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Brasil lidera em mulheres na liderança, mas desafio persiste
Estudo da Grant Thornton aponta que igualdade de gênero segue impulsionando desempenho no middle market, enquanto empresas enfrentam pressão de tal...
12/03/2026 16h08
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O Brasil segue entre os mercados com maior participação feminina em cargos de alta liderança no mundo, segundo o estudo Women in Business 2026, da Grant Thornton. Inserido em uma América do Sul que lidera o ranking global, com 37% de mulheres em posições de senior management, o país registra avanços consistentes ao longo dos últimos anos — mas o ritmo atual ainda exige atenção para que esse progresso se mantenha sustentável.

O levantamento mostra que, globalmente, a participação de mulheres na alta liderança do middle market recuou 1,1 ponto percentual, alcançando 32,9% em 2026. O dado reforça que o avanço da equidade de gênero não é linear e pode sofrer retrocessos quando deixa de ser tratado como prioridade estratégica. Mantida a trajetória atual, a paridade de gênero em cargos de liderança só será alcançada em 2051.

Outro indicador que chama atenção é que 5,7% das empresas ainda possuem equipes de liderança totalmente masculinas, número que voltou a crescer no último ano. Ao mesmo tempo, o estudo mostra que a maioria das empresas continua comprometida com a agenda: 92,7% mantêm iniciativas de diversidade e inclusão, e 36,8% pretendem implementar novas medidas nos próximos anos.

Para a Grant Thornton, o cenário brasileiro é positivo, mas exige atenção contínua. "Vimos bons avanços aqui no Brasil, mas é importante não estagnarmos neste patamar. Ainda precisamos trabalhar mais e estabelecer novas metas, ou corremos o risco de que o progresso obtido se torne insustentável e frágil", afirma Élica Martins, sócia de Auditoria da Grant Thornton Brasil.

Igualdade de gênero como estratégia de crescimento

O estudo evidencia que a igualdade de gênero está diretamente associada ao desempenho empresarial. Entre as empresas do middle market que pretendem ampliar suas iniciativas nessa agenda, 73% registraram crescimento de receita acima de 5%, 56,2% aumentaram o número de colaboradores e 48,8% ampliaram as exportações em 2025.

Além dos resultados financeiros, executivos também reconhecem impactos positivos na gestão: lideranças mais diversas contribuem para maior inovação, decisões mais assertivas e melhor desempenho organizacional. Os dados reforçam que a diversidade de gênero deixou de ser apenas uma pauta institucional e passou a ocupar um papel central na estratégia de negócios — especialmente em um ambiente econômico cada vez mais complexo e competitivo.

Talentos e investidores aumentam pressão sobre empresas

O relatório mostra que a agenda de diversidade também passou a influenciar decisões de carreira e investimento. 91,9% dos líderes do middle market afirmam considerar as políticas de igualdade de gênero ao avaliar uma nova oportunidade profissional, e 23% das empresas relatam que candidatos já perguntam sobre o equilíbrio de gênero na liderança durante processos seletivos. Ao mesmo tempo, 26,5% das organizações afirmam ter sido questionadas por investidores sobre diversidade na alta gestão ao longo do último ano.

No Brasil, esse movimento ganha ainda mais relevância diante da disputa crescente por profissionais qualificados e da maior exigência por práticas robustas de governança. "Não basta ter iniciativas internas; é fundamental torná-las visíveis, mensuráveis e conectadas à estratégia do negócio", reforça Élica Martins.

Mid-market assume protagonismo na agenda

O estudo também aponta que empresas de médio porte têm desempenhado papel central na manutenção das políticas de diversidade, mesmo em um contexto global no qual algumas grandes organizações reduziram investimentos em programas de DE&I.

Esse movimento tem atraído talentos experientes. Entre mulheres contratadas recentemente para cargos de liderança, 43,5% vieram de empresas com mais de 500 funcionários, indicando uma migração de profissionais para organizações que mantêm compromissos claros com inclusão e equidade.

Alerta para o futuro

Apesar da liderança regional, a desaceleração global no avanço da equidade de gênero e o recuo de algumas empresas em suas políticas de diversidade acendem um sinal de alerta. Para Grant Thornton, acelerar o ritmo será essencial para que os avanços conquistados ao longo das últimas décadas não se percam.

"O middle market é um dos motores da economia brasileira e global. Garantir que a liderança reflita a diversidade da sociedade não é apenas uma questão de equidade, mas também de competitividade, resiliência e crescimento sustentável", conclui Élica Martins.