Economia Negócios
Canetas emagrecedoras não substituem cirurgia bariátrica
Para quem enfrenta a obesidade e considera iniciar algum tratamento, a avaliação médica é fundamental antes de optar pelas canetas emagrecedoras ou...
26/03/2026 11h36
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O uso de canetas emagrecedoras cresceu 88% no Brasil entre 2024 e 2025, somando cerca de R$ 9 bilhões em importações. Os dados são do Conselho Federal de Farmácia e foram divulgados pela Agência Brasil. Ao mesmo tempo em que esses medicamentos se tornam mais populares, é comum que as pessoas tenham dúvidas sobre como eles funcionam e quais as diferenças em relação a outras formas de tratamento da obesidade, como a cirurgia bariátrica.

O cirurgião bariátrico e coloproctologista Dr. Rodrigo Barbosa, que também é fundador do Instituto Medicina em Foco, explica que as canetas têm papéis diferentes e complementares em relação à cirurgia.

Ele diz que esses medicamentos podem ser úteis para pacientes com sobrepeso ou obesidade leve a moderada, principalmente quando associados a mudanças de estilo de vida. Em alguns casos, as canetas emagrecedoras também ajudam pacientes com obesidade mais avançada a iniciar um processo de perda de peso.

"No entanto, quando falamos de obesidade grave ou obesidade associada a doenças metabólicas importantes, como diabetes tipo 2, hipertensão ou apneia do sono, a cirurgia metabólica continua sendo o tratamento mais eficaz e duradouro. Ou seja, as medicações ampliação o arsenal terapêutico, mas não substituíram a cirurgia bariátrica", resume o Dr. Rodrigo Barbosa.

O médico ressalta que muitos pacientes percebem que os medicamentos funcionam enquanto estão sendo utilizados, mas quando o tratamento é interrompido, parte do peso perdido pode retornar. Outro ponto é que nem todos os pacientes conseguem atingir com medicação a perda de peso necessária para controlar doenças metabólicas importantes.

"Além disso, os medicamentos têm custo elevado e precisam ser usados de forma contínua. Com o tempo, alguns pacientes acabam optando por uma solução mais duradoura, que é a cirurgia metabólica. Isso não significa que os medicamentos não funcionam, mas que cada estratégia tem seu espaço dentro do tratamento da obesidade", destaca o especialista em emagrecimento.

Especialistas da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, divulgaram o resultado de uma pesquisa apontando que a cirurgia bariátrica está associada a melhores resultados de perda de peso do que os medicamentos injetáveis à base de GLP-1.

Propostas e novas métodos

Com a evolução do tratamento da obesidade, novas medicações têm despertado expectativa, além de estratégias em estudo voltadas a reduzir a perda de massa magra durante o emagrecimento. De acordo com o fundador do Instituto Medicina em Foco, apesar desse avanço, o raciocínio clínico continua o mesmo: mesmo os medicamentos mais modernos tendem a exigir uso contínuo, acompanhamento especializado e investimento elevado ao longo do tempo.

Segundo o Dr. Rodrigo Barbosa, esse é um ponto importante na prática. Nem todos os pacientes respondem da mesma forma aos medicamentos, e parte deles acaba interrompendo o tratamento por custo, efeitos adversos, dificuldade de adesão ou por não atingir a perda de peso e o controle metabólico esperados.

"Esses novos medicamentos mostram que o tratamento da obesidade está evoluindo, o que é positivo. Mas elas não mudam um princípio central: obesidade grave e doença metabólica importante continuam exigindo uma análise individualizada. Para muitos pacientes, a cirurgia metabólica segue sendo a estratégia mais eficaz e mais duradoura", enfatiza o Dr. Rodrigo Barbosa.

Cirurgia metabólica: resultados podem ir além do emagrecimento

De acordo com o Dr. Rodrigo Barbosa, a cirurgia metabólica pode trazer benefícios que vão além da perda de peso. Muitos pacientes apresentam melhora importante ou até remissão do diabetes tipo 2, redução da pressão arterial, menor risco cardiovascular, melhora da apneia do sono e regressão da doença hepática gordurosa.

"Por isso, hoje muitos especialistas preferem o termo cirurgia metabólica, justamente porque o impacto da cirurgia envolve todo o metabolismo do paciente, e não apenas o peso corporal", revela o médico.

Para quem enfrenta a obesidade e pensa em iniciar algum tratamento, a avaliação médica é essencial antes de optar por medicação ou cirurgia. O Dr. Rodrigo Barbosa alerta para o aumento da automedicação e do uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento especializado, muitas vezes impulsionado por informações simplificadas nas redes sociais.

O cirurgião também lembra que, em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir retenção de receita para a venda desses medicamentos.

"A avaliação médica é imprescindível porque a obesidade não é uma doença única. Cada paciente tem perfil metabólico, histórico clínico e fatores de risco diferentes. Durante essa análise, avaliamos índice de massa corporal, doenças associadas, histórico familiar, padrão alimentar, comportamento metabólico e possíveis contraindicações", orienta.

Com base nessa avaliação, é possível definir a estratégia mais adequada para cada paciente, seja tratamento clínico, medicamentos, cirurgia metabólica ou a combinação dessas abordagens.

"O mais importante é entender que não existe solução universal. O tratamento da obesidade precisa ser individualizado e conduzido por uma equipe médica especializada", conclui o Dr. Rodrigo Barbosa do Instituto Medicina em Foco.