Denúncia

Pedófilos usam YouTube para trocar informações sobre vídeos de crianças

Plataforma diz que está tomando ''medidas agressivas'' para conter o problema. Empresas como Disney e McDonald's retiraram anúncios de vídeos após divulgação de polêmica.

22 de Fevereiro de 2019 as 03h 25min

Denúncias afirmam que a configuração da rede facilitava o contato entre pedófilos e acesso a vídeos de crianças. — Foto: Reuters/Dado Ruvic

Uma polêmica explodiu sobre o YouTube durante esta semana. Em vídeo, um dos produtores de conteúdo da plataforma, Matt Watson, fez uma crítica ao YouTube e mostrou o que ele chamou de “falha” : uma rede de pedófilos utiliza termos como “girls bikini” para encontrar vídeos de crianças em roupas de banho, praticando esportes ou na praia.

Esses usuários usavam o espaço de comentários para instruir as crianças e adolescentes na gravação de vídeos, mantinham contato uns com os outros, sinalizavam frames de vídeos em que havia maior exposição das crianças e até trocavam vídeos não listados nas buscas do YouTube.

De acordo com Watson, eles também baixavam os vídeos e faziam upload deles em seus próprios canais para evitar que fossem removidos pelos usuários originais.

No vídeo, Watson mostra que uma conta recém-criada no YouTube pode chegar a alguns dos vídeos usados por esses pedófilos em questão de cinco cliques, pela maneira como a rede de vídeos recomenda conteúdo aos usuários. Para ele, o mais chocante é que alguns desses vídeos são monetizados e exibem propaganda. “Isso é exploração infantil”, disse.

Para provar seu ponto, Watson usa uma VPN para realizar uma nova conexão e uma conta nunca antes usada. Com alguns cliques, ele está em um vídeo de meninas pequenas de biquini, que tem quase 1 milhão de visualizações, com uma barra lateral de recomendação cheia de vídeos semelhantes.

Alguns dos vídeos que são recomendados para ele nesse momento têm títulos em português. Segundo o YouTube, toda a polêmica ainda está "em processo de investigação, então neste momento não temos informações sobre impactos no Brasil. Se for o caso, tomaremos eventuais medidas junto às autoridades competentes.”

O problema gerou comoção nas empresas que fazem anúncios no Youtube. Nestlé, McDonald's, Disney, Epic Games, AT&T e outras companhias retiraram seus anúncios da plataforma após a polêmica.

Watson afirma que ele não é o primeiro a falar disso e mostra algumas reportagens que já apontavam para um problema semelhante.

O que diz o YouTube

Uma porta-voz do YouTube no Brasil afirmou que a plataforma passou as últimas 48h tomando “medidas agressivas” para acabar com esse problema: mais de 400 contas foram deletadas nos últimos dias, milhares de vídeos removidos da plataforma e dezenas de milhões de comentários foram deletados.

“Fechamos os canais e reportamos todos esses comentários e material para as autoridades competentes nos Estados Unidos para que possam conduzir investigações nesse sentido. Temos um trabalho muito próximo das autoridades quando se trata desse assunto”, disse a porta voz ao G1.

Segundo o YouTube, os vídeos não são postados com esse contexto inicialmente e muitos deles mostram filhos das pessoas e crianças em atividades corriqueiras. “Nós tiramos esses vídeos do ar. Eles são postados de forma inocente e tirados de contexto”.

O YouTube também deixou claro que tem uma política restrita de idade e que não permite que crianças menores de 13 anos criem contas na plataforma. Essa medida é parte de uma determinação internacional chamada COPPA (Ato de Proteção Online à Criança, na sigla em inglês), que estabelece diretrizes para a proteção à vida privada das crianças na internet.

Leia a íntegra da nota divulgada pelo YouTube ao G1:

“Qualquer conteúdo — incluindo comentários — que coloque menores em perigo é repulsivo e temos políticas claras que proíbem isso no YouTube. Nós tomamos ações imediatas, removendo contas e canais, reportando atividades ilegais às autoridades e desabilitando comentários em dezenas de milhões de vídeos que incluem menores de idade. Ainda há mais a ser feito e continuamos a trabalhar para melhorar e identificar abusos mais rapidamente.”

Fonte: Thiago Lavado | G1

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