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Automedicação: Um risco desnecessário

Hoje em dia é muito comum qualquer pessoa chegar à farmácia e pedir um remédio sem precisar de receita médica

Saúde | 11 de Julho de 2018 as 17h 30min
MT Agora - Cenário MT

Hoje em dia é muito comum qualquer pessoa chegar à farmácia e pedir um remédio sem precisar de receita médica. O farmacêutico Reginaldo dos Reis Gontijo alerta sobre os perigos da automedicação. Segundo ele, “muitas vezes a pessoa não sabe a causa da dor, por exemplo uma dor de cabeça. Já vi muitas pessoas pedirem Ibuprofeno, um produto novo, que está na fase 4 de testes, ainda não se sabe todos os efeitos colaterais que o medicamento pode provocar, e a pessoa quer tomar indiscriminadamente”.

Como relata Reginaldo, “é comum a pessoa chegar na farmácia e pedir um medicamento bastante conhecido, um relaxante muscular composto principalmente de diclofenaco sódico, e querer tomá-lo para curar uma dor de cabeça. Vai melhorar, mas e as consequências? Porque tomado a longo prazo vai atacar os rins e ainda pode ocorrer a intoxicação do fígado. O remédio é usado como anti-inflamatório, medicamento que tem que ser tomado 3 vezes ao dia, durante no máximo 5 dias. Só que tem pessoas que tomam todos os dias, para acalmar as dores. A dor vai passar apenas enquanto durar o efeito do medicamento (cerca de 8 horas), porém a pessoa fará uso todos os dias, e não é aconselhável. Os riscos são muito grandes, e a pessoa talvez não tenha esse conhecimento”.

Reginaldo ressaltou que foi exatamente por causa da automedicação os antibióticos tiveram a venda proibida sem receita médica. Segundo ele, até hoje pessoas procuram por antibióticos sem portar receita médica, até mesmo para curar uma simples dor de garganta. “Existe o risco da bactéria que causa a dor de garganta ficar resistente ao medicamento, até mesmo quando a pessoa não segue a posologia descrita na receita. Por isso existem as chamadas “superbactérias”, mais resistentes aos medicamentos já utilizados e que podem fazer com que a pessoa venha a falecer.

O farmacêutico acrescentou que “fala-se que os antibióticos que estão no mercado durarão apenas mais 20 anos. De agora para frente tem-se que descobrir coisas novas, porque os antibióticos que temos hoje têm apresentado muitos casos que não estão obtendo mais cura. Há casos de pessoas que chegam com exames comprovando que de 20 tipos diferentes de antibiótico, a bactéria já é resistente a 18. Então, essa pessoa transmite a doença já com resistência. Esse é um problema não só para o paciente, mas para toda a sociedade”.

É tão preocupante a questão da automedicação aliada à falta de informação do consumidor, que Reginaldo revela que “o paracetamol, medicamento vendido indiscriminadamente no Brasil, teve sua comercialização proibida na Europa, pois havia pessoas usando essa substância para cometer o suicídio. A dengue hemorrágica, por exemplo, ocorria porque apesar do paracetamol ser prescrito com determinada posologia, as pessoas faziam uso excessivo, descumprindo ordens médicas, e dava hemorragia. Já existem alguns estudos falando sobre isso, que não existia dengue hemorrágica, o problema era a intoxicação pelo paracetamol. Tanto que hoje os médicos indicam o uso da dipirona”.

Reginaldo ainda faz mais um alerta, quanto à dosagem usada. “Tem muita gente que na posologia está descrito que é para tomar UM comprimido, aí a pessoa tomas DOIS ou mais, para se livrar logo da dor. Não sabe que com essa atitude pode causar uma lesão no fígado, ou problema ainda mais sério. As pessoas têm que tomar muito cuidado com o uso de remédios, pois há medicamentos cuja dosagem tem a linha tóxica muito próxima da linha terapêutica. Um desses medicamentos é a digoxina (para o coração), de 0,25 mg. Se a pessoa tomar dois comprimidos (0,50 mg), ela morre. Também tem o caso do ‘Viox’, que quando lançaram foi uma coisa de primeiro mundo, o remédio que inibe a dor antes dela ser formada. Inovador, porém matou mais de 200 idosos nos Estados Unidos, porque inibe as contrações do coração, que também é um músculo.  Tem pessoas que quando a gente está indicando algum medicamento (nós, farmacêuticos, podemos indicar alguns deles) tem outra pessoa ao lado indicando outro remédio para tomar associado. As pessoas não conhecem o medicamento, seus efeitos colaterais, sua posologia, indicações e contraindicações, mas querem ‘dar uma de médico’. Isso é muito perigoso.

Reginaldo, que é formado em Farmácia e Bioquímica há 8 anos, porém trabalha no balcão de drogaria há 25, faz um desabafo quanto à falta de ética. “Tem que ter consciência. Tem clientes que chegam aqui na farmácia e pedem um antibiótico sem receita médica. Quando nós dissemos que não vendemos, que é proibido, a pessoa fala que vai ali em outra farmácia que ela consegue. Nem todo mundo tem consciência, fabrica a receita e vende. Eu mesmo já vi em Goiânia um caso que a Vigilância (Sanitária) chegou na farmácia para fazer a fiscalização e achou um bloco de receituário, carimbo de médico com CRM e tudo. Medicamentos controlados, com receita B1 e C1 já têm um controle mais rígido, porém antibióticos ainda não. Ainda tem gente que faz muita falcatrua para vender. A fiscalização tinha que ser mais rígida, pois são conferidas as vendas de medicamentos B1 e C1 (controlados), mas não são conferidas as receitas de antibióticos. Poderia ser mais rígido esse controle. Infelizmente tem pessoas que só pensam no dinheiro, não pensam no bem-estar do próximo.

Reginaldo ressalta que é fundamental a consulta médica, quando o profissional avalia criteriosamente as condições de saúde do paciente e avia a receita com os medicamentos que o caso requer, sejam antibióticos ou não.

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