Política Trincheira
O teatro da eficiência: Ofício não é favor, mas também não é palanque para 'atrapalhador'
Na abertura dos trabalhos da Câmara, Hélio Kaminski cobra respostas do Executivo e recebe 'invertida' de Jackson Lopes; líder do prefeito sugere que excesso de papelada é tática para travar a máquina pública
03/02/2026 12h30 Atualizada há 3 horas
Por: Redação Fonte: Robson Alex - MT Agora

A sessão solene de abertura do ano legislativo de 2026 em Lucas do Rio Verde, que deveria ser apenas um brinde à harmonia entre os poderes, terminou com o primeiro "entrevero" público do ano. O vereador Hélio Kaminski subiu à tribuna com a metralhadora giratória voltada para o Paço Municipal, reclamando que seus ofícios de fiscalização estariam sendo respondidos com o silêncio ou com o famoso "juridiquês" evasivo. Mas a resposta veio rápida, ácida e com o carimbo do líder do prefeito, Jackson Lopes.

Kaminski não economizou no tom. Para ele, o gabinete "12 mais 1" só não produziu mais porque a prefeitura escolhe o que responder. "Ofício não é favor, não é pedido pessoal. É instrumento legal", disparou. O vereador sugeriu que a assessoria do prefeito Miguel Vaz falha ao filtrar documentos, o que, em suas palavras, desrespeita o cidadão e demonstra desorganização. O alerta foi em tom de ameaça: se o silêncio continuar, o "instrumento legal" vai cantar mais alto.

O contra-ataque do líder
A réplica de Jackson Lopes, porém, tirou o verniz de "fiscalizador" da fala de Kaminski. Sem citar nomes, mas com o alvo devidamente iluminado, Jackson sugeriu que há uma diferença abissal entre quem quer resolver o problema da cidade e quem quer apenas criar volume processual para fazer barulho político.

"Algumas pessoas resolvem as coisas por telefone. Uma ligação você resolve uma boca de lobo entupida", ironizou Lopes. O líder do governo foi além: afirmou que protocolar mais de 300 ofícios pode ser, na verdade, uma forma de "atrapalhar o processo público", movimentando o jurídico da prefeitura para dar respostas que poderiam ser obtidas em uma conversa simples. Para Jackson, 2026 não é ano para "gritar problemas", mas para trazer soluções para a mesa.

O xadrez de 2026
O que se viu ontem no plenário foi o ensaio do que será o tom eleitoral deste ano. De um lado, Kaminski tenta se consolidar como a voz da fiscalização técnica (e ideológica, já que não esqueceu de citar Flávio Bolsonaro e Wellington Fagundes em sua fala). Do outro, a base do governo, blindada pela aprovação recorde de Miguel Vaz.