Política

Taques: "Quem fez coisa errada no Governo não terá vida fácil"

Governador eleito falou sobre transição, secretariado e relação com a Assembleia

Entrevista Coletiva | 07 de Outubro de 2014 as 16h 02min
MT Agora - Mídia News

"Se cumprir a lei for fazer vingança, quero confessar que sou um vingador. Quem fez coisa certa não tem o que temer. Agora, quem fez coisa errada não terá vida fácil".

A declaração foi uma das feitas pelo governador eleito Pedro Taques (PDT), na manhã desta terça-feira (07), durante sua primeira entrevista coletiva após o resultado das urnas. 

Ele falou sobre o processo de transição - cujo coordenador será o prefeito Otaviano Pivetta -; prioridades de sua gestão; relacionamento com a Assembleia Legislativa; perfil do secretariado e combate à corrupção, entre outros.

Na presença dos deputados federais e estaduais de sua coligação, Taques reiterou que fará um governo transparente. E que manterá contato permanente com a imprensa, para prestar conta de seus atos.

“A campanha acabou. Hoje, já tiramos os adesivos dos nossos carros e vamos começar a trabalhar fortemente para o desenvolvimento de Mato Grosso”, afirmou.

Confira os principais trechos da entrevista:

Transição

"Eu convidei o prefeito de Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta, para que possa coordenar a transição. Queremos fazer uma transição democrática e republicana”.

"Vamos fazer a equipe de transição, ai existe a diplomação que é o último ato do processo eleitoral, até o dia 10 de dezembro, sem que isso seja uma data mortal, mas quero que até lá já tenhamos a indicação dos nomes. Vou conversar com todos do grupo".

Secretarias

"Nós passamos a campanha eleitoral inteira, inclusive nos programas eleitorais, falando para o cidadão que é preciso cortar gastos. E já estamos pensando nisso, desde o programa de governo. Queremos diminuir o número de secretarias. Mas não temos nada decretado. A equipe de transição está trabalhando nisso".

“Não existe nenhum obstáculo legal, nem constitucional, para que eleitos possam assumir cargos. Não pensamos ainda a respeito disso e não conversamos sobre secretários”. 

“Partido político não é Sine para dar emprego a quem quer que seja. As pessoas não podem ser avaliadas pelo partido político em que fazem parte. Existem pessoas competentes e incompetentes em todos os partidos políticos”.

“Quero agradecer a todos os membros do grupo, porque nenhum presidente de partido, nenhum deputado estadual ou federal me pediu absolutamente nada sobre cargos e secretarias”.

Saúde como prioridade

“Nós fomos eleitos pela população para responder a diversos anseios. Mas não estivemos no Poder nos últimos oito anos. Portanto, não sou responsável pela morte de Joana d’Arc ou de quem quer que seja. Sou responsável pela minha história. Nós representamos um novo grupo político. Eu confio no prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, que irá concluir um novo hospital. Eu, como senador, também destinei emendas para Cuiabá. Mas ele, sozinho, não vai resolver isso. Ele precisa que o Governo também faça sua parte. E um dos primeiros projetos que apresentaremos na Assembleia Legislativa é para revogar uma lei de 2012, que cortou 50% do repasse para os municípios na atenção básica à Saúde”.

“Fui eleito com compromisso de ajudar o novo hospital de Cuiabá e um hospital de no mínimo 350 leitos. E nós faremos isso. Serei responsável pelo governo a partir de 1º de janeiro. Quero ressaltar esse compromisso com a saúde, até porque só estou na política porque acredito em mudanças”.

"Quem fez coisa errada não terá vida fácil"

"Se cumprir a lei for fazer vingança, quero confessar que sou um vingador. Quem fez coisa certa não tem o que temer, agora, quem fez coisa errada não terá vida fácil. Porque passei a minha vida toda cumprindo a lei. Isso está na constituição, não estou ofendendo ninguém. O servidor público tem a obrigação constitucional de praticar ato certo. Eu não sou promotor de Justiça, não sou delegado para investigar. Mas se o servidor ou o governador tomar ciência de algum ato ilegal, tem a obrigação de fazer a denúncia. Então, quem fez coisa errada, na nossa administração não terá vida fácil. Não vou fazer devassa nenhuma, irei apenas fazer valer o cumprimento da lei".

Governo Silval e auditoria

“Fui eleito para ser governador de Mato Grosso, não para ser procurador-geral de Justiça, nem delegado. Todo servidor público, que tenha cometido algum ato ilegal, obrigatoriamente terei que tomar providência”. 

“A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que o governador, quando sai, tem que entregar um relatório para que eu possa saber o que está acontecendo. E a equipe de transição vai fazer esse levantamento. Se nós sentirmos a necessidade de contratar uma auditoria independente, assim faremos”. 

“Mas vocês podem ter certeza que não vamos varrer nada para debaixo do tapete. O nosso grupo político foi eleito com esses compromissos. E nós não vamos nos divorciar desses compromissos. Senão irá virar uma grande farsa”.

Diálogo entre as gestões

“O nosso governo só começa em 1º de janeiro. Tive uma boa conversa com o governador Silval Barbosa, no domingo. Vejo que ele não vai colocar obstáculo algum ao processo de transição”.

Assembleia e nova Mesa Diretora

“O Legislativo é independente, cada parlamentar tem que ser respeitado. Parlamentar não tem chefe. O governador do Estado não é chefe de deputado. Eles têm que ser respeitado na sua independência e individualidade. Ninguém é maior que o outro, e não existe principal. Os 24 deputados são iguais e eles não precisam de intermediários para conversar com o governador. Despachante de deputado não existe, eles têm que ser respeitados na sua independência, que é constitucional”.

“A Assembleia Legislativa é um poder independente. E isso não significa submissão, mas, sim, autonomia, harmonia. Tivemos 11 deputados eleitos e eles terão independência constitucional”. 

“Já comecei a ligar para todos os deputados estaduais para conversar sobre o novo Mato Grosso que teremos, a partir do ano que vem. Mas temos que respeitar os Poderes para que eu possa ser respeitado”.

“Eu defendi, enquanto candidato a presidente do Senado, que a presidente da República não se envolvesse com a eleição da presidência da Mesa do Senado. E eu confio nos deputados que foram eleitos com legitimidade para cuidar de Mato Grosso. Não irei me envolver com a eleição da Mesa Diretora da Assembleia. Quem irá tratar dessa eleição serão eles”. 

Sem cooptação política

“Estou ligando para todos os deputados eleitos para parabenizá-los, mas não faremos cooptação política. Os deputados do PR merecem respeito e eles foram eleitos no campo da situação. Mas isso não significa que não podemos conversar com eles”.

Economia

"Todos sabemos que os indicadores macroeconômicos internacionais revelam que 2015 não será um ano bom para Estados que são cuidadores de commodities. Isso em razão da supersafra nos Estados Unidos, em razão da retração da China. E nós precisamos nos atentar para isso. Mato Grosso, até o final desse ano, segundo alguns cálculos, deverá R$ 9 bilhões. E esse valor está dentro da Lei de responsabilidade Fiscal, e no percentual possível. Mas, a questão não é a quantidade dessa dívida, mas o perfil dela. Nós vamos nos inteirar sobre o perfil dessa dívida e nos posicionar em seguida".

"Acredito que Mato Grosso está perdendo em razão da desvalorização cambial e em relação ao dólar. Então, teremos não mais que 35% da receita para investimentos e custeio da máquina, e temos que enxugar a máquina, combater a corrupção, para que possamos administrar o nosso Estado".

Lei Orçamentária

"A respeito da LOA isso será tratado a partir de hoje com equipe de transição. Já temos especialistas em orçamento desde a campanha eleitoral analisando o orçamento do Estado, os projetos constitucionais e estão em contato com a equipe de transição que será coordenada pelo prefeito Otaviano Pivetta".

Imprensa

“É direito fundamental dos cidadãos terem acesso às informações através da imprensa, não há democracia sem imprensa livre. Não existe imprensa boa ou ruim, existe imprensa verdadeira. Precisamos da imprensa de Mato Grosso para divulgar nossos atos de governo. A imprensa tem que ser valorizada, não só os veículos de Cuiabá, mas do Interior”.

Farda da PM

"A Polícia Militar não está contente com a nova farda, nós teremos um Estado transparente e todos os policiais serão ouvidos a respeito da mudança da farda. Eu gostaria de mudar a cor dessa farda e esse é um compromisso de campanha. Mas irei ouvir a centenária polícia de Mato Grosso".

Substituição no Senado

"Já conversei com o José Medeiros, que irá me substituir no Senado, a respeito dos projetos que apresentei. Mas é preciso entender que quem apresenta os projetos perde a disponibilidade dele, de acordo com o regimento interno do Senado. Os projetos que sou relator tenho que devolvê-los".

COMENTARIOS

Disk Bem

Busca telefônica em Lucas do Rio Verde - MT

TEMPO AGORA

Hoje, Sexta Feira

Lucas do Rio Verde, MT

Tempestades

30º

COTAÇÃO