As forças de segurança de Mato Grosso integraram, nesta terça-feira (28 de abril), uma das maiores ofensivas globais contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. A Polícia Civil do estado deflagrou a Operação Cesin, braço regional de uma mobilização coordenada pela Polícia Federal que cumpriu mandados simultâneos em 15 países e em todas as unidades da federação brasileira.
No estado, a Justiça expediu quatro mandados de busca e apreensão domiciliar, além da quebra de sigilo de dados telemáticos, concentrados nas cidades de Cuiabá e Lucas do Rio Verde. A atuação no município luverdense contou com o apoio direto e decisivo da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF/LRV). Os agentes locais deram suporte estratégico às equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) para localizar o alvo e garantir o cumprimento rigoroso da ordem judicial na cidade.
Dimensão internacional e foco na destruição de equipamentos
A ofensiva em Mato Grosso faz parte da Operação Nacional Proteção Integral IV, que no Brasil mobilizou 738 policiais (civis e federais) para cumprir 156 mandados de busca e 16 de prisão preventiva. No cenário global, a ação integra a Operação Internacional Aliados pela Infância VI, atingindo redes criminosas na Argentina, Espanha, França, Panamá, Paraguai, entre outros, o que demonstra o alto nível de cooperação para combater crimes que violam a dignidade sexual e não respeitam fronteiras físicas.
O foco da investigação é desarticular a produção, a transmissão e o armazenamento de arquivos digitais contendo pornografia infantil. As autoridades mapearam que os investigados registravam fotos de abuso e compartilhavam o material em grande escala através da rede mundial de computadores.
A tática da polícia agora é cirúrgica. Os smartphones, notebooks e tablets apreendidos em Cuiabá e Lucas do Rio Verde passarão por uma varredura pericial profunda. O objetivo estabelecido pelas autoridades é localizar o material ilícito, apagar os arquivos das redes e destruir fisicamente os dispositivos utilizados pelos abusadores.
Fim da falsa sensação de anonimato
As condutas investigadas ferem frontalmente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A produção de cenas de sexo explícito envolvendo menores possui pena de reclusão de quatro a oito anos. Já o compartilhamento e o armazenamento deste tipo de material geram penas que variam de um a seis anos, além da aplicação de multas.
Para o delegado titular da DRCI, Sued Dias da Silva Junior, a operação envia um recado claro aos criminosos que se escondem atrás das telas. O gestor destacou que a ação quebra a falsa sensação de anonimato da internet e prova que a Polícia Civil atua de forma ininterrupta para combater essas condutas consideradas abomináveis e que geram alta repulsa social. O trabalho de monitoramento cibernético segue ativo, garantindo que o cerco contra as redes de exploração continue apertado em toda a região.