Cunha diz à Justiça que não recebeu dinheiro da JBS para ficar em silêncio

Irmãos Joesley e Wesley Batista disseram na delação que Temer deu aval para comprarem o silêncio do ex-deputado. Cunha disse ainda que passa por ''penúria'' financeira.

06/11/2017 - 22:54:14

   

Cunha depõe e nega acusações do operador Lúcio Funaro

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse nesta segunda-feira (5), em depoimento à Justiça Federal em Brasília, que não recebeu dinheiro da empresa JBS para ficar em silêncio.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo que controla a JBS, disseram ao Ministério Público que receberam o aval do presidente Michel Temer para comprar o silêncio do ex-deputado.

Em seu acordo de delação premiada, que está sob investigação, Joesley entregou o aúdio de uma conversa dele com Temer em que o presidente diz "tem que manter isso aí", após o empresário afirmar que está bem com Eduardo Cunha.

Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República contra Temer por obstrução à Justiça, o presidente se referia à compra do silêncio de Cunha.

Cunha chamou a denúncia dos irmãos Batista de "forjada" e disse que foi uma tentativa de "pegar" o mandato de Temer.

Cunha diz à Justiça que não recebeu dinheiro da JBS para ficar em silêncio

“Não existe essa história de dizer que eu estou em silêncio ou que eu vendi o meu silêncio para não delatar. Eu atribuo isso [...] para justificar uma denúncia que pegasse o mandato do Michel Temer. Essa é que é a verdade. Deram uma forjada e o Joesley foi cúmplice dessa forjada”, afirmou Cunha.

A defesa do presidente da República também vem negando a denúncia, desde que a delação dos irmãos Batista se tornou pública.

Cunha disse que conheceu Joesley Batista bem antes do que o empresário afirma. O ex-deputado contou que foi apresentado ao dono da JBS pelo também delator Lúcio Funaro em 2011, e não em 2014, como afirmou o empresário.

“Eu comprovo várias relações e encontros com ele. E talvez tenha até mensagens”, declarou durante a audiência.

Depois de Cunha, o ex-presidente da Câmara e ex-ministro Henrique Eduardo Alves foi o último réu a prestar depoimento.

Com o fim da fase de interrogatórios, o juiz Vallisney Oliveira marcou o prazo entre os dias 20 e 24 de novembro para o retorno de Cunha para Curitiba. Caberá à Polícia Federal organizar dentro desse período a viagem.

“Penúria” financeira

Preso desde outubro de 2016, Cunha disse que atualmente não possui nenhuma renda. Ele citou o bloqueio dos bens e disse que está passando dificuldades.

“Estou em absoluta penúria”, afirmou o ex-deputado. Ele se queixou das dificuldades para bancar os gastos com sua defesa, como o pagamento de honorários ao advogado e das passagens para eles se reunirem em Curitiba, onde ex-deputado está preso.

Cunha disse que, por esse motivo, a sua defesa tem sido cerceada e que a sua transferência temporária para Brasília para depor e acompanhar os interrogatórios dos demais réus tem facilitado o contato com seu advogado.

“Tudo é o Eduardo Cunha”

O ex-presidente da Câmara prestou depoimento em uma investigação sobre o suposto esquema de propinas envolvendo financiamentos do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal.

O esquema é investigado pela Operação Sépsis, um desdobramento da Lava Jato. Além de Cunha, também são réus nesse processo Lúcio Funaro, Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa, e Henrique Eduardo Alves, ex-ministro e ex-presidente da Câmara.

Cunha atacou Funaro logo no início do depoimento. O operador do PMDB, em audiência no fim de outubro, confirmou a existência do esquema de corrupção e listou políticos do partido que teriam se beneficiado, como Cunha e o presidente Michel Temer.

"A delação que ele [Funaro] faz agora está me transformando num posto Ipiranga. Tudo é Eduardo Cunha", disse o ex-presidente da Câmara.

Cunha refutou as acusações de corrupção e disse que irá contestar todas. "Nenhuma delas é verdadeira e eu quero rebater cada ponto delas", continuou Cunha.

Ao detalhar a sua relação com Funaro, Cunha disse que os dois se aproximaram em 2003, quando o operador fez doações para a campanha do ex-deputado.

A partir daí, contou que se tornaram amigos e começaram a operar juntos no mercado financeiro.

"O fato de ele [Funaro] dizer que não é doleiro, é só quebrar o sigilo. Essa muita movimentação é que vai mostrar que ele era doleiro", disse Cunha. "Isso é só para explicar que ele era doleiro, apesar de negar", completou.

Cunha relatou ainda diversas situações em que as informações políticas beneficiaram Funaro e ele nessas operações. "Eu tinha muito boas informações e ganhava na maioria. O Lúcio começou a entender que as informações que vinham de Brasília acabavam tendo repercussão no mercado financeiro", disse.

Por conta disso, segundo o ex-deputado, Funaro ficou interessado em disputar uma vaga como deputado por Pernambuco, mas acabou desistindo das suas pretensões eleitorais porque seu nome veio à tona no escândalo do mensalão.

Cunha negou que Funaro tenha relação com o PMDB e seja operador de propina do partido, conforme acusa o Ministério Público.

"Nenhuma [relação com o PMDB], zero, zero. Ninguém sabe quem é Lúcio Funaro. Operador nenhum, operador coisa nenhuma. É uma história que ele está criando para ter uma delação. Todo mundo que ele conheceu foi através de mim", declarou o ex-deputado.

Michel Temer

Em seu depoimento, Eduardo Cunha isentou Michel Temer de ter relação com Funaro.

"Lúcio Funaro nunca teve acesso ao Michel Temer", disse Cunha. Segundo o ex-deputado, as três ocasiões de encontro citadas por Funaro em sua delação não são verdadeiras.

Uma delas teria sido em um culto religioso em um templo, outra em um comício de campanha e a terceira na base aérea de São Paulo.

"O culto era em um lugar para 12 mil pessoas sentadas e não é qualquer um que entra no púlpito. O Temer estava no púlpito, o Lúcio não deve nem ter passado perto", disse.

E continuou: "É mentira. Só se houve outros momentos. Na minha frente, ele nunca cumprimentou o Michel Temer. Nessas três ocasiões, eu estava com Michel Temer".

Recusa em analisar assinatura

Durante a audiência, o representante do Ministério Público questionou Cunha sobre um papel entregue momentos antes pela defesa do doleiro Lúcio Funaro. O procurador queria saber se a assinatura que constava no documento era dele, mas o ex-deputado se recusou até mesmo a olhar o papel.

Ele alegou que só responderia depois que o documento fosse formalmente juntado ao processo e uma perícia, feita. “Faça o ajuntamento [aos autos], com a perícia comprovando que é minha a letra, e aí venha me questionar”, contestou Cunha.

Cunha negou que Funaro pagasse contas pessoais suas, mas admitiu que às vezes usava a estrutura do escritório dele, em São Paulo, para fazer pagamentos.

Ele justificou que isso era necessário porque, quando estava na cidade, não tinha assessoria parlamentar como em Brasília ou no Rio de Janeiro.

“A nossa atividade deixa a gente muito desregrado com a nossa vida pessoal, às vezes pagava muita coisa atrasada”, disse.

Bate-boca

Durante a audiência, Cunha se recusou a responder às perguntas feitas pela defesa de Funaro, alegando que não iria responder aos questionamentos de advogado de delator.

Mesmo assim, o advogado que representa Funaro, Bruno Espiñera, fez perguntas, que, embora não respondidas, constarão do processo por decisão do juiz Vallisney Oiveira.

O fato levou a um bate-boca acalorado entre Espiñera e o advogado do ex-deputado, Délio Lins e Silva Filho.

A discussão começou quando Espiñera falou que iria rebater “contos da carochinha” que tinha ouvido na audiência e contestar a acusação da defesa de Cunha de que teria feito “dobradinha” com o Ministério Público ao apresentar um papel para ser anexado aos autos.

MT Agora - G1

Mais Noticias

Infraestrutura

Secretário de Política Agrícola participa de Estradeiro na BR 163

Reforma Ministerial

Planalto anuncia Alexandre Baldy como novo ministro das Cidades; posse será nesta quarta-feira

Criticou Declaração

''Ele se inteirou disso ou ele está falando por ordem de alguém?'', diz Janot sobre declaração de Segovia

Crítica

Procurador da Lava Jato critica declarações de novo diretor-geral da PF sobre investigações

20/11/2017 -

Segovia diz que Temer ''continuará a ser investigado, sem nenhum problema''

Delegado assumiu oficialmente o comando da Polícia Federal e defendeu o direito de a corporação fechar delações premiadas.

20/11/2017 -

CPMI da JBS quer pedir prisão de Janot, diz jornal

De acordo com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Janot e pessoas próximas a ele poderão ser indiciados pela comissão, presidida pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO).

20/11/2017 -

Segovia põe em dúvida se ''uma única mala'' é suficiente para apontar se Temer praticou corrupção

Novo diretor-geral questiona assim trabalho da própria Policia Federal, que conduziu parte da investigação. Ele criticou PGR e disse que, 'sob a égide da PF', investigação teria durado mais tempo.

20/11/2017 -

Segóvia defende prerrogativa da PF de fechar delações premiadas

O assunto é motivo de divergências entre o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal.

20/11/2017 -

''Estou pronto para ficar e estou pronto para sair'', diz ministro da Agricultura

Blairo Maggi participou de Conferência Internacional sobre cooperação entre países em Brasília. ''O cargo é do presidente e ele determina o que pode ser feito'', disse, sobre reforma ministerial.

20/11/2017 -

Meirelles diz que nova versão da reforma da previdência ''deve ser apresentada ainda esta semana''

Idade mínima, regime único para servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada e regra de transição 'certamente' vão constar na versão, segundo ministro.

20/11/2017 -

Ministro dos Transportes participa de debate sobre a BR-163 nesta terça-feira (21), em Sinop

O debate será na Câmara de Vereadores de Sinop a partir das 9h.

20/11/2017 -

Segóvia defende atribuição da PF de fechar delações premiadas e diz que recebeu ''carta branca'' de Temer

Delegado assumiu oficialmente o comando da Polícia Federal e disse que a corporação não pode ter posicionamento político-partidário. Segóvia afirmou que terá atuação ''republicana''.

20/11/2017 -

Fernando Segóvia assume direção da PF e diz que combate à corrupção continuará ''agenda prioritária''

Delegado sucedeu Leandro Daiello, que comandou a PF por 6 anos. Novo diretor-geral prometeu 'continuidade' de operações, como a Lava Jato, e disse que há ''infeliz'' disputa com MP.

20/11/2017 -

No Dia da Consciência Negra, Temer destaca importância do combate ao preconceito

No Dia da Consciência Negra, o presidente Michel Temer usou sua conta no Twitter para destacar a importância do respeito à diversidade e do combate ao preconceito.

20/11/2017 -

Desde FHC, Temer é o presidente que, em média, mais edita medidas provisórias

Excesso de MPs provocou rusgas na relação de Temer com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Em 18 meses, peemedebista editou 83 MPs, média de uma a cada 6,5 dias de governo.

20/11/2017 -

Governador de MT participa de Missa de Ação de Graças em alusão aos 300 anos de Cuiabá

Cerimônia foi realizada na Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus, no domingo.

20/11/2017 -

Sorriso: Câmara aprova projeto que institui o Dezembro Vermelho no Calendário Oficial de Eventos do Município

A Câmara de Sorriso aprovou o Projeto de Lei nº 145/17 que institui e inclui no Calendário Oficial de Eventos do Município de Sorriso o Dezembro Vermelho, mês de enfrentamento do HIV/AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis.

20/11/2017 -

Congresso deve debater aborto, porte de arma e foro privilegiado

Temas polêmicos devem dominar pauta do Senado e da Câmara. Deputados pretendem retomar votação de projetos sobre segurança pública

16/11/2017 -

Câmara paga por mês R$ 127,8 mil de aposentadoria para deputados cassados

Pagamento não é ilegal e é proporcional ao tempo de contribuição dos parlamentares. José Dirceu entrou com pedido de aposentadoria, que está pendente de decisão do presidente da Câmara.

Disk Bem

Busca telefônica em Lucas do Rio Verde - MT

Tempo Agora