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Vídeos machistas de torcedores na Rússia se espalham pela web e causam revolta

Caso de brasileiros que fazem russa repetir nome de órgão sexual foi muito criticado nas redes sociais. Episódios semelhantes envolvendo colombianos e argentinos também já circulam na internet.

Revolta | 20 de Junho de 2018 as 00h 00min
MT Agora - G1

Atitude desrespeitosa de torcedores brasileiros na Rússia causa indignação e protestos

Atitudes machistas de torcedores na Copa do Mundo da Rússia vêm gerando polêmica com a divulgação de vídeos em que mulheres são constrangidas ao repetirem palavras ofensivas em idiomas que não conhecem.

O caso que gerou maior repercussão no país envolve um grupo de brasileiros que, sob o pretexto de ensinar cantos de torcida, fez com que uma jovem repetisse palavras que remetem ao órgão sexual feminino. Ela sorri e repete animada.

Três dos integrantes do grupo que aparece no vídeo já tiveram seus nomes revelados (veja abaixo) e o vídeo provocou indignação inclusive entre celebridades.

Pessoas como as cantoras Ivete Sangalo e Daniela Mercury lamentaram o que chamaram de “papelão machista” e “abuso moral” em posts no Twitter. As críticas foram apoiadas por Fafá de Belém, Alok, Mariana Rios e Zezé di Camargo, entre outros.

A atriz Monica Iozzi se disse “constrangida por ver meu país sendo representado mundo afora por este tipo de gente. Indignada ao ver mais uma mulher sendo tratada com tamanho escárnio e desrespeito”, e comentários parecidos foram feitos por Fernanda Lima, Sophia Abrahão e Bruna Marquezine.

Outros casos

Um exemplo ainda mais recente aconteceu nesta terça-feira (19), após o jogo entre Japão e Colômbia, quando um colombiano foi filmado pedindo que duas japonesas repetissem o placar da partida e, em seguida, palavras ofensivas a si mesmas.

Antes, argentinos já tinham feito coisa parecida com mulheres de nacionalidades não identificadas, ensinando-as a repetirem palavras em espanhol que claramente não entendem, e que fazem referência a uma prática sexual.

Repercussão

O governo colombiano se manifestou chamando de inaceitável o comportamento de seu torcedor. "Não apenas degrada a mulher, insulta outras culturas, nosso idioma e nosso país. Inaceitável maltratar uma mulher aproveitando-se das barreiras do idioma”, diz parte da mensagem.

Os responsáveis pelo vídeo argentino também foram muito criticados em redes sociais, mas ainda não foram identificados.

Brasileiros identificados

Três dos integrantes do grupo que aparece no vídeo brasileiro já foram identificados e dois deles serão alvo de investigação e processo administrativo por entidades de seus setores de atividade.

Luciano Gil Mendes Coelho é natural de Picos e ex-membro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (Crea-PI), que ficou de se posicionar sobre o caso. Ele foi o único a se manifestar até o momento.

"Já pedi desculpas a todas as mulheres. Todos nós somos seres humanos e erramos e além disso não conhecíamos ninguém, bebemos um pouco mais da conta e foi isso. Alguém que não conheço filmou. Mas aqui todos estavam brincando e todos entendem a agitação, mas mulheres realmente têm razão em questionar", declarou ao G1 nesta terça (19).

Diego Jatobá, advogado e ex-secretário de Turismo de Ipojuca, município da região metropolitana do Recife, foi alvo de uma nota de repúdio da OAB-PE, que anunciou nesta segunda-feira que sua conduta será investigada pela Comissão da Mulher Advogada, que encaminhou a denúncia ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da ordem.

De acordo com o presidente da OAB-PE, Ronnie Duarte, Diego Jatobá pode ter infringido o Código de Ética e Disciplina da Advocacia.

O vídeo também foi alvo de um ato de repúdio da Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Já Eduardo Nunes é tenente da Polícia Militar em Lages, Santa Catarina, e será submetido a um processo administrativo disciplinar quando retornar ao Brasil.

"A corporação não corrobora com este tipo de atitude que é incompatível com a profissão e o decoro da classe, previsto no regulamento disciplinar, independentemente de estar em período de férias, folga de serviço ou qualquer outra situação de afastamento, devendo portanto, responder por suas atitudes", diz a PM em nota divulgada nesta segunda.

Manual argentino

Antes mesmo do início da Copa, uma situação envolvendo machismo na Argentina fez com que a associação de futebol do país pedisse desculpas publicamente. Em maio, durante um curso em Buenos Aires oferecido a jornalistas credenciados para cobrir o evento, com dicas sobre o idioma e a cultura russa, foi distribuído um manual, no qual um dos capítulos tinha como título “O que fazer para ter alguma chance com uma garota russa”.

O tópico incluía oito dicas, entre elas “lembre-se de que muitas (russas) não sabem muito sobre seu país, você é novo e diferente, esta é sua vantagem sobre os russos” e “normalmente russas se importam com coisas importantes, mas é claro que você também vai encontrar aquelas que só ligam para coisas materiais, dinheiro ou se você é bonito...”.

Depois que os jornalistas questionaram o conteúdo e um deles publicou uma foto do texto em seu perfil no Twitter, a Associação recolheu o material, disse que ele foi impresso “por engano” e pediu desculpas.

Machismo russo

Os autores dos vídeos da Copa podem até sofrer algum tipo de resposta negativa em seus países de origem, mas dificilmente seu comportamento será censurado na própria Rússia, onde o machismo ainda é dominante e as mulheres encontram muita dificuldade em conseguir algum apoio.

Para começar, o país sequer possui alguma lei contra assédio sexual, e denúncias do tipo não são levadas muito a sério mesmo quando a vítima apresenta provas concretas.

Em março deste ano, por exemplo, a jornalista Farida Rustamova revelou ter entregue à BBC russa uma gravação de 24 de março de 2017, na qual o parlamentar Leonid Slutsky afirmou que ela seria sua amante, durante uma entrevista na qual também passou a palma da mão “nas partes baixas” de seu corpo.

Outras duas jornalistas também já se queixaram de conduta sexual imprópria do mesmo político, mas a Casa Baixa da Assembleia Federal da Rússia, afirmou que a culpa de Slutsky não foi comprovada e pediu que as supostas vítimas relatassem os casos ao Comitê de Ética do Parlamento.

"Vamos deixar a política para os políticos. Vamos checar isso (as denúncias). Mas uma história sempre tem dois lados", disse o porta-voz do Parlamento, que acrescentou que se jornalistas mulheres tiverem medo de cobrir o Parlamento russo devem procurar trabalho em outro lugar.

O porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, Dmitri Peskov, também se manifestou sobre o caso desconfiando das jornalistas. Ele disse que se as alegações contra Slutsky fossem verdadeiras, as mulheres deveriam ter falado mais cedo, e sugeriu que as acusações podem ter sido feitas agora porque assédio sexual se tornou "fashion".

Peskov falou mal ainda das atrizes que acusaram o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, preso sob acusações de estupro e ato sexual criminoso, de “prostitutas”, dizendo que elas viraram estrelas e "fizeram coisas que não são compatíveis com o conceito de honra e dignidade".

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