O Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil será a base para a criação de um novo modelo de atendimento público no México. O governo mexicano anunciou a estruturação de um sistema universal de saúde inspirado no formato brasileiro, com previsão de início operacional para janeiro de 2027. A iniciativa ganhou contornos definitivos após a assinatura de um acordo estratégico entre os dois países, formalizado em Brasília nesta semana.
O memorando de cooperação técnica, científica e institucional foi firmado na última quarta-feira (8) pelo ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, e pelo secretário de Saúde do México, David Kershenobich Stalnikowitz. O documento estabelece metas conjuntas para fortalecer os sistemas de atendimento público em ambos os países e ampliar o acesso a serviços e medicamentos.
Integração e tecnologia
A proposta do governo mexicano, atualmente liderado por Claudia Sheinbaum, busca permitir que qualquer cidadão seja atendido gratuitamente na rede de saúde, independentemente de possuir vínculo com a seguridade social ou mercado de trabalho formal. A primeira fase do projeto já tem início programado para os próximos dias, começando com o cadastramento da população idosa acima de 85 anos.
Um dos eixos centrais do novo plano de saúde do México é a criação de uma rede de dados unificada. Inspirado na integração tecnológica brasileira, o país vizinho pretende desenvolver plataformas digitais capazes de integrar os dados dos pacientes. A medida visa garantir que os profissionais tenham acesso imediato a prontuários médicos completos e resultados de exames laboratoriais em qualquer unidade de atendimento do país.
Cooperação bilateral e pesquisa
Além do compartilhamento da expertise administrativa e logística do SUS, o acordo entre Brasil e México abrange a atuação direta no setor farmacêutico. Os dois governos trabalharão em conjunto na área de inovação tecnológica, no desenvolvimento de novas vacinas (incluindo o uso de plataformas de RNA mensageiro) e no controle de doenças infecciosas. A troca de informações epidemiológicas para o enfrentamento de condições ligadas à vulnerabilidade social também está no centro da parceria.
A partir de 2028, o planejamento mexicano prevê a consolidação do fornecimento contínuo de remédios e a ampliação da atenção primária para doenças crônico-degenerativas, como o Alzheimer e a artrite reumatoide. A escolha pelo intercâmbio com o governo brasileiro consolida o SUS como uma referência internacional em políticas de saúde, exportando o seu modelo de cobertura universal para auxiliar na redução de desigualdades em toda a América Latina.