Política Internacional

Entenda a importância da embaixada brasileira nos EUA

Poder econômico norte-americano e tamanho da comunidade brasileira nos EUA tornam o cargo um dos mais visados pelos diplomatas de carreira. Veja quem já ocupou o posto.

Fonte: G1
13 de Julho de 2019 as 21h 47min

Fachada sul da Casa Branca, em Washington — Foto: Creative Commons

A possível nomeação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) – filho do presidente Jair Bolsonaro – quebra uma tradição do Itamaraty em selecionar somente diplomatas de carreira e de longa experiência para ocupar a embaixada do Brasil em Washington. 

O G1 ouviu professores de relações internacionais que apontaram por que a embaixada brasileira nos Estados Unidos é considerada uma das mais estratégicas para o Itamaraty: 

  • Longa tradição na diplomacia entre os dois países 
  • Grande poder econômico e militar norte-americano 
  • Influência dos EUA nas Américas 
  • EUA têm a maior comunidade brasileira no exterior 

Entenda abaixo cada um desses pontos 

Tradição diplomática de Brasil e EUA 

Brasil e Estados Unidos têm relações diplomáticas desde 1824, quando o governo norte-americano reconheceu a independência. Naquele ano, o imperador D. Pedro I indicou José Silvestre Rabello para o cargo de "encarregado de negócios" em Washington. 

Somente em 1905, no governo do presidente Rodrigues Alves, a representação brasileira nos EUA foi elevada à categoria de embaixada – a primeira no mundo. O primeiro a ocupar o cargo foi Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo. Desde então, 30 homens ocuparam o cargo. (veja aqui a lista completa). 

Os professores ouvidos pelo G1 explicam que as relações entre os dois países costumam ser amistosas. Nem mesmo estranhamentos no governo militar de Ernesto Geisel (1974-1979) – devido a denúncias sobre violações de direitos humanos no Brasil – ou na presidência de Dilma Rousseff (2011-2016) – após uma crise relacionada a espionagem – minaram a amizade entre Washington e Brasília. 

"O histórico das relações entre Brasil e EUA variavam de amistosas a muito próximas. A rigor, o governo brasileiro não era considerado 'aliado' pela Casa Branca, mas o país participou da Segunda Guerra, por exemplo, ao lado dos norte-americanos", explicou Tomaz Paoliello, professor de relações internacionais da PUC/SP. 

O bom relacionamento e a importância do EUA nos cenários político e econômico levam o Itamaraty a, historicamente, selecionar os diplomatas mais graduados ao cargo de embaixador brasileiro em Washington. É o que explica Carlos Gustavo Poggio, coordenador do Núcleo de Estudos de Política Externa dos EUA (Nepeu). 

"É uma relação entre estados, não entre governos ou indivíduos. Cabe ao embaixador estabelecer rede de contatos em Washington que inclui até políticos de oposição", ilustra Poggio. 

Tamanha importância da embaixada em Washington leva diversos diplomatas a considerarem o cargo de embaixador nos EUA como um dos mais importantes na carreira – junto aos de ministro das Relações Exteriores e secretário-geral. "Tradicionalmente, todos têm de estar altamente qualificados", afirma Juliano Cortinhas, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB). 

"A voz do Brasil nos EUA é a voz do embaixador", diz Cortinhas. 

Poder econômico e militar 

Os Estados Unidos têm a maior economia do mundo e estão à frente do poder militar mundial em diversas áreas – inclusive tecnologia. Até poucos anos atrás, os EUA representavam o maior parceiro comercial do Brasil. Hoje, a China detém esse posto. 

Luiz Augusto de Castro Neves, ex-embaixador do Brasil em países como China, Japão e Paraguai, destaca a importância da proximidade com órgãos multilaterais nos EUA. Ele cita as sedes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ambas em Washington. 

"E tem a cidade de Nova York, maior capital financeira. Então, o embaixador do Brasil nos EUA é o interlocutor do mundo oficial e privado. Isso é fundamental", acrescenta Neves. 

Além dos organismos internacionais, o embaixador precisa ter acesso ao establishment político dos Estados Unidos – ao próprio presidente, ao secretário do Tesouro, por exemplo. 

"É preciso também ter bom trânsito no Brasil, ter capacidade de pegar o telefone e falar com o ministro da Economia", exemplifica Neves. 

Até pela importância da questão econômica, o professor Tomaz Paioliello pondera que a diplomacia tradicional tem perdido espaço nas negociações econômicas para ocupantes de cargo técnicos. 

"Devido ao peso econômico, grande parte das relações entre Brasil e EUA estão nas mãos do [ministro da Economia] Paulo Guedes", afirmou. 

Recentemente, a aproximação entre os governos acelerou a inclusão do Brasil na lista de aliados prioritários extra-Otan pelo governo de Donald Trump – decisão anunciada na visita de Jair Bolsonaro à Casa Branca. 

Na prática, a medida significa que o país terá prioridade na compra de equipamentos e tecnologia militares norte-americanos e poderá, inclusive, participar de treinamentos. 

Influência dos EUA nas Américas 

A embaixada do Brasil em Washington também representa o país na nação mais influente nas Américas. Apesar de os EUA terem mais poder relativo sobre as Américas Central e do Norte, a Casa Branca também vê os países sul-americanos dentro do que chama de "Hemisfério Ocidental" – que é diferente do conceito clássico de Ocidente. 

O professor Tomaz Paioliello explica que o poderio continental dos EUA nas Américas não se compara com outras potências ocidentais – nem mesmo o Canadá, país rico, ou economias emergentes como o México e o próprio Brasil. 

"É muito desigual o poder dos EUA em relação aos demais países do continente", afirma Paioliello. 

Comunidade brasileira nos EUA 

Estima-se que mais de 1 milhão de brasileiros vivam nos Estados Unidos. As representações brasileiras no país prestam serviços como emissão de passaportes, atendimento a emergências envolvendo cidadãos nacionais e até o envio de funcionários para visitas a presos – sem intermediar diretamente, entretanto, a relação do brasileiro com a Justiça local. 

Alguns desses brasileiros residem nos EUA de maneira clandestina, sem visto ou com o documento expirado. Recentemente, Trump endureceu a política migratória, e as autoridades norte-americanas devem iniciar operações para deter e expulsar estrangeiros em situação irregular nos próximos dias. 

Normalmente, embaixadas não repassam dados de cidadãos nacionais às autoridades dos Estados Unidos – até como uma forma de proteger os próprios compatriotas. Na visão do professor Juliano Cortinhas, a indicação de alguém ainda mais próximo de Bolsonaro – e, portanto, alinhado a Trump – pode colocar em risco essa tradição. 

"Se eu estivesse em situação irregular nos EUA, estaria preocupado", diz Cortinhas. 

O que é preciso para se tornar embaixador? 

A legislação brasileira determina que o chefe de missão diplomática passe a receber o título de embaixador após aprovação, no Senado, do nome indicado. Para isso, a Lei nº 11.440/2006 estabelece os seguintes requisitos: 

  • Que o nome seja escolhido dentre os Ministros de Primeira Classe ou, excepcionalmente, Ministros de Segunda Classe. São os cargos mais altos da diplomacia brasileira; 
  • Em outros casos excepcionais, pode ser nomeado qualquer brasileiro nato maior de 35 anos e “de reconhecido mérito e com relevantes serviços prestados ao país”. 

O banqueiro Walther Moreira Salles (1912-2001) ocupou o cargo de embaixador do Brasil nos EUA duas vezes: em 1952 (governo de Getúlio Vargas) e 1959 (Juscelino Kubitschek). 

De acordo com informações do Instituto Moreira Salles, embora ele não tivesse percorrido a carreira diplomática, o brasileiro viajava rotineiramente para os Estados Unidos para negociações do Brasil com entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI). 


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