Judiciário

Justiça decide que cabo da PM detido por descumprir medida cautelar pode sair para trabalhar e dormir em Batalhão

Gerson foi detido no dia 19 de outubro porque descumpriu uma das medidas cautelares impostas a ele para a concessão de liberdade provisória.

Decisão | 06 de Novembro de 2018 as 23h 23min
Fonte: Flávia Borges | G1 MT

Cabo da Polícia Militar Gerson Correa Júnior — Foto: TV Centro América

O cabo da Polícia Militar Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior, acusado de participar de um esquema de escutas ilegais em Mato Grosso, ficará em regime de "prisão intramuros". Na prática, ele pode sair para trabalhar durante o dia. O militar não poderá utilizar arma de fogo e poderá receber visitas de familiares em períodos autorizados pelo comandante, submetido a disciplina em hierarquia militares. À noite, o cabo da PM deverá dormir no 4º Batalhão da Polícia Militar, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.

Gerson foi detido no dia 19 de outubro porque descumpriu uma das medidas cautelares impostas a ele para a concessão de liberdade provisória.

Ainda segundo o MP, cabo Gerson teria desligado o aparelho de monitoramento eletrônico para ir a uma boate no dia 30 de agosto.

Diante da denúncia, a Justiça solicitou que a casa noturna enviasse registros da visita do cabo.

Depois de acionado, o proprietário apresentou uma ficha cadastral de clientes, que assinam o documento em caso de porte de arma. No documento havia a assinatura e o número do Registro Geral (RG) de Gerson.

Grampos clandestinos

Gerson é acusado de participar de um esquema de escutas ilegais.

Os telefones foram interceptados com autorização judicial. Os documentos pedindo à Justiça autorização para isso foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior, numa suposta investigação de crimes cometidos por PMs.

No entanto, foram juntados os telefones de quem não era suspeito de crime algum, numa manobra chamada "barriga de aluguel".

O caso foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque. Em depoimento encaminhado à Procuradoria-Geral da República, oele afirmou que, naquele ano, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa, comandante da PM à época, dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Pedro Taques (PSDB).

Zaque alega ainda que levou o assunto ao governador, que ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.

O promotor ainda afirmou que alertado o governador sobre a existência de um "escritório clandestino de espionagem" por meio de dois ofícios. O primeiro chegou a ser enviado para o Ministério Público Estadual (MPE), mas a investigação foi arquivada por falta de provas.

O segundo ofício, que o governador alega nunca ter recebido, foi protocolado na Casa Civil, mas cancelado no mesmo dia e substituído por outro, conforme apontou auditoria da Controladoria Geral do Estado.

Antes do relatório da CGE vir à tona, Pedro Taques chegou a entrar com representação contra Zaque em instituições como o Conselho Nacional do Ministério Público e a PGR, acusando-o de falsificação de documento público.

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