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Contratos com empresas de home care são rompidos por falta de pagamento em MT e pacientes ficam sem atendimento

Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que está fazendo uma licitação para contratar empresas para assumir o serviço.

Saúde | 06 de Fevereiro de 2019 as 23h 44min
Fonte: Ricardo Mello | TV Centro América

Serviço de home care está suspenso — Foto: TVCA/ Reprodução

O governo do estado rompeu dois contratos com empresas prestadoras de serviços de home care e os pacientes ficaram sem atendimento. Uma criança de 1 ano que tinha pneumonia esperou pelo serviço durante 6 meses, mas não conseguiu. Há dois meses, ela morreu no Pronto Socorro de Cuiabá com infecção hospitalar.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que está fazendo uma licitação para contratar empresas para assumir o serviço que foi encerrado pela Qualycare e Help Vida.

Enquanto isso, o governo está fazendo contratações emergenciais para atender aos pacientes que não podem esperar, mas a alta demanda pode atrasar o início dos atendimentos.

Atualmente, Mato Grosso tem 84 pacientes que recebem atendimento médico em casa, segundo a SES. A empresa que atendia a maioria deles, a Qualycare, fechou as portas, alegando falta de pagamento.

A empresa informou que tem R$ 8 milhões para receber do governo.

A ex-mulher de um paciente atendido pelo serviço de home care e que está na cama há 11 anos, desde que sofreu um acidente de carro no fim de 2007, disse que ele está sem atendimento há duas semanas. O paciente teve fraturas na coluna e lesões na medula e, desde então, depende de atendimento de enfermagem 24 horas. O atendimento domiciliar tinha sido obtido por meio da Justiça há três anos.

Rosi Almeida é quem está cuidando dele. Ela disse que os remédios e o material para os curativos já estão acabando. Além disso, a aposentadoria de um salário-mínimo que ele recebe não dá para comprar as sondas que ele precisa usar todos os dias.

“Ele tem que tomar remédios controlados e estar sempre acompanhado, pois ele tem convulsões. É necessário que uma enfermeira esteja sempre ao lado dele, mas isso foi suspenso”, disse.

O presidente da Associação das Famílias de Homecare, Clebson Santos, ressaltou que os pacientes que dependem do serviço não podem voltar aos hospitais, pois correm risco de pegar uma infecção hospitalar.

“Com esses pacientes voltando ao hospital eles correm risco eminente de morte, pois a imunidade deles é baixa. Eles não têm condições de ficar no hospital”, afirmou.

Na semana passada, uma vistoria do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) encontrou problemas em 17 unidades hospitalares do estado. Entre eles, medicamentos vencidos e material esterilizado guardado perto do lixo contaminado.

“As bactérias dos ambientes hospitalares são mais agressivas do que as que estão presentes em casa”, disse a médica infectologista Daniene de Assis.

Help Vida nega rompimento de contrato

Por meio de nota, a empresa Help Vida garante que o atendimento continua sendo feito normalmente.

"A empresa em nenhum momento rompeu seu contrato de prestação de serviços com o Estado, tendo prestado de forma ininterrupta serviços de home care nos últimos 6 anos e chegou a ter sob sua responsabilidade 55 pacientes dentre os quais 33 de Alta Complexidade com Ventilação Mecânica;

Que apesar de todas as dificuldades financeiras impostas pela SES/MT no governo anterior, a empresa nunca abandonou seus pacientes e continua a mantê-los em suas residências de forma estável;

O último contrato assinado com o Estado se encerrou em 10/12/2018, contudo a empresa continua prestando o serviço regularmente a seus pacientes sem qualquer intercorrência.

Dia 04/02/2019 a empresa sagrou-se vencedora do Pregão 048/2019 (Lotes 1 e 3) e continuará prestando serviços para as cidades de Cuiabá, Várzea Grande e agora Tangará da Serra, passando a atender um total de 77 pacientes.

Que o paciente retratado pela reportagem nunca foi paciente da Help Vida e é residente de cidade que não é atendida pela empresa".

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