Política

''Dilma utilizaria avião para fazer campanha denunciando o golpe'', diz Temer

Presidente interino usou rede social para falar sobre uso de avião pela presidente afastada.

No Twitter | 23 de Junho de 2016 as 02h 18min
MT Agora - UOL

Uma série de postagens na conta oficial do presidente interino, Michel Temer (PMDB), no Twitter tem causado polêmica na rede.

Isso porque o peemedebista, quando se refere ao uso de avião pela presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), e a sua limitação, sugere que a petista utilizaria a aeronave para "fazer campanha denunciando o golpe".

A tese de que o processo de impeachment foi um golpe é a principal linha de defesa de Dilma.

A postagem no perfil de Temer foi feita por sua assessoria de imprensa, que divulgava trechos da entrevista dada pelo presidente interino ao jornalista Roberto D'Ávila, da GloboNews. A entrevista foi transmitida na noite desta terça-feira (21).

D'Ávila questionou Temer se ele não teria sido "mesquinho" ao restringir o uso de avião oficial por Dilma. O novo governo interino limitou o transporte aéreo de Dilma entre o Distrito Federal e o Rio Grande do Sul, onde a presidente afastada tem residência.

Nessa hora, Temer disse que Dilma "utiliza o avião, ou utilizaria, para ir fazer campanha denunciando o golpe", que ele classificou de "uma situação um pouco esdrúxula".

"[Ela] não está no exercício da Presidência, portanto não tem atividades de natureza governamental", explicou Temer, sugerindo que Dilma não precisa desses serviços.

O presidente interino voltou a negar, mais uma vez, que o afastamento de Dilma configure um golpe de Estado. "Muitas vezes dizem que houve golpe. E golpe é ruptura em relação à Constituição. E aquilo que está havendo é obediência estrita ao texto constitucional. Eu não traí a ninguém. Na verdade, o que houve foi um processo de impedimento. Eu não fiz nenhum movimento em relação a isso. E o impedimento se deu, convenhamos, até por uma maioria muito significativa."

Segundo reportagem recente do jornal "Folha de S.Paulo", Temer, inclusive, já prometeu a líderes de sua base aliada na Câmara dos Deputados que vai adotar discursos mais contundentes contra a tese petista de que o impeachment representa um golpe.

Na entrevista, Temer afirmou ainda, entre outras coisas, que quer promover as reformas política e da Previdência a partir do momento em que for efetivado na Presidência da República. E que, caso seja realmente efetivado, não será candidato à reeleição em 2018.

Temer também negou que vá processar Sérgio Machado, delator da Lava Jato que o acusou de ter pedido recursos de propina para o então candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, em 2012.

"Não vou processá-lo porque o que ele mais deseja é isso. Quando verifiquei a delação completa, ele não falou apenas de mim, falou dos partidos mais variados. Ele só respondeu ao meu pronunciamento. Ele quer polarizar com o presidente da República, não vou dar esse valor a ele, não falo para baixo."

"Você acha que eu ia me servir dele, tendo, com toda modéstia, o prestígio que tenho, no cenário nacional, para falar com empresário? Os empresários falavam e falam comigo permanentemente. Jamais pedi a ele", disse Temer.

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