Tecnologia

Estudante de UFMT cria aplicativo que ajuda na adoção de animais

Plataforma criada por Eduardo Yamauchi tenta melhorar vida de animais abandonados em todo País

Tecnologia Local | 26 de Agosto de 2018 as 10h 02min
Fonte: Bianca Fujimori | Mídia News

Em Cuiabá existem cerca de 15 mil animais sem lar, segundo dados fornecidos pela Diretoria de Bem-Estar Animal. Visando melhorar a vida desses cães e gatos abandonados, o universitário Edurado Yamauchi desenvolveu um aplicativo que ajuda as pessoas a encontrar seus novos companheiros peludos.

Eduardo, de 24 anos, explica que o Adota Aqui foi projetado para que os pets encontrem uma pessoa responsável disposta a dar uma vida melhor para eles. Tanto os que desejam adotar quanto os que querem colocar animais para adoção precisam realizar um cadastro.

“O processo de registro é bem simples. Quando realiza o login no sistema, você pode acessar as opções. Você pode ver os cães disponíveis na cidade, os gatos ou mesmo realizar o cadastro de animais”.

Já o cadastro de cachorros e gatos passa por mais uma averiguação, além de serem informadas suas especificações como tamanho, idade, raça, sexo e até mesmo uma foto de qualidade.

“A partir do momento em que se registra os animais, ele passa por uma avaliação se está adequado, se a foto está clara para ser disponibilizada. Depois de aprovado, ele é disponibilizado para as pessoas que querem adotar”, explica o desenvolvedor.

Depois disso, o processo de adoção pode ter início. O interessado é conectado com a pessoa que registrou o animal e os dois podem conversar para acertar os detalhes da adoção.

O Adota Aqui foi lançado na PlayStore no dia 17 e já possui 872 instalações em todo o Brasil. Os donos de aparelhos com sistema iOS poderão adquirir o aplicativo gratuito em setembro, de acordo com o estudante, que faz Ciências da Computação na UFMT.

Porém, Cuiabá ainda possui poucos usuários em comparação com grandes Capitais, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Na Capital mato-grossense foram cadastrados seis gatos e apenas um cão.

“Eu vejo que o pessoal do Rio de Janeiro e Belo Horizonte está engajando muito mais que o próprio pessoal de Cuiabá. Em Belo Horizonte foram registrados sete cães e dois gatos. Lá no Rio de Janeiro tem três gatos e cinco cães registrados”, afirmou Eduardo.

Dois cachorros já foram adotados pelo Adota Aqui e mais dois estavam em processo de adoção até essa quinta-feira (23).

Superando expectativas
Eduardo não esperava que o Adota Aqui atingisse tantas pessoas e que ganhasse a mídia. Para ele, esse apenas um projeto pessoal.

“De repente começou a bombar, começou a ficar bem popular nas redes sociais. As pessoas começaram a se engajar bastante e acho que ainda tem bastante potencial para atingir”.

O jovem diz estar muito feliz com o aplicativo, mas não pela repercussão e sim por já ter conseguido ajudar a vida de dois cachorros que foram adotados.

“Essa está sendo a minha realização pessoal. E fico feliz que seja uma ideia que as pessoas estão gostando porque a gente precisa disso”, confessa Eduardo.

Ele também acredita que a tecnologia deve ser utilizada para resolver os problemas sociais e tornar a vida dos brasileiros melhor.

“Para mim, a tecnologia tem que ajudar a sociedade. O Brasil é um País com muitos problemas, a tecnologia tem que vir para abraçar esses problemas e ajudar na resolução”, completa.

Amor pelos animais
O jovem conta que sempre foi engajado nas causas dos animais e sempre se preocupou com a questão de cachorros e gatos abandonados nas ruas.

“Vejo que muitas pessoas são muito maldosas, abandonam animais, deixam na rua ou até mesmo não cuidam”.

O estudante também percebeu que havia uma grande demanda pela facilitação do processo de adoção dos bichos.

“Eu comecei a observar que alguns amigos queriam adotar e tinham certa dificuldade em conseguir achar animais. Assim como eu via que havia pessoas que tinham alguns filhotes de cães ou gatos e não conseguiam encontrar uma pessoa que realizasse essa adoção”, revela.

Com isso, ele notou que faltava uma plataforma única para agregar e facilitar o processo.

“Não tem uma plataforma que unifica essa parte de adoção. Precisa entrar em Facebook, Instagram ou da maneira convencional que é o boca a boca. Aí por que não desenvolver uma plataforma para gestar todas essas adoções ou encontrar animais que você quer adotar?"

Além disso, Eduardo ainda acredita que pode ajudar a solucionar um problema social que começa a atingir Cuiabá.

“A coisa dos animais abandonados está começando a virar um problema social realmente grande nas capitais. Há muitos animais sem castração, abandonados, que têm uma ninhada e deixam abandonados. Eles crescem, se reproduzem e acabam se tornando um problema público, social”, afirma.

A coordenadora da ong Organização Protetora dos Animais de Mato Grosso (OPA-MT), Michele Scopel, afirma que o aplicativo auxilia na divulgação dos processos de adoção.

“Seria apenas mais uma ferramenta de divulgação porque já temos tantas redes sociais hoje em dia”, disse.

A OPA possui mais de 125 animais disponíveis em diversos abrigos pelo Município, porém ainda não utilizou a nova plataforma.

Preocupações
Por ser seu primeiro aplicativo e ainda estar nas fases iniciais, o jovem programador enfrenta algumas dificuldades tanto no processo de desenvolvimento quanto nas próximas atualizações.

Em dois meses, durante a produção do Adota Aqui, Eduardo precisou lidar com problemas, porém ele levou isso como um processo de aprendizado.

“Fazer um sistema do começo até o fim é um problema. O tempo todo a gente tem desafios, a gente tem problemas, mas a gente é ensinado que com esses problemas é que se aprende”, diz.

Porém ele alerta que sua principal preocupação é de que o aplicativo seja usado por pessoas mal intencionadas para o comércio de cães e gatos.

“Essa é a minha preocupação número um. Tanto que eu deixo até alertando a respeito da própria venda. É estritamente proibido nesse aplicativo realizar a compra e venda de animais. É apenas e exclusivamente para adoção”.

O estudante pretende criar um sistema para que os usuários denunciem a venda na plataforma. Ele diz ainda que vai implantar uma inteligência artificial que vai fiscalizar o comportamento inadequado e banir essas pessoas.

“Pretendo ainda melhorar bastante em relação a isso. Nas próximas atualizações terá uma prevenção, um sistema de reporte contra um usuário que está realizando a venda de animais”, revela o programador.

A OPA também possui a mesma preocupação. A ong alerta que as pessoas estão em busca de animais que sejam esteticamente bonitos, de raça, com muito pelo, que sejam miniaturas ou gigantes.

“O grande problema não são os veículos de divulgação, mas as pessoas que querem adotar, elas exigem demais. Tem que dar chance para os outros animais porque eles transmitem amor igual aos outros”, explica Michele.

Proteção aos animais
Em 2017 a Prefeitura aprovou uma lei que prevê a criação de um disque denúncia contra maus-tratos de cães e gatos e da Diretoria de Bem-Estar Animal.

O projeto ainda determinou que os animais abandonados ou vítimas de maus-tratos e atropelamentos sejam resgatados e encaminhados para abrigos ou entidades conveniadas e devem, ainda, passar por tratamento médico.

A adoção também faz parte da lei. Os adotantes devem assinar um termo de responsabilidade e receberão visitas de autoridades que irão verificar a qualidade de vida do animal.

Aqueles que descumprirem a lei poderão ser multados em até R$ 200 mil.

Só em julho, duas leis que contribuem para a proteção de animais foram aprovadas em Cuiabá e Mato Grosso.

No dia 11, a Assembleia Legislativa aprovou um projeto que proíbe o extermínio de cães e gatos para fins de controle populacional.

A lei também determina que Estado e Municípios promovam a identificação desses animais  com microchips implantados na pele para identificá-los, relacioná-los com seu responsável e armazenar dados sobre a saúde deles.

Já no dia 28, a Câmara de Cuiabá promulgou a lei que prevê a castração de cães e gatos abandonados, abrigados em lares humildes ou resgatados por protetores independentes e de ongs cadastradas na Prefeitura.

A lei também obriga o Município a ampliar o Centro de Zoonoses além de construir uma policlínica animal.

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