Policia Investigação
Homem preso por matar a própria irmã tem comportamento de criminoso sexual em série, afirma delegada
Adolescente de 17 anos foi atraída com falso pretexto familiar e encontrada morta em córrego; suspeito já havia assassinado uma tia e estava solto por erro no sistema do Judiciário
12/03/2026 19h29
Por: Redação Fonte: MT Agora

O brutal assassinato de uma adolescente de 17 anos chocou a população de Cuiabá nesta semana e expôs a ação de um agressor com um perfil de extrema periculosidade. O suspeito foi preso nesta quarta-feira (11) pelo assassinato da própria irmã, cujo corpo foi localizado nu e amarrado em um córrego no Bairro Três Barras.

A avaliação da Polícia Civil de Mato Grosso dá a exata dimensão da gravidade do caso. Para a delegada Jéssica Cristina de Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime foi conduzido por extrema misoginia. “A motivação é ódio ao gênero, desprezo ao feminino, foi um feminicídio no sentido clássico do termo mesmo”, afirmou a investigadora, que foi ainda mais categórica ao descrever o perfil do investigado como "denotativo de um criminoso sexual em série".

A Dinâmica e a Emboscada

As apurações preliminares indicam que o homicídio foi arquitetado com frieza, utilizando os laços de sangue como armadilha. A vítima morava com o marido, e o agressor foi até a residência do casal sob um falso pretexto familiar: ele alegou que precisava da ajuda da jovem para resolver um problema relacionado à mãe de ambos. O marido da adolescente confirmou essa versão em depoimento oficial.

Ao conseguir retirar a irmã de casa, o suspeito consumou o crime, descartando e ocultando o corpo nas águas do córrego de forma degradante.

Histórico de Violência e Falha no Sistema

A prisão do homem traz à tona um rastro de violência que levanta sérios questionamentos sobre a segurança da sociedade e o monitoramento de criminosos reincidentes. O autor confesso já havia assassinado uma tia no ano de 2019. Em 2020, ele foi julgado e condenado a 19 anos de prisão por matar um vizinho.

A sua ficha criminal também inclui registros por tráfico de drogas, roubo, corrupção de menores e estupro de vulnerável. A situação ganha contornos de tragédia anunciada com a revelação de que o acusado só estava nas ruas cometendo novos crimes devido a um erro no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), falha estrutural que permitiu a sua saída da cadeia.

O investigado permanece sob custódia, e as autoridades do DHPP seguem com o inquérito para concluir o caso e apresentar as denúncias formais ao Ministério Público.