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Piloto que passou 4 dias perdido em mata teve 25% do corpo queimado após queda de avião em MT, diz boletim médico

Boletim médico diz que piloto está com insuficiência respiratória, mas apresentou melhora.

Piloto Resgatado | 10 de Novembro de 2018 as 03h 55min
Fonte: G1 MT | TV Centro América

Maicon teve 25% do corpo queimado após queda de avião em Mato Grosso — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

O piloto paranaense Maicon Semencio Esteves, de 27 anos, que sobreviveu a uma queda de um avião agrícola e foi resgatado em meio à selva em Peixoto de Azevedo, a 692 km de Cuiabá, teve aproximadamente 25% do corpo queimado no acidente.

A informação conta no boletim médico divulgado nesta sexta-feira (9) pelo médico Júnior Pasin, do Hospital e Maternidade 13 de Maio em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, onde o piloto está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde a noite de quinta-feira (8), quando foi transferido de Peixoto de Azevedo.

Segundo o médico que cuida do pilot, o estado de saúde de Maicon é estável, mas ainda inspira cuidados.

O piloto está acordado, se alimentando e respirando normalmente com a ajuda de oxigênio. Ele teve insuficiência renal e infecções, que estão sendo tratadas e apresentaram melhora de quinta-feira para sexta-feira.

Os médicos dizem que Maicon teve 25% do corpo queimado após a queda da aeronave, que se incendiou ao tocar o solo. As queimaduras provocaram ferimentos no rosto, nas mãos, nos ombros e no abdômen do piloto.

“Ele está sem dor, que foi controlada. Nossa grande preocupação é a infecção, pois ele teve muito tempo no meio do mato e teve múltiplas lesões contaminadas por insetos e água contaminada. A pele dele ficou muito exposta” disse Pasin.

Existe a previsão de que Maicon passe por uma intervenção cirúrgica para retirar e limpar a pele queimada nas duas mãos.

“Ele se lembra 100% do acidente. Conta detalhes, desde quando caiu, o que aconteceu e como saiu do avião. Mas isso são histórias que ele terá que contar depois”, finalizou o médico.

Maicon se perdeu na mata após a queda de avião, se alimentou de bolachas e usou capacete como proteção. O avião teria tido uma pane seca e fez um pouso forçado na mata, ocorrendo um incêndio em seguida.

"Dois aniversários por ano"

O irmão do piloto, Diego Semencio Esteves, está no hospital e acompanha Maicon. Segundo ele, o irmão está bem, conversando e se recuperando.

“Sempre acreditamos em Deus. Ele vai ter que fazer dois aniversários por ano”, brincou Diego.

O piloto contou à família que ficou preso por uma parte dos cintos logo depois da queda. Ele conseguiu pegar um canivete e se soltar.

“Ele saiu do avião, andou, saiu correndo procurando ajuda e não encontrou. As mãos e o rosto estavam queimados, ele estava fraco. Achou um riacho e por lá ficou desde domingo até quarta-feira, quando foi encontrado”, disse o irmão.

O caso

Maicon estava sozinho e comandava um avião, modelo Neiva EMB-201, matrícula PT-GSH. Saiu de Porto Nacional, no Tocantins, para fazer um translado até Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, quando sofreu o acidente.

O avião caiu no sábado e, desde então, Maicon estava sendo procurado pela Polícia Militar e por amigos e familiares que foram para o local para ajudar nas buscas.

Os destroços do avião foram encontrados por trabalhadores de uma fazenda próxima ao local do acidente, no entanto, não havia sinal do piloto.

Maicon sairia de Porto Nacional em direção a Confresa, a 1.160 km de Cuiabá, onde faria uma parada para abastecer.

De lá, seguiria para Matupá, a 696 km da capital, novamente para fazer um segundo abastecimento. A viagem terminaria em Alta Floresta.

Resgate

O Corpo de Bombeiros suspeita que tenha havido uma pane seca, que fez com que o avião caísse. Após o acidente, Maicon conseguiu sair da cabine e usou o celular e o GPS para se localizar.

A investigação das razões que fizeram o avião cair, no entanto, está a cargo da Aeronáutica. Ainda não há informação a respeito. Quando a investigação for concluída, um relatório final é emitido.

A bússola indicava um caminho reto pela floresta. Ele tentou caminhar, mas era impossível seguir o trajeto em linha reta, conforme informou o Corpo de Bombeiros.

O piloto precisou andar em curvas para contornar árvores e cipós, momento quando acabou se perdendo na mata.

Depois de caminhar por muito tempo, o piloto parou nesse local e ficou bebendo água.

Durante os quatro dias ele bebeu água, mas estava muito debilitado pelas queimaduras, pelos arranhões causados por espinhos na mata e por machucados no pé de tanto caminhar.

Para proteger o rosto dos espinhos o piloto ficou com capacete de voo, isso dificultou que ele percebesse os fogos e ou os chamados que foram feitos pela equipe de busca.

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