Economia Negócios
Startup capta R$ 3 mi para digitalizar gestão patrimonial
Startup fundada por engenheiros ex-Poli USP e especialista do setor financeiro utiliza IA no WhatsApp para verticalizar jornada de investimentos; m...
23/02/2026 16h33
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A Mani, startup de planejamento financeiro e consultoria de investimentos, anunciou o fechamento de sua primeira rodada de captação. O aporte pre-seed — voltado a empresas que ainda estão estruturando o modelo de negócio e desenvolvendo o produto —, no valor de R$ 3 milhões (aproximadamente US$ 500 mil), foi liderado pelo fundo Stamina Ventures.

A rodada contou com a participação de Bernardo Parnes, ex-presidente do Deutsche Bank na América Latina, do Bradesco BBI e da Merrill Lynch; Carlos Tristan, fundador da Squid; e Daniel Roesler, da Galeria Nara Roesler.

A tese da Mani foca em resolver dores crônicas do investidor brasileiro: o conflito de interesses de grandes instituições e a fragmentação da jornada financeira. Para isso, a empresa está agregando tecnologia proprietária à jornada de investimentos, um modelo comum nos EUA, mas ainda incipiente no Brasil.

“O diferencial é o uso da inteligência artificial como uma interface de relacionamento prática via WhatsApp, enquanto o relacionamento, a estratégia de alocação de ativos e as decisões finais permanecem sob supervisão humana”, explica o cofundador Bernardo Faria. Segundo ele, o objetivo é “colocar mais ciência e menos apostas” em cada carteira.

A confiança dos investidores também se baseia no histórico dos fundadores. À frente da operação estão os engenheiros da Poli-USP André Bain e Nadav Peretz, que fundaram e venderam a Flowsense para o grupo americano DigitalReef em 2021. Completa o time Bernardo Faria, que traz a expertise de fintechs e do mercado financeiro tradicional.

A empresa nasceu de uma motivação que mistura tecnologia e vivência pessoal. Bain e Faria relatam que a ideia surgiu ao ajudarem familiares que tinham dificuldade em compreender o impacto das taxas e da falta de planejamento no longo prazo.

“A nossa ideia era atacar uma questão que enxergamos como um dos grandes problemas do país, que são as finanças pessoais e o planejamento do futuro. A expectativa de vida aumentou e a previdência não está evoluindo na mesma velocidade. Será um desafio para cada família garantir que todos tenham o seu sustento nessa longevidade. Então, olhamos esse contexto social, do mercado [bancos, corretoras, assessores] e das nossas próprias vivências. Muita gente acaba não se preparando e tomando as melhores decisões”, diz Bain.

Bain destaca que a plataforma oferece um serviço personalizado com foco em decisões sofisticadas, segurança e eficiência. Diferente das corretoras tradicionais, a Mani opera no modelo “Fee-Only” (taxa fixa). A plataforma cobra uma porcentagem transparente sobre o patrimônio, eliminando comissões ou rebates sobre produtos específicos. “O cliente paga menos do que no modelo de comissão, e ainda tem um aconselhamento mais personalizado e alinhado”, reforça Bain.

Com o capital captado, a startup estima ter fôlego financeiro para cerca de 24 meses de operação. A meta é atingir o ponto de equilíbrio nesse período — quando as receitas passam a cobrir os custos —, com faturamento anualizado de R$ 4 milhões e uma base aproximada de 500 clientes qualificados.

“Estamos em um momento pivotal — o mercado de consultorias está crescendo rapidamente. Quem vai se diferenciar de verdade é quem souber combinar tecnologia, inteligência artificial e sensibilidade humana para guiar os clientes em suas grandes e pequenas decisões financeiras”, completa Nadav.

Atualmente, a plataforma já atende mais de 120 clientes, organizando a vida financeira em seis pilares, que vão desde a reserva de emergência até a sucessão patrimonial e diversificação internacional.