''Ele se inteirou disso ou ele está falando por ordem de alguém?'', diz Janot sobre declaração de Segovia

Mais cedo, novo diretor-geral da Polícia Federal questionou inquérito que culminou com acusação contra Michel Temer. Ao jornal ''Folha de S.Paulo'', ex-PGR criticou declaração.

20/11/2017 - 22:49:32

   

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot em 12 de setembro, durante o lançamento da campanha "Todos juntos contra a corrupção" (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

 

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot questionou nesta segunda-feira (20) as declarações do novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, que criticou a denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer.

Mais cedo, após tomar posse, Segovia afirmou que se a apuração sobre Temer estivesse “sob a égide” da PF, e não da PGR, a corporação pediria mais tempo para avaliar “se havia ou não corrupção”. Disse ainda que "uma única mala" "talvez" seja insuficiente para comprovar se os investigados cometeram crime de corrupção.

Em relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), em junho, a própria Polícia Federal afirmou que as evidências colhidas na investigação indicavam "com vigor" que Temer cometeu o crime de corrupção passiva.

Em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", Rodrigo Janot criticou a declaração e questionou os motivos para a fala de Segovia.

"A pergunta que não quer calar é: ele se inteirou disso ou ele está falando por ordem de alguém?", disse Janot, que compartilhou a entrevista em sua conta pessoal no Twitter.

Ao comentar as declarações, Janot apontou desconhecimento por parte de Segovia do trabalho desenvolvido pela Polícia Federal durante as investigações e disse que o novo diretor da PF "precisa dar uma estudadinha" na lei processual.

"O doutor Segovia precisa estudar um pouquinho direito processual penal. Nós tínhamos réus presos [durante o inquérito]. Em havendo réu preso – se ele não sabe disso é preciso dar uma estudadinha –, o inquérito tem que ser encerrado num prazo curto, e a denúncia, oferecida, senão o réu será solto. Então, nós tínhamos esse limitador", disse Janot à "Folha".

"Não era um preso qualquer, era um deputado federal [Rocha Loures] que andou com uma mala de R$ 500 mil em São Paulo, depois consigna a mala [devolve à polícia]. Faltava 7% do dinheiro, ele faz um depósito bancário para complementar o que faltava e o doutor Segovia vem dizer que isso aí é muito pouco? Para ele, então, a corrupção tem que ser muita, para ele R$ 500 mil é muito pouco? É estarrecedor", criticou o ex-procurador-geral.

Janot também respondeu às críticas feitas por Fernando Segóvia à condução do inquérito. O diretor-geral da PF afirmou que quem estabeleceu o “deadline” (tempo limite) para o fim da investigação foi a PGR.

"Todos os atos de investigação foram feitos a pedido nosso [da PGR] com autorização do Supremo e realizados por colegas de trabalho dele. Ele está negando esse trabalho de excelência da PF em matéria de investigação", respondeu Janot.

MT Agora - G1

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