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Município da falsa ''Serra Pelada'' recebe investimento bilionário de gigante do minério e abre vagas de emprego

A perspectiva é de investimento de cerca de R$ 1,5 bilhão e geração de mais de 1500 empregos, em uma cidade que conta com 22 mil habitantes segundo dados oficiais, mas cujo cálculo atualizado está estimado em cerca de 25 mil pessoas.

Aripuanã | 24 de Novembro de 2018 as 19h 21min
Fonte: Lucas Bólico | Olhar Direto

A propaganda da “nova Serra Pelada” que se espalhou como rastilho de pólvora nas redes sociais há algumas semanas e provocou uma verdadeira corrida de aventureiros ao município de Aripuanã (a 883 quilômetros de Cuiabá) não passou de miragem sobre um solo, de fato, rico em minério e que deve transformar a economia do município, mas de maneira organizada e planejada. A perspectiva é de investimento de cerca de R$ 1,5 bilhão e geração de mais de 1500 empregos, em uma cidade que conta com 22 mil habitantes segundo dados oficiais, mas cujo cálculo atualizado está estimado em cerca de 25 mil pessoas.

As transformações na pacata cidade, cuja principal fonte de renda vem da extração de madeira, já começam a ser sentidas. O prefeito Jonas Canarinho (sem partido) não esconde a euforia ao tratar do assunto. “Acho que vai ser um dos maiores empreendimentos do Brasil, nós vamos nos tornar um pólo metálico naquela região”, comemora. “A cidade está num inchaço muito grande, ela reviveu novamente. Hoje nós somos o município que mais oferta emprego no Estado de Mato Grosso. Muita gente está indo pra lá”, completa Canarinho.
 
A Nexa Resources, parte do Grupo Votorantim, que é detentor do subsolo desde a década de 1990, já obteve Licença Prévia e aguarda Licença de Instalação para dar continuidade ao megaempreendimento. De acordo com Jonas Canarinho, nessa etapa foi aprovado o investimento de mais de 300 mil dólares para a estrutura do local onde será feita a extração de minério. A previsão de início da operação é para o ano de 2020, com vida útil estimada de 24 anos, além de produção média anual 51 mil toneladas de zinco, 20 mil toneladas de chumbo e 4 mil toneladas de cobre, de acordo com reportagem do Valor econômico. Os investimentos devem atingir 354,3 milhões de dólares.

O prefeito estima que a empresa já tenha gerado mais de 600 empregos no município e a expectativa é de que esse número se amplie e ultrapasse a marca de 1500 vagas diretas. “Eles contrataram uma empresa peruana para fazer um buraco, um túnel de 500 metros de profundidade e já está aprovado tudo para fazer uma pesquisa. Eles fizeram uma pesquisa de 15 anos aprovada agora, estudaram 50 e estão estudando 150 anos de exploração mineral na região. Nossos filhos e talvez os nossos netos vão usufruir”, sustenta.

O local já conta com intenso fluxo de caminhões e maquinário. O foco da exploração fica na Serra do Expedido, a 25 km da cidade. Batizado com o nome do município, o projeto polimetálico de exploração e beneficiamento de zinco, chumbo e cobre tem estimativa de vida útil mínima de 15 anos e capacidade produtiva anual de 1,8 milhão de toneladas de minério. Será o maior projeto de mineração do estado.

Com os direitos de explorar o subsolo, a empresa indenizará os proprietários das terras de onde serão feitas as minerações, com fixação de porcentagem sobre o que será extraído. O prefeito revela que os impactos ambientais serão pequenos, dentro da proporção do empreendimento.

“Vai ser muito pequeno [o impacto ambiental] porque eles vão trabalhar num sistema de túnel e boa parte daquela terra que vai ser retirada vai ser reposta. Eles entram por baixo ‘tunando’ tudo e depois parte daquela terra que é tirada pra lavar, eles vão tirar o minério e vão voltar essa terra nos lugares, repondo novamente. O rejeito deles é a seco, não é igual Mariana [em referência ao rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais], que é um rejeito líquido. É a seco, então a coisa é extraordinária. O projeto deles é de uma dimensão e uma responsabilidade muito grande”.

A falsa “Serra Pelada”

Há algumas semanas, espalhou-se com a velocidade das redes sociais o boato de que havia sido descoberto em Aripuanã um grande garimpo para a extração de ouro. Sob a perspectiva de mudar de vida, muitas pessoas de outros estados e até mesmo de países vizinhos deixaram seus lares e empregos e seguiram até o município. De acordo com o prefeito Jonas Canarinho, somente 10% dos que se aventuraram na Fazenda Dardanellos conseguiram ouro.

Diante do fracasso, os garimpeiros começaram a se desmobilizar. Os mais insistentes, no entanto, tiveram a retirada negociada pelas forças de segurança estaduais e federais, em um plano estratégico que incluiu Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Polícia Federal, Polícia Militar, Ministério Público, Representante da Cooperativa dos Produtores de Diamantes de Juína (Coooprodil), a Cooperativa de Garimpeiros de Aripuanã (COOGAR), garimpeiros e a população.

O local usado para a exploração ilegal do subsolo fica localizado em uma propriedade privada às margens da MT-208. E este não é o primeiro garimpo ilegal do município. Em julho de 2017, ao menos 21 pessoas foram presas por atuação na exploração de minérios em uma área de garimpo clandestino.

Os presos foram flagrados explorando a área localizada a 18 km da cidade, onde aproximadamente 10 alqueires de floresta amazônica foram devastados sem qualquer avaliação de impacto ambiental. Os garimpeiros reviraram o solo e subsolo à procura de metais preciosos.
 
O prefeito disse que o município possui muitos tipos de minérios, a ausência do Governo, porém, obriga as pessoas que não têm oportunidade ou não possuem escolaridade a trabalhar nestes locais de maneira ilegal. 

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