Judiciário

Fachin nega pedido para arquivar inquérito sobre Dirceu e Zeca Dirceu e prorroga investigação

Defesa dos dois petistas pediu arquivamento por falta de elementos e suposta demora para concluir investigação. Ministro do STF argumentou que arquivar o caso agora seria ''açodado''.

STF | 07 de Novembro de 2018 as 00h 17min
Fonte: Mariana Oliveira | TV Globo

José Dirceu e o filho Zeca Dirceu (PT) são alvo de inquérito que investiga suposto recebimento de propina da Odebrecht — Foto: G1 PR

O ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou pedido da defesa do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) e do ex-ministro José Dirceu para arquivar inquérito aberto em abril do ano passado para investigar os dois petistas. O inquérito foi instaurado com base em delações premiadas de executivos da construtora Odebrecht.

Em vez de arquivar o caso, Fachin concedeu mais 60 dias de prazo para a Polícia Federal (PF) investigar o caso no despacho registrado nesta segunda-feira (5) no sistema do STF. O magistrado considerou que o arquivamento do inquérito, neste momento, seria "açodado".

Segundo delatores da Odebrecht, Zeca Dirceu recebeu R$ 250 mil do "departamento de propinas" da empreiteira para campanhas eleitorais de 2010 e 2014 a pedido do pai.

Fachin argumentou na decisão que concedeu mais prazo para concluir o inquérito porque a PF ainda realiza análise dos sistemas de comunicação da Odebrecht (Drousys) e contabilidade paralela (MyWebDay).

O magistrado frisou ainda que a Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com a prorrogação do inquérito e afirmou que era preciso analisar a atuação de Zeca Dirceu em relação às propostas legislativas de interesse da construtora.

A defesa de Dirceu e do filho apontou que o inquérito deveria ser arquivado por falta de indícios contra os políticos e demora nas investigações. Fachin discordou da argumentação dos advogados dos petistas: "O inquérito deve seguir sua regular marcha, inexistindo, ao menos por ora, razão suficiente para agasalhar o pedido deduzido", enfatizou.

Em outro trecho do despacho, o ministro do STF ressaltou que "não há quaisquer evidências de retardo nos atos procedimentais, seja pelos órgãos da persecução criminal, seja no âmbito deste Supremo Tribunal".

"A autoridade policial condutora dos trabalhos reiterou expedientes voltados à conclusão das diligências faltantes e imprescindíveis à integral elucidação do objeto deste caderno inquisitorial. [...] Nesse pensar, não vejo irrazoabilidade a justificar o encerramento açodado das apurações", ponderou Fachin.

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