O cenário epidemiológico da meningite na região norte de Mato Grosso ganhou novos esclarecimentos oficiais nesta sexta-feira, 24 de abril. Em meio ao alerta gerado pelos óbitos confirmados em Sinop, o secretário de Saúde de Lucas do Rio Verde, Welligton Souto, veio a público para tranquilizar a população luverdense e desmentir boatos sobre mortes de residentes no município.
Segundo o secretário, a confusão sobre um possível óbito local surgiu devido ao atendimento de uma paciente da comunidade Morocó, que pertence geograficamente a Sorriso. "Essa paciente realmente foi atendida em Lucas, mas quem fez o monitoramento e a triagem foi Sorriso, porque ela é uma paciente de lá. Ela faleceu no dia 19 de março", explicou Souto. O gestor enfatizou que, embora o momento exija vigilância, não há motivo para pânico. "Ainda que seja um motivo para alerta, não é um motivo para alarme", pontuou.
Diferenças fundamentais entre os tipos de meningite
Para evitar o avanço da desinformação, as autoridades reforçam a necessidade de compreender as variantes da doença. A meningite viral é a forma mais comum e geralmente apresenta um quadro menos agressivo, com sintomas similares aos de uma virose e recuperação que costuma ocorrer sem intervenções pesadas.
Por outro lado, a meningite bacteriana, como os casos do sorogrupo B registrados em Sinop, é uma emergência médica gravíssima. Este tipo exige internação imediata e uso de antibióticos, pois a evolução é extremamente veloz, podendo causar danos neurológicos permanentes ou óbito em poucas horas.
A Vigilância em Saúde de Lucas do Rio Verde segue monitorando o cenário estadual e garante que não há vínculo entre a morte da paciente de Sorriso e os casos recentes no município vizinho.
Reforço na vacinação e cronograma na rede
Como medida preventiva, a Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde vai intensificar as campanhas de vacinação a partir da próxima semana. A estratégia já estava programada como resposta ao cenário regional e visa garantir que as coberturas vacinais das crianças e adolescentes estejam no nível ideal.
O secretário detalhou quais imunizantes estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e as faixas etárias indicadas:
Meningo C: Realizada obrigatoriamente nos bebês aos 3 e 5 meses de idade.
ACWY: Disponível para crianças aos 12 meses e também para adolescentes na faixa de 11 a 14 anos.
Meningo B: Esta vacina específica não foi incorporada ao calendário nacional do SUS e está disponível apenas na rede particular.
A orientação é que os pais procurem as Unidades Básicas de Saúde (UBS) com o cartão de vacinação em mãos para conferência e atualização. Sintomas como febre alta súbita, rigidez na nuca, dor de cabeça intensa e vômitos devem ser tratados como prioridade absoluta em qualquer unidade de pronto atendimento.