Cidades Lucas do Rio Verde
Projeto no Cras III evita desperdício de alimentos e beneficia 59 famílias
O reaproveitamento de alimentos tem mudado a rotina de muitas famílias em situação de vulnerabilidade em Lucas do Rio Verde. A ação faz parte de um...
13/01/2026 11h01
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Lucas do Rio Verde - MT

O reaproveitamento de alimentos tem mudado a rotina de muitas famílias em situação de vulnerabilidade em Lucas do Rio Verde. A ação faz parte de um trabalho desenvolvido pela Secretaria de Assistência Social e Habitação, por meio do Cras III, em parceria com o Instituto MBRF, através do projeto Acelera ESG.

Somente nos cinco primeiros meses de funcionamento do projeto, mais de cinco toneladas de alimentos passaram a ser aproveitados e chegaram à mesa de quem mais precisa, ajudando a complementar a alimentação e a reduzir os gastos do dia a dia. Desde o início das atividades, em 1º de agosto de 2025, já foram realizadas 228 entregas de cestas de alimentos, beneficiando cerca de 59 famílias atendidas pela unidade.

O processo começa com o apoio de alguns supermercados parceiros que se dispuseram a fazer as doações, como o Mercado Sacolão e as unidades do Mercado Primavera, que repassam frutas, verduras e legumes que não vão mais para o balcão de vendas, mas que ainda estão bons para consumo. Esses alimentos são recolhidos pela própria equipe do Cras III e levados até a unidade.

A primeira-dama e secretária de Assistência social e Habitação, Janice Ribeiro destacou que o resultado do projeto é fruto de um trabalho em conjunto, entre o Cras e as instituições envolvidas. “Esse projeto mostra como o trabalho da Assistência Social pode ir além do atendimento emergencial, conseguimos unir cuidado, responsabilidade social e parceria. Quero agradecer aos supermercados que acreditaram nessa causa e ao Instituto MBRF, por meio do projeto Acelera ESG, por caminharem junto com o Município, cada alimento doado representa dignidade para as famílias atendidas.”

A coordenadora do Cras III, Rosângela, explica que o projeto vai além da doação de alimentos.“Quando o alimento chega aqui, ele é separado, higienizado e organizado pelas próprias mulheres atendidas pelo Cras. Parte vai direto para as famílias e outra parte é usada nas oficinas. O mais importante é ver como esse processo transforma a vida de quem participa”, destacou.

(Foto: Ascom Prefeitura/Victor Pauletti)

Além de evitar o desperdício, a atividade abre caminhos para a geração de renda, fortalece a autoestima e cria novas possibilidades para o futuro das participantes.

A aposentada Nadir Terezinha Borges, de 64 anos, participa das atividades e conta que o reaproveitamento de alimentos trouxe alívio para o orçamento da casa. “Levar alimento pra casa ajuda muito a diminuir os gastos. Hoje a gente faz molho de tomate, doce de banana, doce de maçã. E o principal tempero que a gente coloca em tudo é o amor”, relata.

Os resíduos orgânicos que não podem ser usados para consumo viram adubos, que retorna para a terra e fortalece a produção da horta, que também faz parte do projeto. Cuidada pelos próprios usuários da unidade, ela complementa a alimentação das famílias e se tornou um espaço de convivência e bem-estar, como no caso da senhora Ivone Kasbung.

Ivone é acompanhada pelo Cras III e encontrou no projeto, um espaço de acolhimento e superação, em um momento difícil da vida. Após enfrentar um câncer de mama, ela passou a conviver com ansiedade, depressão e síndrome do pânico. Foi no Cras III que encontrou apoio para seguir em frente.“A horta e os projetos daqui foram uma terapia pra mim. Quando eu estava mal, eu vinha pra cá mexer com a terra, plantar, cuidar e depois colher, me ajudou a sair de casa e a não ficar sozinha com os meus pensamentos. Aqui eu criei vínculos, fiz amizades e me senti acolhida, o Cras é um lugar onde a gente é escutada e cuidada. Hoje eu me sinto mais forte pra continuar”, conta.

O trabalho coletivo, o cuidado com o cultivo e a colheita representam, para muitas famílias, um verdadeiro recomeço. O trabalho realizado no Cras III mostra que ações simples podem gerar grandes transformações. Ao reaproveitar alimentos, o município fortalece a economia verde, combate o desperdício e, principalmente, cuida das pessoas que mais precisam.