Estado

Presidiário e mais 3 são condenados por morte de estudante de medicina

Éric Severo foi morto em 2014 ao ter veículo roubado em estrada de MT. Decisão da última sexta condenou quatro pessoas por participação no crime.

Caso Éric | 17 de Março de 2016 as 05h 42min
MT Agora - G1 MT

O estudante Eric Francio Severo, morto em 2014. (Foto: Arquivo pessoal)

A Justiça condenou na última sexta-feira (11) quatro pessoas por participação no crime de latrocínio que tirou a vida do estudante de medicina Éric Severo, morto aos 21 anos em dezembro de 2014 ao ter sua caminhonete roubada em uma estrada entre os municípios de Sorriso e Lucas do Rio Verde. Entre os quatro condenados estão o executor do crime, um homem de 31 anos cuja sentença foi de 28 anos e nove meses de reclusão, e o mandante do roubo do veículo, um presidiário de 32 anos recolhido em uma penitenciária de Guarulhos (SP), cuja pena ficou em oito anos, cinco meses e três dias.

Além deles foram condenados um homem de 26 anos que participou do roubo, cuja pena ficou em 22 anos de reclusão, e uma mulher também de 26 anos acusada de ter dado apoio aos executores do roubo da caminhonete. No caso dela, que chegou a ser presa durante a instrução do processo e acabou posta em liberdade, a Justiça impôs pena de um ano de reclusão. Todos os demais condenados já se encontram presos.

O estudante de medicina Eric Francio Severo foi encontrado morto na tarde do dia 28 de dezembro em um matagal às margens de uma estrada vicinal entre o distrito de Primaverinha, em Sorriso (município a 420 km da capital), e Lucas do Rio Verde (a 360 km da capital). Ele estava desaparecido desde a madrugada do dia anterior após sair de um bar na cidade de Sinop, a 503 km da capital, onde passava férias na casa da família. O corpo apresentava marca de tiro na cabeça.

Conforme as investigações, o estudante foi rendido ao sair do bar em Sinop. Os bandidos o amarraram e colocaram-no no banco traseiro da caminhonete que ele dirigia. Após dirigir até a estrada vicinal entre Sorriso e Lucas do Rio Verde, um dos acusados decidiu executar o estudante. Em depoimento, ele confessou que matou o universitário para ocultar a autoria do crime.

Procurado para comentar a sentença da Primeira Vara Criminal de Sinop, o pai de Eric – Leonildo Severo – explicou à reportagem que, apesar da condenação, permanece a sensação de impunidade, pois a legislação brasileira ainda não possui mecanismos que evitem crimes como o que matou seu filho. Desde o episódio, Leonildo e a família têm feito campanha para promover alterações no Código Penal e já colheram cerca de 100 mil assinaturas.

“Respeitamos a decisão, cumpriu a lei. Mas nada nos consola e isso não é o ideal. Do ponto de vista humano, não é Justiça. O ideal seria que existissem mecanismos para coibir esse tipo de situação. A legislação dá margem para a impunidade e a sociedade de bem fica em grande desvantagem diante dessas pessoas [que cometem crimes de latrocínio]. Nenhuma pena consola. O que a gente tem que fazer é evitar que isso aconteça”, criticou Leonildo.

Já o advogado da família e assistente de acusação na ação penal, Felipe Guerra, explicou que considerou satisfatória a sentença da Primeira Vara Criminal de Sinop, com exceção da pena imposta ao presidiário de Guarulhos que encomendou o roubo da caminhonete. Segundo o advogado, o presidiário não foi julgado pela consequência do crime (a morte do estudante), situação da qual ele discorda porque, ao encomendar o roubo, o presidiário assumiu os riscos da situação. O advogado defende que o Ministério Público apele da sentença para elevar a pena do autor intelectual do crime.

COMENTARIOS

Guia MT

Busca telefônica em Lucas do Rio Verde - MT

COTAÇÃO