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Presidente do Santander Cultural nega incentivo à pedofilia em obras da exposição ''Queermuseu''

Marcos Madureira participou de reunião da CPI dos Maus-Tratos do Senado. Para ele, visitantes contrários à mostra, cancelada em Porto Alegre, divulgaram visão ''distorcida'' das obras.

CPI Dos Maus-Tratos | 21 de Novembro de 2017 as 23h 29min
MT Agora - G1

O presidente do Santander Cultural, Marcos Madureira (ao centro), participa da CPI dos Maus-Tratos do Senado (Foto: Gustavo Garcia/G1)

O presidente do Santander Cultural, Marcos Madureira, disse nesta terça-feira (21), em depoimento à CPI dos Maus-Tratos do Senado, que no entender da instituição não existe “incentivo à pedofilia” nas obras da mostra “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”.

Em setembro, a exposição foi cancelada em Porto Alegre (RS) após protestos. O cancelamento aconteceu um mês antes da data prevista para o término da exposição no Santander Cultural.

Algumas imagens da mostra foram consideradas ofensivas por grupos que classificaram o conteúdo como um "incentivo à pedofilia, à zoofilia e contra os bons costumes".

“Não existe naquelas obras, no nosso entender, e isso o Ministério Público Federal confirmou, nenhum incentivo à pedofilia”, afirmou Madureira ao colegiado.

O presidente do Santander Cultural foi convocado a comparecer à CPI após a aprovação de um requerimento do presidente da comissão, senador Magno Malta (PR-ES).

A CPI tem o objetivo de investigar irregularidades e crimes relacionados aos maus-tratos praticados contra crianças e adolescentes no Brasil.

Marcos Madureira afirmou também que a concepção, a escolha das obras e o projeto são de autoria do curador da exposição. No caso, o gaúcho Gaudêncio Fidelis.

“Não cabe ao espaço cultural, por uma questão de censura, intervir ou influenciar [na exposição]”, declarou.

Visão “distorcida”

O convocado também contou que, entre os dias 6 e 9 de setembro, o Santander Cultural em Porto Alegre recebeu a visita de um grupo de quatro pessoas com atitude “extremamente agressiva com os visitantes e artistas presentes”.

“Em uma dessas visitas, [as pessoas] realizaram um vídeo retratando uma parte muito pequena dessa mostra, quatro obras de um total de 263, passando uma visão, no nosso ver, totalmente distorcida”, declarou Madureira.

“Como gestor, não é meu papel explicar a exposição. Isso é um papel do curador e dos artistas. Porém de forma alguma nós compactuamos com a visão que foi passada”, completou.

O presidente do Santander Cultural afirmou ainda que a divulgação do vídeo nas redes sociais resultou em “críticas e ameaças”, o que levou a instituição a antecipar o término na mostra.

Ele disse ainda que a instituição respeita “a diversidade porque é uma característica e uma riqueza do país, que acolhe todos os credos, raças, religiões, culturas, etnias, formações e gostos”.

“Conversa de bêbado para delegado”

Durante os cerca de 30 minutos em que Madureira participou da CPI, Magno Malta demonstrou impaciência e discordância com as respostas do convocado. Por vezes, o parlamentar interrompeu a fala do presidente do Santander Cultural e cobrou ‘respostas objetivas’.

“Tem que ter mea-culpa do Santander, porque o dinheiro que foi, R$ 800 mil em um negócio que vocês nem sabiam nem o que que era. Vocês rasgam dinheiro? Jogam dinheiro fora? Eu vou continuar perguntando objetivamente, mas o senhor não tem condição de responder objetivamente, porque está uma conversa de bêbado para delegado, que eu estou perguntando um negócio e o senhor começa a fazer... Eu quero objetivamente”, protestou Malta.

O parlamentar também afirmou que o presidente do Santander Cultural não levaria os filhos para a exposição.

“O senhor não pegaria suas crianças pela mão, suas duas meninas, e levaria lá para ver dois homens abusando sexualmente de um negro. O senhor não levaria”, acrescentou o senador do Espírito Santo.

Malta questionou se o Santander recuou porque teve uma clientela “indo embora” ou “pichação de agência”.

Madureira frisou que o Santander, “vendo o sentimento das pessoas que resultou nas agressões físicas”, decidiu encerrar a exposição.

A CPI também ouviu o ex-presidente da instituição Sérgio Rial. No entanto, essa parte da reunião foi fechada à imprensa por ordem de Magno Malta.

Críticas

A forma com que a CPI dos Maus-Tratos tem sido conduzida por Magno Malta tem motivado críticas de senadores da oposição.

No dia 9 de novembro, quando o colegiado levou para a comissão um acusado de pedofilia, Magno afirmou que as críticas à CPI são uma tentativa do PT de paralisar os trabalhos.

Mas, segundo ele, a "CPI vai para frente", "porque a população brasileira exige a continuação.”

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