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Em plena greve, donos de carros elétricos escaparam das filas

Cuiabá já tem eletroposto; Preço elevado ainda é entrave ao crescimento do mercado

Sem Crise | 03 de Junho de 2018 as 19h 52min
MT Agora - Mídia News

A falta de combustível nos postos foi o primeiro reflexo da greve dos caminhoneiros. O desabastecimento de gasolina, álcool e diesel gerou filas, incerteza e motivou muitos motoristas a deixarem seus carros na garagem.

No meio desse cenário, o impacto foi bem menor para um grupo de mato-grossenses pioneiros. São os proprietários dos 100 primeiros veículos elétricos a rodar nas ruas e avenidas do Estado.

O empresário Jules Ignácio comprou o seu primeiro modelo, um BMW i3 totalmente elétrico, há cerca de um ano. Durante os 10 dias de paralisação, ele contou que, mesmo sentindo os efeitos do bloqueio em outras áreas, pôde até brincar com os amigos em relação à falta de combustível.

"A paralisação dos caminhoneiros afetou a todos e, por mais que isso reflita em tudo, desde os negócios até os supermercados, o que sentimos primeiro e claramente foi a falta de combustível. E eu aproveitei para brincar um pouco com meus amigos: ‘não sei o seu, mas o meu tanque tá cheio’", conta o empresário.

Além da independência dos postos, Jules destaca a maior autonomia e um menor custo como vantagens desses modelos. "Obviamente que você depende da energia elétrica, mas isso é mais difícil de acabar. Eu gasto de R$ 9 a R$ 10 para, digamos, encher o tanque, e ando 100km. Hoje, com R$ 9 seriam dois litros de gasolina, ou seja, fazendo 10 km por litro, andaria apenas 20 km", comparou.

Mesmo assim, a evolução da frota ainda é lenta. O desenvolvimento do mercado esbarra, principalmente, no preço ainda muito elevado – um carro com motor hibrido custa em média R$ 40 mil a mais do que outro com mesmo desempenho e motor à combustão.

Jules diz que seu interesse pelo carro elétrico se deu por três motivos: a exclusividade, o fato de não mais depender de postos e seu menor impacto ao meio-ambiente.

“Você não tem que abastecer de maneira nenhuma. Ainda há uma questão de tecnologia, de estar à frente do seu tempo. Eu me considero uma pessoa antenada, que gosta de novidade. E é um carro que chama a atenção", diz.

Jules é um dos dez mato-grossenses que possuem um carro totalmente elétrico. O modelo foi adquirido por R$ 160 mil.

Além dos atrativos já comentados pelo empresário, o carro ainda tem baixo custo de manutenção. 

“Algumas pessoas falam: ‘o que vou economizar com combustível, justifica o preço’. Mas ainda não é bem assim. Neste carro eu paguei R$ 160 mil, então não é por isso que uma pessoa vai optar por comprar um carro desses”, explica o empresário.

Outro item que chama a atenção de quem compra um carro elétrico é que o veículo é totalmente automatizado.

“Uma coisa interessante é que eu faço tudo pelo celular. Ligo o carro, tranco o carro... Em dias quentes, você pode programar o ar condicionado do carro para funcionar antes de entrar nele. Não é preciso estar próximo dele, ele usa a rede”, explica o empresário. 

O design também foi um dos chamarizes para a compra do veículo. “Esses carros são inovadores em tudo. Desde o design até o modo de abrir a porta”, diz. 

O modelo elétrico da BMW tem as portas traseiras abertas para o lado esquerdo, o oposto das dianteiras.

Em Cuiabá, a Volvo trabalha com o modelo XC 90, um veículo híbrido que custa em média R$ 430 mil. O gerente-comercial da Estocolmo Volvo Cars, Sergio Guedes Junior, explica que o modelo chega a ter uma autonomia maior que carros de motor a combustão.

O carro elétrico do empresário Jules Ignácio possui uma autonomia de, com carga total, 100 km. Para que isso seja feito o carro deve ficar carregando de 2h30 a 8h, dependendo da potencia enérgica do local.

No Brasil, as concessionárias cedem a instalação de um carregador que diminui o tempo de carga do veículo.

“Nesse carregador, o carregamento dura em torno de 2h30. Em casa, dependendo da rede, esse tempo varia de duas e meia a oito horas – você tem um carregador inteligente para escolher a amperagem da carga. O ideal é você usar o carro durante o dia, e deixar carregando durante a noite”, disse o gerente-comercial. 

Mercado
Para fomentar o mercado de carros elétricos no Estado, no fim do mês de maio foi aberto em Cuiabá um "eletroposto" no estacionamento da sede da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), no Centro Político Administrativo.

O espaço surgiu de uma parceria entre a federação – que cedeu o espaço –, a concessionária Volvo e a Energisa. A energia do espaço é fornecida por placas solares.

O diretor da Fiemt, Carlos Avalone Junior, acredita que, com a implementação dessa primeira iniciativa, o mercado ganhe impulso para crescer.  

“O que vai fazer aumentar o número de carros serão mais postos desses. Porque a pessoa pensa, eu vou ter um carro elétrico e como eu faço? A Federação já se comprometeu a viabilizar um posto, em cada ponto do Estado, com parceria entre empresas”, disse.

Outro fator que ainda amarra o mercado de carros elétricos no Brasil é incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que é a mesma dos veículos à combustão: 25%. O setor exige que a alíquota, neste segmento, seja reduzida para 7%. 

A expectativa é de que o Ministério da Indústria e Comércio (Mdic) anuncie a redução ainda este ano. 

“Se tirarmos essa carga de imposto, conseguiremos ter uma paridade entre os preços, o que irá incentivar ainda mais a utilização do carro elétrico”, afirma Avalone.

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