Dizer que o agronegócio carrega o Brasil nas costas deixou de ser força de expressão para se tornar um fato contábil inquestionável. O setor produtivo não é apenas a âncora do Produto Interno Bruto (PIB) nacional; é o principal escudo do país contra as crises globais. E quando se fala no futuro dessa engrenagem em tecnologia, sustentabilidade e eficiência, todas as bússolas apontam para uma única direção nesta semana: Lucas do Rio Verde.
A partir desta segunda-feira (23), o município se transforma no epicentro das decisões que guiarão o campo nos próximos anos, com a abertura oficial do Show Safra Mato Grosso 2026. Muito mais do que uma vitrine de tratores e sementes, o evento promovido pela Fundação Rio Verde consolidou-se como um dos maiores fóruns estratégicos da América Latina.
Para se ter a exata dimensão do seu impacto, a edição passada movimentou mais de 170 mil pessoas. Em 2026, com a expansão da feira, Lucas do Rio Verde não atrai apenas produtores e investidores, mas exerce uma força gravitacional irresistível sobre a classe política.
O Estado se muda para Lucas do Rio Verde
A relevância de um município não se mede apenas pela produtividade dos seus hectares, mas pela sua capacidade de pautar as decisões governamentais. Durante a feira, Lucas do Rio Verde assume, na prática, o papel de capital de Mato Grosso.
O governador Mauro Mendes desembarca no evento acompanhado do seu alto escalão de secretários de Estado, chancelando a importância da feira para a balança comercial mato-grossense. Mas a mobilização vai além do Executivo. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) também transfere a sua base de operações para o interior, instalando um Gabinete Itinerante dentro do Show Safra Mato Grosso. Os deputados estarão despachando, ouvindo o setor produtivo e formulando políticas públicas diretamente do solo onde a riqueza é gerada.
A força regional também se fará presente de forma maciça. O evento conta com a participação de prefeitos e lideranças de todas as regiões, com destaque para a atuação do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Cidesa), provando que o desenvolvimento do agronegócio é uma pauta que unifica e fortalece os municípios do interior.
O peso institucional: Brasília no interior
Além da força estadual, a feira atrai os holofotes do Governo Federal. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, tem presença confirmada na cerimônia oficial de abertura. A sua ida ao município sinaliza que as inovações e as demandas debatidas nos pavilhões luverdenses ecoam diretamente nos gabinetes de Brasília. Lucas do Rio Verde não apenas participa do agronegócio brasileiro; o município formula e exporta as soluções para o país.
A genialidade do modelo de desenvolvimento local, que ganha evidência durante o Show Safra Mato Grosso, é a compreensão de que a riqueza gerada na lavoura precisa ser revertida em qualidade de vida no perímetro urbano. Não por acaso, a agenda do ministro Carlos Fávaro na cidade inclui também a entrega de 192 moradias do programa "Minha Casa, Minha Vida" no bairro Parque das Américas.
Essa dupla agenda, o fomento à alta tecnologia no campo e a entrega de habitação na cidade, acompanhada de perto pelos governos Federal, Estadual e Municipal resume perfeitamente o que Lucas do Rio Verde representa hoje. O município ensina, na prática, que o verdadeiro progresso só acontece quando o sucesso nas safras pavimenta o caminho para a dignidade social e o crescimento sustentável.