Em depoimento, Silval assume liderança de quadrilha que desviou dinheiro do governo

Silval Barbosa (PMDB) prestou depoimento nesta segunda-feira (24) em Cuiabá. Ele ficou preso por quase dois anos e cumpre prisão domiciliar.

25/07/2017 - 06:37:08

   

Ex-governador Silval Barbosa (PMDB) prestou depoimento na 7ª Vara Criminal de Cuiabá (Foto: Lislaine dos Anjos/G1)

O ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) assumiu nesta segunda-feira (24), em depoimento à Justiça, que liderou uma organização criminosa que funcionava dentro do governo do estado durante a sua gestão, com o objetivo de conseguir dinheiro para saldar dívidas contraídas pelo seu grupo político.

As declarações foram dadas à juíza Selma Arruda dos Santos, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, durante a audiência na ação penal derivada da operação Sodoma I, que apura a cobrança de propinas de empresas privadas em troca de incentivos fiscais durante a gestão de Silval Barbosa. O interrogatório de Silval foi acompanhado pelos advogados dos demais réus no processo.

Silval ocupou o cargo de chefe do Executivo por seis anos e ficou preso por quase dois anos por participação no esquema de fraudes na concessão de incentivos, que vigorou entre 2011 e 2014. Ele teve a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar.

No depoimento, o ex-governador alegou que a quadrilha foi formada para quitar dívidas. "Eu fui o líder da organização. Eu que determinava e liderava, junto ao Pedro Nadaf [ex-secretário-chefe da Casa Civil]. Existia uma organização criminosa para conseguir dinheiro para pagar compromissos políticos", afirmou.

De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), o grupo investigado fraudava atos de concessão de incentivos fiscais, bem como processos e licitações da Secretaria Estadual de Administração (SAD), a fim de cobrar propina dos empresários envolvidos.

Sobre a operação Sodoma I, especificamente, Silval negou conhecimento da cobrança de propina do empresário João Rosa, um dos sócios do grupo Tractor Parts e que, inicialmente, foi o delator do esquema na Justiça. Posteriormente, ele passou a ser tratado como vítima no processo. Em depoimento à Justiça, Rosa afirmou que foi extorquido pela organização criminosa.

Silval confirmou ter sido procurado por João Rosa em 2011, quando o empresário teria pedido a sua ajuda para para receber créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que teriam sido revogados pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). O empresário teria comparecido ao seu gabinete na companhia de Pedro Nadaf e foi orientado a procurar a Sefaz.

Conforme o empresário relatou à Justiça, ele não conseguiu reaver os créditos, mas teve suas três empresas inseridas por Nadaf no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), para receber incentivos fiscais.

Posteriormente, Nadaf o teria procurado, afirmando que Silval teria uma dívida de campanha no valor de R$ 2 milhões e precisava da ajuda do empresário. Sentindo-se ameaçado, Rosa passou a pagar R$ 30 mil por mês à organização, a fim de manter suas empresas inseridas no Prodeic. Ao todo, segundo confissão de Nadaf à Justiça, Rosa pagou a propina em 60 vezes, totalizando R$ 1,5 milhão.

Acompanhado de seu advogado, Silval Barbosa confirmou ter liderado organização criminosa no estado (Foto: Lislaine dos Anjos/G1)

Hoje, Silval aifrmou que nunca conversou sobre a dívida de R$ 2 milhões com o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, ou pediu ao Nadaf para que cobrasse propina de João Rosa para manter os incentivos fiscais. Segundo ele, nenhuma parte da propina foi destinada à ele e, se ele foi beneficiado, foi de forma indireta, por o ex-chefe da Casa Civil sabia das dívidas que ele possuía e pode ter pago parte delas com esse dinheiro.

"Não houve da minha parte extorsão ou coação ao João Rosa. A única vez que falei com ele, foi quando ele me procurou e eu o encaminhei à Sefaz. Não determinei ao Pedro [Nadaf]que cobrasse propina do João e não mandei o Marcel [de Cursi] não pagar o crédito que o estado devia à ele para obrigá-lo a pagar propina. Nesse processo, as acusações contra mim não procedem", disse.

Organização criminosa
Ainda durante o interrogatório, o ex-governador citou a participação e a função de alguns dos integrantes da organização criminosa mais citados nas operações ilegais investigadas nas quatro fases da operação Sodoma. Segundo ele, todos os que participaram, sempre ficavam com alguma parte da propina.

De acordo com Silval, Pedro Nadaf o ajudava em tudo e sabia de todas as suas dívidas.

"Ele era de extrema confiança dentro do governo e sabia de todas as minhas dívidas de campanha e demais pendências", disse.

O ex-procurador-geral do estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, também foi citado por Silval como integrante da quadrilha. "Ele dava os pareceres de acordo com a demanda [da organização], nos casos que são alvos do processo, que poderiam render algum retorno [propina] ao grupo", disse.

O réu Sílvio César Corrêa de Araújo, que foi chefe de gabinete de Silval, foi apontado pelo ex-governador como uma homem de "extrema confiança". "Ele foi meu piloto, me acompanhou na Assembleia Legislativa, na vice-governadoria e no governo. Em todos os processos, ele buscava dinheiro quando eu pedia. Era o responsável por arrecadar propina, controlar os pagamentos das propinas. Era meu braço direito em assuntos lícitos ou ilícitos", afirmou.

Ajuda a Sílvio
Questionado sobre um valor de R$ 25 mil que depositou para o ex-chefe de gabinete em 2012, Silval disse que o dinheiro era proveniente de propina cobrada pela organização criminosa de um outro empresário, não dos valores pagos por João Rosa. Ele disse ter dado o dinheiro a Sílvio Corrêa porque o então chefe de gabinete era seu braço direito há anos e precisava de ajuda. "Não depositei como um empréstimo, não iria cobrá-lo", disse.

Sílvio Corrêa também foi interrogado nesta segunda-feira (24), logo após Silval, e confirmou a ajuda recebida por ele. "Conheço Silval há 17 anos. Descobri em 2012 um câncer na próstata e fui fazer uma cirurgia em São Paulo. Pedi ajuda e ele me disse que eu podia ficar tranquilo que iria me mandar o dinheiro para pagar a cirurgia", afirmou.

O ex-chefe de gabinete afirmou que participou da organização criminosa e também detalhou as atividades exercidas pelos membros já citados por Silval. "O Pedro Nadaf era o responsável por receber as propinas e pagar contas do Silval. Marcel de Cursi obedecia ordens do Silval e agilizava as questões orçamentárias, financeiras, ando necessário, como em caso de desaproprieações, por exemplo. O Chico LIma tinha quase a mesma função do Nadaf", afirmou.

Ele disse que, dentro da organização, recebia dinheiro das empresas que tinham os contratos firmados com o estado e repassava ao ex-governador ou pagava contas que Silval determinava. Ele negou, porém, que tinha conhecimento de que o dinheiro dado pelo chefe para pagar a cirurgia era proveniente de propina.

"Não sabia que o dinheiro que o Silval me deu para a cirurgia era de propina, nem desconfiava. Fiquei sabendo depois que estourou a operação. Eu tenho Silval como um pai. Eu recebia ordens dele. Achei que o dinheiro que Silval havia me dado era dele mesmo, não achava que ele faria isso. Do fundo do meu coração, achei que era dinheiro dele mesmo", afirmou.

MT Agora - Lislaine dos Anjos e André Souza | G1

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