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Caminhões parados em rodovia no PA causam prejuízo a transportadoras de MT e atrasam escoamento da produção

Caminhoneiros passam até 125 horas retidos em rodovia, segundo o Dnit. Chuvas em trecho em obras na serra dificultam passagens de veículos de carga.

Prejuízos | 05 de Fevereiro de 2018 as 22h 06min
MT Agora - Lislaine dos Anjos | G1

Caminhões estão sendo puxados por máquinas na BR-163 para chegarem aos portos do Pará (Foto: João Miranda/Arquivo pessoal)

Transportadoras das regiões médio-norte e norte de Mato Grosso contabilizam um prejuízo diário de R$ 9 milhões após caminhoneiros que seguem para os portos do Pará passarem dias parados na BR-163. Pelo menos mil veículos carregados, em sua maioria, com soja, enfrentam dificuldades em um trecho não pavimentado da rodovia, na subida da serra do município de Moraes Almeida (PA).

Nesta segunda-feira (5), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou, por meio de nota, que os caminhões estão sendo retidos em Novo Progresso por pelo menos 125 horas, a fim de evitar acúmulo de veículos em Moraes Almeida, onde o tempo de parada é estimado em 9 horas.

“A fila de caminhões em Novo Progresso está sendo liberada gradativamente. Mesmo com o clima seco, a pista continua escorregadia, o que dificulta a tração dos caminhões nos trechos em aclives”, diz trecho da nota.

Segundo Geison Tanchela, gerente de uma transportadora, o prejuízo no faturamento é resultado dos dias a mais de viagem, uma vez que, normalmente, o tempo médio para fazer o transporte dos grãos de Mato Grosso aos portos do Pará – Miritituba e Santarém – é de cinco dias.

“Hoje são mil caminhões parados a um custo de frete de R$ 220 por tonelada, fechando a conta de algo em torno R$ 9 milhões por dia a todas as transportadoras que transportam os grãos para esses dois portos”, disse.

Dificuldades na estrada
O caminhoneiro João Carlos Miranda, de 42 anos, mora em Guarantã do Norte, a 721 km de Cuiabá, e percorre semanalmente o trecho até os portos, há um ano e meio. Na última semana, ele passou quatro dias parados na rodovia e conta que, apesar de ter alguns pontos de estrada “lisa”, o que deixa a pista escorregadia, o pior trecho é a serra de Moraes Almeida.

“Eu só consegui passar quando a chuva deu uma trégua. A parte crítica tem uns 100 metros só, mas estavam precisando usar duas patrolas e um trator para puxar os caminhões, porque é uma subida e, com a obra sendo feita no local e as chuvas, fica difícil passar com o veículo carregado”, disse.

De acordo com Miranda, os caminhoneiros ficam sem banheiro, água ou comida na região, contando com a ajuda de fazendeiros e sitiantes que cedem alimento e água potável na entrada das fazendas.

No domingo (4), conforme o caminhoneiro, alguns motoristas chegaram a bloquear a rodovia, em protesto pela situação. O bloqueio não foi confirmado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) até a publicação desta matéria.

“Eu estou com o caminhão carregado de novo, mas não vou sair daqui para ficar parado na estrada. Só saio quando arrumarem a situação”, afirmou.

Mais prejuízos
Conforme o gerente Geison Tanchela, os dias de espera na estrada prejudicam, ainda, a qualidade dos grãos transportados, além de atrasarem o escoamento da produção.

“Os caminhões são projetados para o transporte dos grãos, para serem usados como armazéns, eles não têm um sistema para cuidar da produção. Esses grãos novos, da safra de 2018, podem sofrer um processo de avaria devido ao grande índice de umidade, o que só vai ser mensurado quando a carga for descarregada”, avaliou.

O custo de manutenção dos veículos também aumenta, uma vez que os caminhões acabam apresentado prejuízos mecânicos após serem forçados e arrastados por máquinas para se moverem na estrada.

Ele afirma que, apesar dos prejuízos causados, a viagem até os portos do Pará ainda são mais baratas do que o transporte da produção para o porto de Santos (SP).

“Mesmo com a situação da rodovia, cujos problemas são recorrentes, ainda se paga menos. Em vista da logística e do custo do transporte, é muito mais viável optar pelos portos do Pará”, afirmou.

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