Processo Contra Dilma

Chapa alternativa da oposição é eleita para comissão do impeachment

Integrantes de chapa avulsa foram eleitos em votação secreta no plenário. Em meio à eleição, houve confusão e deputados quebraram urnas.

08 de Dezembro de 2015 as 21h 08min

Em votação secreta, a Câmara dos Deputados elegeu nesta terça-feira (8), por 272 votos a 199, a chapa alternativa integrada por deputados de oposição e dissidentes da base governista para a comissão especial do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A sessão que definiu os nomes dos deputados responsáveis por analisar o pedido de afastamento da chefe do Executivo foi marcada por tumultos no plenário.
 
Deputados governistas inconformados com o fato de Cunha ter determinado votação secreta e ter autorizado a candidatura de uma chapa avulsa tentaram impedir a eleição. Eles chegaram a quebrar parte das urnas eletrônicas instaladas no plenário para a votação.
 
A chapa vencedora, batizada de "Unindo o Brasil", foi protocolada por parlamentares oposicionistas e dissidentes da base governista na tarde desta terça com a adesão de 39 deputados de PSDB, SD, DEM, PPS, PSC, PMDB, PHS, PP, PTB, PEN, PMB, PSB e PSD.
 
Ao final da votação, os deputados oposicionistas que derrotaram o governo comemoraram intensamente no plenário. Depois, cantaram o Hino Nacional erguendo uma bandeira do Brasil.
 
Ao todo, a comissão especial será formada por 65 parlamentares titulares e o mesmo número de suplentes. Os partidos que não tiveram indicações na chapa vencedora serão convocados a apresentar as indicações para completar as vagas.
 
Cunha informou no plenário que os partidos tem até as 14h desta quarta-feira (9) para indicar os nomes que faltam para a chapa da oposição.
 
Chapa alternativa
Uma sessão extraordinária da Câmara havia sido marcada para a noite desta segunda (7) para eleger a comissão que irá analisar o processo de impeachment, entretatno, foi adiada em razão do impasse dentro das bancadas para definir os representantes e, principalmente, por conta da insatisfação de uma ala do PMDB com os nomes definidos pelo líder da sigla, deputado Leonardo Picciani (RJ).
 
Na semana passada, os líderes partidários haviam entrado em acordo para não permitir candidaturas avulsas. No entanto, nesta segunda-feira, deputados da oposição e dissidentes do PMDB reivindicaram a possibilidade de lançar chapa avulsa.
 
O objetivo da chapa alternativa era compor um grupo com deputados do PMDB que são críticos ao governo Dilma, já que o líder da bancada na Câmara apresentou apenas nomes mais em sintonia com o Palácio do Planalto.
 
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizou e decidiu postergar para esta terça o prazo de indicação de nomes e eleição para a comissão especial. A decisão foi criticada pelos líderes do PMDB, do governo e do PT.
 
Confusão
Assim que Eduardo Cunha autorizou o início da votação, deputados governistas solicitaram a palavra nos microfones do plenário para questionar a decisão de fazer uma votação secreta. O peemedebista, contudo, ignorou as manifestações e cortou o microfone de alguns parlamentares.
 
Para tentar evitar que os deputados registrassem o voto, parlamentares aliados quebraram urnas eletrônicas instaladas no plenário para a escolha dos integrantes do colegiado.
 
Policiais legislativos tentaram conter os deputados mais exaltados, mas não conseguiram impedir a depredação de alguns equipamentos. Em meio à confusão, houve empurrões entre parlamentares e seguranças. Deputados que estavam próximos às urnas reclamaram de agressões.
 
O G1 flagrou o deputado Afonso Florence (PT-BA), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário do governo Dilma, quebrando duas urnas eletrônicas.
Questionado pelo G1 sobre a depredação da urna, o petista disse que “isso não é notícia”.
 
“Eduardo Cunha rasgou o regimento. Isso não é notícia, a notícia é o resultado. Tenho que correr porque vão proclamar o resultado. Estou preocupado com o resultado”, justificou, desligando o telefone em seguida.
 
Apesar da confusão, o presidente da Câmara decidiu manter a eleição. Líderes governistas subiram à Mesa Diretora (veja acima) para cobrar que Eduardo Cunha encerrasse o processo de escolha dos integrantes da comissão especial.
 
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), chegou a apontar o dedo para o rosto do presidente da Casa, que estava cercado por parlamentares governistas.
 
Bastante exaltados, a líder do PC do B, Jandira Fegalli (RJ), e o deputado Sílvio Costa (PTdoB-PE) gritavam no plenário, criticando a decisão de Cunha. A eleição, porém, continuou e foi proclamada a vitória da chapa da oposição, com 272 votos contra 199.
 
'Maioria artificial'
O líder do governo na Câmara classificou o resultado da votação de “maioria artificial”. José Guimarães disse ter esperanças de que a análise do mandado de segurança no STF reverta a situação.
 
“O resultado de uma maioria artificial que foi feita desobedecendo totalmente as regras, as mais elementares regras do regimento. Portanto, estamos seguros que o Supremo reverterá essa decisão”, enfatizou.
 
Para o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), a chapa pró-impeachment venceu porque representa a sociedade.
 
"Foi uma chapa vencedora porque expressou o sentimento da nação. A Dilma e o PT queriam uma chapa que representasse o interesse da presidente Dilma e do ex-presidente Lula", discursou o tucano na tribuna do plenário.
 
O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), considerou que o processo de escolha dos integrantes da comissão especial foi "viciado". A exemplo do líder do governo, Sibá também acredita que o Supremo irá "barrar a situação".
 
Na opinião do deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), a votação acendeu um sinal amarelo para o governo, que precisará agora de um trabalho para tentar reverter votos. "Dilma terá dificuldade porque ela não tem nenhuma relação política com o parlamento", ironizou.
 
O líder do PMDB também condenou a votação e disse que "esse tipo de procedimento é que está equivocado e leva a distorções".
 
"A questão está a cargo do Supremo. E é lamentável que num tema como esse aqueles que defendiam a posição A ou posição B ficaram escondidos atrás do voto secreto. O próprio parlamento já acolheu há tempos atrás uma conquista da sociedade. Então, num tema grave como esse não tem por que o parlamentar se esconder", avaliou Leonardo Picciani.
 
Um dos articulares jurídicos do PT, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) também criticou a votação e demonstrou confiança no Supremo.
 
"É um golpe parlamentar em marcha. Houve uma votação aqui abertamente inconstitucional, tanto no que diz respeito ao voto secreto quanto às chapas avulsas e nós temos a certeza de que o Supremo, o mais rápido possível, reestabeleça a ordem jurídica", declarou.
 
Apesar da derrota para o governo, o deputado Luiz Sérgio (RJ) disse que o resultado pode ser analisado sob outra ótica. "Para ocorrer o impeachment, precisa ter 171 votos. Essa foi uma votação secreta, onde o sentimento de traição ainda é muito maior, e a chapa 1 obteve 191 votos, suficiente para barrar o processo de impeachment", enfatizou.
 
Veja os integrantes da chapa alternativa:
 
PMDB (8 vagas)
Osmar Terra (RS)
Lelo Coimbra (ES)
Carlos Marum (MS)
Lúcio Vieira lima (BA)
Manoel Junior (PB)
Mauro Mariani (SC)
Flaviano Melo (AC)
Osmar Serraglio (PR)
PSDB (6 vagas)
Carlos Sampaio (SP)
Bruno Covas (SP)
Shéridan (RR)
Rossoni (PR)
Nilson leitão (MT)
Paulo Abi-Ackel (MG)
PSB (4 vagas)
Fernando Coelho Filho (PE)
Danilo Forte (CE)
Bebeto (BA)
Tadeu Alencar (PE)
PSD (4 vagas)
Sóstenes cavalgante (RJ)
Evandro Roman (PR)
João Rodrigues (SC)
Delegado Éder Mauro (PA)
PP (4 vagas)
Jerônimo Goergen (RS)
Jair Bolsonaro (RJ)
Luiz Carlos Heinze (RS)
Odelmo Leão (MG)
PTB (3 vagas)
Ronaldo Nogueira (RS)
Benito Gama (BA)
Sérgio Moraes (RS)
SD (2 vagas)
Fernando Francischini (PR)
Paulo Pereira da Silva (SP)
DEM (2 vagas)
Rodrigo Maia (RJ)
Mendonça Filho (PE)
PSC  (2 vagas)
Marco Feliciano (SP)
Eduardo Bolsonaro (SP)
PPS (1 vaga)
Alex Manente (SP)
PEN (1 vaga)
André Fufuca (MA)
PHS (1 vaga)
Kaio Maniçoba (PE)
PMB (1 vaga)
Major Olímpio (SP)
 

MT Agora - G1

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