios, o próprio Hamilton admitiu, na Malásia, que espera menos dificuldades em Suzuka. Mas é preciso esperar pelo menos o primeiro dia de treinos para se ter uma ideia de como será o evento: semelhante ao de Sepang ou de comportamento mais lógico do W08 Hybrid da Mercedes. Nesse caso tanto Hamilton quanto Bottas disporiam do carro mais rápido. A Mercedes venceu as três últimas edições do evento.

Nesta quinta-feira, Vettel afirmou, em Suzuka: “Eu disse que gostaria de poder vencer os seis últimos GPs. Agora estou convencido de que posso ser primeiros nos últimos cinco”. Em Sepang, manifestou também na quinta-feira o desejo óbvio de pretender ganhar as corridas da Malásia, Japão, Estados Unidos, México, Brasil e Abu Dhabi.

Diante da impressionante performance do seu carro em Sepang, a declaração de Vettel nesta quinta-feira, no Japão, parece mesmo fazer sentido. Ele pode ter carro para lutar pela vitória em todas as provas que faltam, em especial se a Mercedes voltar a enfrentar dificuldades relacionadas a não manter os pneus na faixa ideal de temperatura, a que melhor respondem com aderência.

“Vimos o nosso ritmo em Cingapura e Sepang. Não vencemos as duas corridas, mas não por não falta de velocidade”, disse Vettel.

Piloto alemão depende apenas de si, ainda

Ele depende ainda apenas de si para conquistar o título. Se o seus planos de receber a bandeirada em primeiro nas cinco corridas restantes derem certo, Vettel somaria 125 pontos (25 x 5). Se Hamilton terminasse em segundo nessas cinco provas receberia 90 pontos (18 x 5). A diferença entre o máximo possível a Vettel e a Hamilton é 35 pontos (125 - 90). E a diferença, hoje, entre eles, é de 34 pontos, 281 a 247.

Ok, verdade, para Vettel vencer as cinco últimas será preciso que tudo, absolutamente tudo, dê muito certo para ele e a Ferrari. A começar pelo GP do Japão. Hamilton e Bottas teriam de voltar a dispor de um monoposto escorregadio, desequilibrado, por não explorar o melhor dos pneus. E a chance de isso acontecer, na realidade de Suzuka, é menor do que eles se imporem na competição.

Dessa forma, para ter possibilidade de título mesmo Vettel precisa contar com um momento desfavorável de Hamilton, como ele teve em Cingapura, ao bater na largada, e em Sepang, ao largar em último por causa da quebra de sua unidade motriz na classificação.

Vale a pena ver o que Vettel disse ainda nesta quinta-feira em Suzuka. Sobre poder vencer, domingo: “Nos últimos anos fomos competitivos, mas não o suficiente para vencer. Este ano espero seja diferente. Estou bastante seguro de que nosso carro nos dará um grande resultado”. Adiantou algo, porém: “Na classificação estamos atrás deles (Mercedes)”.

Na edição do ano passado do GP do Japão, Vettel ficou em quarto, a 20s269 de Nico Rosberg, Mercedes, vencedor. Max Verstappen, RBR, terminou em segundo e Hamilton, terceiro. Em 2015, primeiro ano de Vettel na Ferrari, foi terceiro em Suzuka, a 20s850 de Hamilton, Mercedes, vencedor. Rosberg chegou em segundo.

Mas o modelo SF70H da Ferrari, desta temporada, não tem nada em comum com os dos dois anos anteriores, o regulamento é outro e ele foi concebido pelo grupo liderado por Allison, atual diretor técnico da Mercedes. Assim, o histórico recente da Ferrari em Suzuka quase não serve de referência para o que esperar de Vettel e Raikkonen na definição do grid, sábado, a partir das 3 horas, e das 53 voltas da corrida, domingo, com largada às 2 horas, horários de Brasília.

Italianos assumiram mais riscos

Nesse final de campeonato, o desafio da confiabilidade do equipamento é tão ou mais importante que a velocidade alcançada. A Ferrari elevou o limite de sua unidade motriz para tentar vencer a Mercedes, segundo o GloboEsporte.com ouviu no paddock de Sepang, e se deu mal.

Vettel teve uma quebra na unidade motriz no último treino livre, sábado de manhã, outra na sessão seguinte, a definição do grid, e Raikkonen sequer largou com pane na unidade motriz também. De março ao início de outubro a Ferrari não havia tido nenhum problema sério como esse no carro. Mas em dois dias perdeu três unidades motrizes. Sinal de que o diagnóstico de profissionais da F1, elevar seu limite para tentar ser campeã, provavelmente está correto.

Vettel comentou, em Suzuka, a queda de resistência a partir do GP da Malásia. “Obviamente nossa equipe procurou entender tudo o que se passou em Sepang. O quadro agora está mais claro, mas não temos ainda a imagem completa do que se passou. Estou seguro de que não voltaremos a ter problemas.”

O alemão vai para o FP3, o último treino livre, sábado, com o mesmo câmbio de Sepang, que recebeu o impacto do acidente com Lance Stroll, da Williams, depois do fim da corrida. A análise em Maranello da caixa de transmissão indicou não haver danos. Na hipótese de apresentar falha, a Ferrari terá de substituí-la e, nesse caso, Vettel perderá cinco posições no grid. “Do que me disseram, não deveremos ter dificuldades com esse câmbio.”

Atenção a RBR

É grande a expectativa, também, quanto ao que Max e Ricciardo poderão fazer no GP do Japão. A unidade motriz Renault da RBR não disponibiliza a mesma potência da Mercedes e Ferrari. Mas o chassi do modelo RB13 foi o que mais evoluiu durante o campeonato, desde que Adrian Newey assumiu a tarefa, em Melbourne, no começo do ano. Ele não participou do seu projeto, conforme afirmou ao GloboEsporte.com, em Barcelona.

Os carros de Newey para a RBR já venceram quatro vezes a corrida de Suzuka, 2009, 2010, 2012 e 2013. Não estamos falando da era híbrida, as regras eram outras, mas a maior eficiência aerodinâmica dos projetos de Newey pesa muito na pista japonesa.

Após vencer na Malásia, em resposta ao GloboEsporte.com, Max falou a respeito do GP do Japão: “É fácil dizer que agora vamos ser velozes em todos os circuitos. Mas temos de esperar para ver o que poderemos fazer em Suzuka. Não fomos mal no ano passado, mas será muito importante encontrarmos um bom ajuste para o nosso carro”. Em 2016 Max recebeu a bandeirada em segundo, a 4s978 de Rosberg, vencedor.

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