A sombra do antigo Veículo Leve sobre Trilhos ainda pauta as decisões de infraestrutura em Mato Grosso. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) deixou claro nesta quinta-feira (16) que não pretende repetir os erros do passado. Com foco total na responsabilidade financeira, o gestor revelou que a aquisição do badalado bonde urbano para o Bus Rapid Transit (BRT) será descartada devido ao seu preço exorbitante.
Embora as pesadas obras de infraestrutura dos corredores exclusivos já estejam avançando em Cuiabá e Várzea Grande, a escolha exata da frota que atenderá a população ainda estava sob análise. Pivetta explicou que o bonde urbano chegou a ser cogitado, mas os estudos orçamentários mostraram que a opção custa três vezes mais do que outras soluções modernas disponíveis no mercado atual. A constatação fez o Executivo acionar o freio de forma imediata.
"Tem também o bonde urbano que estamos conversando, mas o preço é altíssimo. E tem muitas perguntas sem respostas sobre o bonde urbano. Já erramos feio uma vez, não podemos errar nenhum pouquinho nessa nova escolha", cravou o governador, em uma referência direta aos graves prejuízos bilionários deixados pelo inacabado projeto do VLT.
A aposta no biodiesel
Como alternativa principal e definitiva, o Estado estuda a aquisição de ônibus modernos movidos a biodiesel. A justificativa para a escolha passa não apenas pela enorme economia na compra da frota, mas também pelo fomento à indústria e à agricultura mato-grossense, setor que já desponta como líder na produção de energias limpas.
"Decidiria por um a biodiesel, porque é o mais barato, é um combustível que produzimos, de baixa emissão, renovável, moderno e que tem tudo a ver com Mato Grosso", detalhou Pivetta. Ele garantiu que, independentemente da motorização, os veículos contarão com um alto padrão de conforto para os passageiros. O projeto prevê uma frota totalmente climatizada, com acessibilidade universal, rede de internet e conectores USB.
Prazo no horizonte
Sobre a data para o início da operação do BRT, Pivetta preferiu a cautela e evitou cravar um dia exato no calendário. Essa prudência ocorre porque a entrega do modal depende da capacidade das montadoras em fabricar os veículos em tempo hábil. No entanto, o governador demonstrou grande otimismo e disse acreditar na real possibilidade de inaugurar o sistema ainda no final deste ano.
O gestor finalizou o seu posicionamento classificando o antigo projeto do VLT, iniciado em 2011, como uma sucessão de irresponsabilidades que canalizou recursos públicos de maneira equivocada e causou grandes transtornos à rotina das duas maiores cidades do estado. O foco agora é virar a página e entregar uma solução de transporte que seja eficiente e que respeite o dinheiro público.