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Professor retira mama após descobrir câncer ao brincar de ''lutinha'' com o filho em MT

César Pereira de Lima, de 46 anos, contou que brincava com o filho de 7 anos quando sentiu uma dor enorme na mama e percebeu que havia algo errado.

Câncer Raro | 06 de Novembro de 2018 as 23h 06min
Fonte: Lidiane Moraes | G1 MT

César Pereira de Lima e a mulher dele, Caren — Foto: Arquivo pessoal

O professor universitário César Pereira de Lima, de 46 anos, faz tratamento contra o câncer desde fevereiro de 2016, quando descobriu a doença. Ele procurou um médico depois de sentir dores ao brincar com o filho mais novo, de 7 anos, em Cuiabá, onde mora com a família. O câncer de mama em homens é raro.

Após sentir uma forte dor, ele procurou um médico e um nódulo de 0,4 centímetros foi identificado. "Estávamos brincando de 'lutinha' quando ele deu um golpe no meu peito esquerdo, soco fraco, de criança, mas senti uma dor enorme. Naquele momento percebi que havia algo errado", disse o professor.

Ao perceber que a dor era além do que seria normal naquela situação, César se lembrou que dias antes havia observado uma retração da mama. “Na época não dei muita atenção, achei que fosse algo passageiro e que voltaria ao normal”, contou.

Depois do diagnóstico de câncer, ele passou por uma cirurgia para a retirada da mama, em 2016. À época, o tumor já tinha evoluído para 0,6 centrímetros. Na sequência, passou por 18 sessões de quimioterapia e 25 de radioterapia.

“Eu fiquei em choque, porque, como é uma doença mais comum no universo feminino, a gente nunca pensa que vai acontecer conosco”, relatou.

Segundo ele, o apoio da família e dos amigos foi muito importante para superar o diagnóstico e enfrentar o tratamento.

“No início, minha mulher ficou muito triste. Ela pensava que fosse um diagnóstico de morte, mas juntos conseguimos superar”, relatou.

Ele contou ainda que conversou com os filhos e eles compreenderam. Inclusive, acompanharam o pai e deram força em muitas sessões de quimioterapia.

César começou o tratamento em abril de 2016 e concluiu em fevereiro de 2017.

Novo diagnóstico

Quanto estava perto de terminar as sessões de radioterapia, o professor fez um exame que diagnosticou manchas no pulmão. Após as análises, os médicos informaram que a doença havia se espalhado.

Ao encerrar o tratamento da doença na mama, César começou a quimioterapia contra o câncer nos pulmões, diagnosticado em estágio inicial.

Por ser metástase, casos considerados mais difíceis de eliminar, o professor deverá fazer quimioterapia por toda a vida. "Desde que descobrimos as manchas no pulmão, faço uma sessão de quimio todos os meses”, disse.

Afastamento do trabalho

Em razão do estresse ocasionado pelo excesso de trabalho, os médicos pediram que César se afastasse e deixasse a sala dele. “Eu já tive cerca de dois mil alunos e dava aulas de manhã, à tarde e à noite”, contou. Em dois anos, ele poderá se aposentar por tempo de serviço.

Superação

Ao G1, o professor César, que também trabalhou muitos anos como representante comercial, disse que o diagnóstico proporcional uma mudança radical de vida.

Os três turnos preenchidos com aulas em instituições de ensino superior e a atividade de representante deram espaço a caminhadas, às brincadeiras com os filhos e a uma atividade que traz muita satisfação, que é o cuidado com áreas verdes: plantio de árvores e reposição de plantas.

Atualmente, César também se dedica a dar palestras em igrejas e instituições para conscientizar as pessoas não apenas sobre a doença, mas sobre o meio ambiente e urgência em preservá-lo.

“Eu me sentia muito realizado com que fazia antes. Precisei ouvir de três médicos que eu deveria parar de trabalhar, porque o estresse gerado pelo excesso de trabalho atrapalhava o tratamento”, contou.

Segundo ele, a mudança de vida gerou nova consciência. “Eu deixei um legado junto aos meus alunos, mas agora luto para deixar outro legado que é a conservação ambiental”, afirmou.

Dados

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Brasil, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres. Cerca de 1%, no entanto, atinge homens.

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